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Centenas de fios misteriosos são encontrados no coração da Via Láctea

Imagem capturada por telescópio do centro da Via Láctea revela misteriosos fios magnéticos  - Divulgação/Northwestern University
Imagem capturada por telescópio do centro da Via Láctea revela misteriosos fios magnéticos Imagem: Divulgação/Northwestern University

Mateus Omena

Colaboração para Tilt, em São Paulo

28/01/2022 14h47

Centenas de fios magnéticos misteriosos foram detectados no centro da Via Láctea, galáxia onde está o planeta Terra. A descoberta foi feita por cientistas através de uma imagem capturada por um telescópio.

Segundo o levantamento, os pares e aglomerados de fios se estendem por quase 150 anos-luz de comprimento e são igualmente espaçados. Estima-se que os fios tenham alguns milhões de anos e são heterogêneas, pois variam em aparência. Alguns deles se assemelham às cordas de harpa por sua fina espessura. Outros demonstram mais densidade como a de cachoeira ou até mesmo como os anéis ao redor de Saturno.

Por outro lado, há 35 anos, Farhad Yusef-Zadeh, professor de física e astronomia da Northwestern University e chefe do estudo, identificou os fios na Via Láctea pela primeira vez através de ondas de rádio. O cientista determinou que eles eram formados por elétrons de raios cósmicos que estavam movendo seus campos magnéticos perto da velocidade da luz. A origem desses fios, no entanto, permaneceu um mistério.

"Estudamos filamentos individuais há muito tempo com uma visão míope", disse Yusef-Zadeh em um comunicado. "Neste momento temos o quadro geral, uma visão panorâmica repleta de uma abundância de filamentos. Mas, apenas examinar alguns deles torna difícil tirar qualquer conclusão real sobre o que são e de onde vieram. Este é um divisor de águas na promoção de nossa compreensão dessas estruturas", completou.

Agora, os novos estudos foram capazes de encontrar 10 vezes mais fios do que Yusef-Zadeh anteriormente, usando o telescópio MeerKAT do Observatório de Radioastronomia da África do Sul.

A nova e detalhada imagem é composta de um mosaico de 20 observações diferentes feitas ao longo de três anos em direção ao centro da Via Láctea, localizado a 25.000 anos-luz da Terra.

Além dos longos fios, a imagem mostra as assinaturas do nascimento de estrelas e os vestígios de estrelas destruídas, por meio de emissões de rádio. Yusef-Zadeh e sua equipe de pesquisa se concentraram apenas nos fios e os isolaram dos outros fenômenos capturados na imagem.

"É como arte moderna", disse o cientista. "Essas imagens são tão bonitas e ricas, e o mistério de tudo isso as tornam ainda mais interessantes".

Imagem em mosaico do centro da Via Láctea - Divulgação/Northwestern University - Divulgação/Northwestern University
Imagem em mosaico do centro da Via Láctea
Imagem: Divulgação/Northwestern University

Investigações e novas dúvidas

A quantidade de radiação variou de outros eventos cósmicos energéticos, como remanescentes de supernovas, de acordo com uma análise feita por astrônomos, que acreditam que os fios estão relacionados à antiga atividade de um buraco negro no centro da Via Láctea, em vez de meras explosões de estrelas.

Após uma investigação mais aprofundada dos filamentos, a equipe de Yusef-Zadeh também determinou que os campos magnéticos são mais fortes ao longo dos fios.

"Se você fosse de outro planeta, por exemplo, e encontrasse uma pessoa muito alta na Terra, você poderia supor que todas as pessoas são altas. Mas se você fizer estatísticas em um grupo de pessoas, você pode encontrar a altura média. Isso é exatamente o que estamos fazendo. Podemos encontrar a força dos campos magnéticos, seus comprimentos, suas orientações e o espectro de radiação", explicou Yusef-Zadeh.

Enquanto trabalham para identificar cada fio, os cientistas ainda estão tentando descobrir se a distância ordenada é igual entre os aglomerados de fios, a causa da aceleração das partículas ou se os fios se movem com o tempo.

"Toda vez que respondemos a uma pergunta, várias outras surgem", disse o professor da Northwestern University. "Como você acelera elétrons perto da velocidade da luz? Uma ideia é que existem algumas fontes no final desses filamentos que estão acelerando essas partículas."

Yusef-Zadeh acredita que ainda existem mais informações a serem descobertas sobre esses fios magnéticos e esperam compreender como eles se encaixam no emaranhado de fenômenos que ocorrem no centro da Via Láctea. "Esperamos chegar ao fundo disso, mas são necessárias mais observações e análises teóricas", disse ele. "Uma compreensão completa de objetos complexos leva tempo".