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App paga até US$ 250 por transmissão ao vivo de crimes e emergências

Aplicativo mapeia crimes e emergências em tempo real, enquanto colaboradores transmitem as cenas ao vivo - Reprodução/Citizen
Aplicativo mapeia crimes e emergências em tempo real, enquanto colaboradores transmitem as cenas ao vivo Imagem: Reprodução/Citizen

Colaboração para o UOL, em Santos

30/07/2021 20h55

O Citizen, um aplicativo para celulares dedicado a bombardear os usuários com notificações sobre emergências e cenas de crimes, está oferecendo até US$ 250 (cerca de R$ 1.300) para pessoas dispostas a registrar os conteúdos ao vivo.

A empresa tem recrutado "membros da equipe de campo", por meio de anúncios de emprego on-line, oferecendo aos candidatos de US$ 200 a US$ 250 por dia se eles conseguirem rastrear e transmitir eventos ao vivo em suas localidades. Segundo a equipe do Citizen, eles podem variar "de uma criança desaparecida ao incêndio em uma casa, ou qualquer outra coisa". Os colaboradores devem entrevistar testemunhas e policiais.

Os anúncios tornaram-se notórios após matéria publicada pelo jornal norte-americano The New York Post, mas relatórios de colaboradores pagos pelo Citizen já estão circulando há algum tempo.

Um porta-voz da empresa disse à publicação que a Citizen tem equipes em funcionamento em algumas das cidades onde o aplicativo está disponível "para demonstrar como a plataforma funciona e para modelar práticas de transmissão responsável em situações em que os eventos estão ocorrendo em tempo real."

A Citizen também disse ao site Gizmodo que há 12 desses "membros da equipe de campo" no total. Não está claro onde eles estão localizados, mas os anúncios mencionam apenas que os colaboradores devem estar em Los Angeles (turnos de 10 horas por US$ 250 por dia) e na cidade de Nova York (turnos de 8 horas por US$ 200 por dia). A empresa disse ao site The Verge que o conteúdo gerado por esses indivíduos representava menos de 1% do conteúdo do aplicativo.

O Citizen, que foi lançado originalmente em 2016 como um app de vigilância antes de ser lançado na iOS App Store, se descreve como uma "rede de segurança pessoal". Ele gera alertas baseados em localização para os usuários, examinando as comunicações policiais e compilando relatórios de usuários.

Ele alerta os usuários para que "nunca se aproximem da cena do crime, interfiram em um incidente ou atrapalhem a polícia".

Justiça popular

A empresa tem sido repetidamente criticada por encorajar a justiça popular. Em maio deste ano, o próprio CEO da Citizen autorizou a oferta de uma recompensa de US$ 30.000 (em torno de R$ 156 mil) aos usuários capazes de localizar um homem acusado de iniciar um incêndio florestal. O nome e a imagem do homem foram compartilhados em uma transmissão ao vivo oficial no aplicativo, com os anfitriões incentivando os espectadores a "irem lá e levar o cara à justiça" e "caçar o cara".

Mas o indivíduo foi acusado injustamente e depois inocentado pela polícia, que disse que as ações do Citizen foram potencialmente "desastrosas".

A empresa parece determinada a ser mais do que um observador passivo ou fonte de informação. Conforme relatado pela primeira vez pelo site Motherboard em maio, a Citizen tem testado sua própria força de segurança privada, implantando carros de patrulha com a logomarca, que respondem às solicitações dos usuários. A empresa disse ao site The Verge que isso fazia parte de um programa piloto de 30 dias que já havia terminado e que não existem planos dele ser lançado em sua totalidade.