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TV que não precisa de controle é 1º aparelho com sistema HarmonyOS (Huawei)

Nosso repórter flagrou a TV Honor Vision, a primeira com sistema HarmonyOS, passeando por Dongguan, na China - Helton Simões Gomes/UOL
Nosso repórter flagrou a TV Honor Vision, a primeira com sistema HarmonyOS, passeando por Dongguan, na China Imagem: Helton Simões Gomes/UOL

Helton Simões Gomes

Do UOL, em Dongguan (China)*

11/08/2019 10h24

O primeiro eletrônico com o sistema operacional criado pela Huawei com o objetivo de ser uma alternativa ao Android, no caso de smartphones e tablets, e a alma de dispositivos da chamada Internet das Coisas foi lançado neste sábado (10).

Criada pela Honor, a marca da Huawei voltada ao público jovem, a Honor Vision é, à primeira vista, uma TV inteligente. A empresa, no entanto, a chama de tela inteligente, porque ela possui funções para não só interagir com outros dispositivos, como portas e lâmpadas inteligentes, mas poder também controlá-los e, no caso do smartphone, ser controlada por ele. Ou seja, adeus controle remoto.

O evento de lançamento foi fechado para a imprensa chinesa. Jornalistas de outros países só puderam acompanhar uma demonstração da TV, bastante técnica por ser voltada a desenvolvedores. O UOL, no entanto, teve contato com o aparelho quando uma dupla de chineses passou apressada carregando-o pelo campus da Huawei. Só desaceleram para pegar fôlego e continuar a caminhada. Nesse meio tempo, confirmaram: "sim, é a Honor Vision".

Zhao Ming, presidente da Honor, apresenta a Honor Vision - Divulgação
Zhao Ming, presidente da Honor, apresenta a Honor Vision
Imagem: Divulgação

Futuro da TV?

Ao subir ao palco para comentar o anúncio, Richard Yu, CEO da divisão de produtos de consumo da Huawei, afirmou que a TV tradicional não é mais popular, a não ser para os menores de 6 anos e maiores de 60 anos. Primeira a ser equipada com o HarmonyOS, a Honor Vision é, afirmou, uma tentativa de aplicar em uma TV tudo o que foi aprendido e já deu certo com os smartphones - neste segmento, a empresa é a segunda maior fabricante do mundo, à frente da Apple e apenas atrás da Samsung.

Zhao Ming, presidente da Honor, afirmou por sua vez que o aparelho não é uma TV tradicional e, sim, o futuro da TV.

Se o celular já tem desempenhado o papel de ser o centro da vida das pessoas, diz, a Honor Vision foi criada para ser o centro da vida em família. A ideia é que ela seja, ao mesmo tempo, a central de:

  • entretenimento de vídeo,
  • interação entre vários dispositivos,
  • compartilhamento de informações e
  • controle de outros aparelhos domésticos conectados.

O que tem nessa TV?

Do ponto de vista prático, a Honor Vision é uma TV de 55 polegadas com capacidade de exibir imagens em 4K UHD e com um angulo de visão de 178 graus. Com espessura de 6,8 milímetros, ela pode ser pendurada como um painel na parede ou, usando pedestais, ser posicionada sob rack ou armário.

A Honor criou a interface do aparelho seguindo a lógica do design de revistas. Quando ligada, exibirá, além do conteúdo tradicional da TV, uma série de opções de entretenimento. Entre eles, estarão serviços da Huawei, já presentes nos smartphones da empresa e da Honor, como o Huawei Share, que permite a transferência de arquivos entre notebooks e smartphones, informações sobre o tempo, notificações sobre encomendas.

Essa é uma tentativa da empresa chinesa levar seu ecossistema de serviços ainda em construção para outros aparelhos além dos smartphones e notebooks, à exemplo do que a Apple faz com iPhones, iPads e Macs.

Se a alma da Honor Vision é o HarmonyOS, o cérebro é o chip Hongshu 818, que, entre outras coisas, lida com o processamento gráfico, incluindo "upscaling" (calibragem de imagem com qualidade inferior ao 4K UHD para esta resolução) e proteção à emissão de luz azul, que não só cansa os olhos, mas pode até degenerar a retina de telespectadores.

Nessa linha, a Honor chegou a sugerir que, caso a TV detecte uma criança assistindo a um programa, pode automaticamente se reconfigurar para diminuir a tensão ocular. Se você não está se perguntando como uma TV pode saber quem está diante dela, deveria.

TV com olhos e ouvidos

A Honor Vision tem uma câmera embutida, que pula de dentro de seu corpo -- mais ou menos como já acontece em alguns celulares da marca Honor. Tentando minimizar preocupações sobre possíveis abusos à privacidade, a empresa afirmou que a câmera só dará as caras quando for acionada pelo usuário.

Essa câmera tem papel crucial nos planos da Honor, já que a ideia é fazer a TV se conectar rapidamente a outros dispositivos. Com ela, será possível iniciar ligações de vídeo ou transferir para a telona uma videoconferência iniciada no smartphone. Outra possibilidade de conexão: exibir ao vivo as imagens captadas por um drone, que estiver voando.

A Honor Vision, porém, não tem apenas olhos. Tem ouvidos também. Outra forma de interagir com ela será por meio da voz. Equipada com seis microfones, a TV escuta instruções, mas é possível fazer mais do que apenas ordenar o que ela deve fazer a seguir. Dá para controlar outros aparelhos conectados à TV, como pedir para as lâmpadas serem ligadas ou para a porta ser atendida.

Se você sentiu falta do controle remoto, é isso mesmo. Até tem controle, mas a ideia é que os comandos de voz e smartphone cumpram essa função. A ligação entre o celular e a TV é feita por meio de uma etiqueta de NFC, que pode ser posicionada em qualquer lugar da sala de estar. Quando o celular cadastrado estiver próximo dela, os comandos feitos nele são reproduzidos na TV. A partir daí, ao deslizar a tela para um lado ou teclar, o mesmo ocorre na telona.

Esse tipo de interação já ocorre em outros aparelhos, como os da Samsung. Mas a ideia de transformar o smartphone em um controle remoto vai além da conexão local. Mesmo à distância, é possível fazer a TV exibir notificações e cumprir tarefas. Se alguém estiver fora de casa e quiser mandar os filhos desligarem a TV e fazerem a lição da escola, basta mandar a TV estampar em sua tela esse aviso.

A Honor Vision entrará em pré-venda na China a partir de 15 de agosto em duas versões. O modelo regular custará 3.799 yuans (US$ 540), e o Pro, 4.799 yuans (US$ 680). A empresa não informou se pretende vendê-la em outros países.

* o jornalista viajou a convite da Huawei

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