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Variante brasileira pode ser mais transmissível e derrubar imunidade prévia

28/04/2021 21h06

Redação Central, 28 abr (EFE).- A variante brasileira do coronavírus P1 pode ser 1,7 a 2,4 vezes mais transmissível e capaz de escapar da imunidade obtida pela infecção com outras cepas, de acordo com um estudo que utiliza um modelo para estudar a situação na cidade de Manaus durante o pico de contágio do final do ano passado.

Os pesquisadores, cujas descobertas foram publicadas na revista especializada "Science", advertem que é preciso cautela ao adotarem esses resultados em outros lugares além da capital do Amazonas.

O estudo, liderado pela Universidade de Copenhague, sugere, de acordo com o modelo epidemiológico utilizado, que a variante P1 também é capaz de escapar entre 10% e 46% da imunidade provocada pela infecção com coronavírus da cepa conhecida primeiramente.

Duas mutações do SARS-CoV-2 foram detectadas no Brasil, a P1 em Manaus e a P2 no Rio de Janeiro, mas a que causa maior preocupação é a primeira, que surgiu no final de 2020 na capital amazonense.

A equipe estudou a evolução da pandemia da Covid-19 em Manaus, que foi tão afetada por uma primeira onda de contágio, o que, segundo os cientistas, levou ao pensamento de que a cidade atingiria a imunidade de rebanho. Contudo, houve um segundo pico em novembro e dezembro.

Os pesquisadores analisaram a variante P1 com um modelo epidemiológico, o que indica que é provável que ela seja mais transmissível do que as cepas anteriores e pode escapar da imunidade adquirida de infecção com outras mutações. A conclusão é do autor principal do estudo, Samir Bhatt, da Universidade de Copenhague.

Para caracterizar a variante e suas propriedades, eles utilizaram vários conjuntos de dados, incluindo 184 amostras de sequenciamento de genes, e descobriram que ela havia adquirido 17 mutações relacionadas à proteína spike, com a qual o vírus se conecta às células do organismo humano.

A análise mostra que a P1 surgiu em Manaus por volta de novembro de 2020 e passou de indetectável nas amostras genéticas que a equipe manipulou para responder por 87% dos testes positivos em apenas sete semanas.

Os pesquisadores usaram então um modelo epidemiológico para comparar duas cepas diferentes de vírus para ver qual melhor explicou o cenário vivido em Manaus no fim do no. Uma foi o "coronavírus normal", e a outra foi ajustada dinamicamente pela aprendizagem automática para se ajustar melhor aos eventos reais no Brasil", explicou Bhatt.

Embora o grupo tenha deixado claro que se deve ter cautela ao tentar generalizar esses resultados, eles destacaram que, de fato, é necessário maior vigilância das infecções e diferentes variantes do vírus em muitos países para que a pandemia esteja sob controle.