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O novo Command & Conquer é um remaster impecável

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Imagem: Divulgação

Daniel Esdras

Do GameHall

10/07/2020 04h00

Os últimos meses foram cheios de novidades para os fãs de estratégia em tempo real. Do anúncio de um novo Age of Empires, até remasters de franquias famosas, os fãs de praticamente todos os principais títulos do gênero receberam alguma coisa, boa ou ruim.

A última novidade foi logo no considerado o pai do gênero, Command & Conquer, que fez um sucesso estrondo em 1995 e desde que caiu nas mãos da EA ainda não tinha gerado uma satisfação plena dos fãs. Se ainda não há um novo jogo de alto orçamento da série no horizonte, ao menos esse remaster é para lá de competente.

Evolução gráfica notável e respeitosa

Command Conquer 1 - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

Nesse pacote está o jogo de 1995, Red Alert, que saiu no ano seguinte e as três expansões de conteúdo que foram lançados para ambos, todos com melhorias gráficas significativas. Os antigos integrantes da equipe da Westwood Studios participaram do projeto pela Petroglyph Games e garantiram uma fidelidade de design como poucas vezes foi visto em um remaster do tipo.

Com um único botão você pode modificar entre a versão gráfica original e a refeita, que se misturam na transição, mostrando que a mesma paleta de cores foi mantida. O que torna o novo visual muito mais atrativo é o aumento significante de resolução, que inclusive abriu portas para algumas adições que fizeram muito bem ao visual.

Como o jogo suporta resoluções de até 4k, o espaço para trabalhar a interface, por exemplo, foi muito maior, permitindo que detalhes menores ainda passem a informação visual que pretendem. O mini-mapa, por exemplo, fica inteiro na tela agora, sem exigir clicar em abas adicionais para acessar toda a informação visual, uma limitação da época pela baixa resolução.

Toda a interface, inclusive, foi melhorada, mesmo as entre missões e do menu. A estética da época não foi modificada ou coisa do tipo, você ainda tem a mesma sensação de quem jogou nos anos 90, mas com uma resolução maior e animações na tela mais fluidas graças ao aumento da taxa de quadros.

Command & Conquer Remastered Collection

A animação das unidades também foi totalmente refeita e é bem mais fluida que a original. Recentemente vimos o contrário com Warcraft 3 Reforged e esse ponto é sempre uma preocupação em remasters de jogos do tipo. E mais uma vez, sem perder a essência, parece que o jogo simplesmente ganhou uma melhoria suficiente para não ficar para trás em relação a jogos mais modernos do gênero.

Uma das partes mais icônicas de Command & Conquer, os vídeos de briefing antes de cada missão, também foram melhorados. Como os desenvolvedores não tinham mais acesso ao material original, a saída foi utilizar IA para fazer o upscaling dos vídeos para resoluções modernas e o resultado é surpreendentemente bom. Nesse caso em específico, alguns filtros que eram utilizados na frente do vídeo na época foram removidos, como os chuviscos, sem opção de serem adicionados, o que pode não satisfazer completamente os mais saudosistas. Olhando pelo lado bom, ao menos o jogo agora terá suporte total a mods, que podem adicionar esse e outros detalhes, falaremos mais abaixo.

Modernização no gameplay sem perder a essência

Command Conquer 2 - Daniel Esdras/GameHall - Daniel Esdras/GameHall
Imagem: Daniel Esdras/GameHall

Quando sai rumores que vão modernizar um clássico já até dá um frio na espinha, o medo é sempre de descaracterização da franquia. Não foi o que rolou aqui em Command & Conquer, já que o foco foi em apenas adicionar o que os outros jogos do gênero forneceram depois dele e que fazem falta para os dias atuais.

Atalhos por exemplo, são essenciais para comandos precisos de unidade e criação de base em RTS modernos. Nesse remaster praticamente tudo que você imaginar tem um atalho próprio e, melhor ainda, podem ser totalmente customizados no menu do jogo, o que vai dar uma nova vida ao multiplayer.

Outras melhorias significantes também trouxeram o jogo para esse milênio. Construir unidades, por exemplo, agora pode ser feito em fila. No original era preciso esperar uma unidade terminar de ser construída e então clicar para a próxima começar. A dinâmica agora é tal qual nos jogos mais recentes do gênero.

A seleção de unidades também melhorou demais, com numeração para os grupos criados no CTRL, seleção mais fácil com o mouse e adição e remoção de unidades de grupo com atalhos, como o Shift. Clicar duas vezes em uma unidade seleciona todo o grupo, como nos jogos da Blizzard que dominaram o gênero. Tudo isso deixa o manuseio das tropas bem mais natural e moderno, sem aquela sensação de jogo datado.

C&C Neve - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Outra adição que parece boba, mas que ajuda demais no combate é a capacidade de dar zoom in/out no mapa. Com as novas resoluções, você consegue chegar mais perto da ação sem que as unidades percam a informação visual, o que facilita algumas seleções e ajuda na tomada de decisão.

Como toda essa modernização, sem perder quase nada da essência, o multiplayer ganhou nova vida, especialmente com a EA lançando o jogo também no Steam. Há a possibilidade de criar lobby personalizado, ranking para incentivar continuar jogando e mais de 250 mapas para deixar qualquer fã com centenas e dependendo, milhares de horas de diversão.

Som todo refeito

Tiberian Sons - TheTiberianSons.com - TheTiberianSons.com
Imagem: TheTiberianSons.com

Um dos pontos altos da série é a trilha sonora, que foi toda feita por Frank Klepacki e sua banda, os Tiberian Sons. Para o remaster, a banda se reuniu e gravou novamente vinte faixas em qualidade impressionante. Todas elas estão, inclusive, disponíveis no menu para serem ouvidas da forma como você bem entender.

Os efeitos sonoros também foram todos remasterizados e os barulhos de disparos de infantaria estão mais impactantes do que nunca, especialmente com os riffs pesados de guitarra da trilha sonora ao fundo.

Até mesmo a EVA foi remasterizada, com a atriz original, Kia Huntzinger, refazendo todas as linhas de auxílio em alta definição para o Tiberian Dawn. Uma pena que entre as legendas não haja a opção do português, um ponto baixo que, quem sabe, possa ser consertado pela comunidade através de mods.

Mods e conteúdo de sobra

Command Conquer 3 - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

Em um ato para lá de inesperado, especialmente com a EA de publisher, os desenvolvedores do remaster disponibilizaram o código fonte do jogo no GitHub, o que, em conjunto com o suporte para mods, vai trazer uma onda de melhorias e adições feitas pelos usuários. A integração com o Steam Workshop é total, e baixar e executar mods ficou muito simples, mesmo para usuários menos experientes.

O conteúdo extra disponibilizado também impressiona, com fotos inéditas de bastidores, vídeos extras das facções e músicas inéditas, tudo desbloqueado via vitórias na campanha, que conta com mais de 150 mapas no todo do pacote.

O remaster de Command & Conquer é o maior acerto da EA com a franquia até agora e traz um resultado digno de nota, que deveria servir de inspiração para outros estúdios que devem fazer o mesmo. Dá até para sonhar com uma continuação da franquia agora, por que não? No Steam, há quase dez mil jogadores participando de combates ao mesmo tempo em várias horas do dia, dezenas de milhares de análises e uma aprovação de mais de noventa por cento. Um sucesso que, se conhecemos bem a indústria, vai motivar mais novidades para essa série tão influente logo logo.

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