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"Need for Speed Heat" derrapa na história mas é bom passo para a série

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Imagem: Divulgação

Daniel Esdras

Do GameHall

18/01/2020 04h00

A EA e Need For Speed não se misturam há algum tempo. Depois de uma sequência de títulos que deixaram muito a desejar, os fãs da franquia chegaram até a aceitar o fim da franquia. Foi quando, de forma meio surpreendente, anunciaram "Need for Speed Heat", na E3 de 2018. A promessa era revitalizar a série sem perder a essência das perseguições policiais e corridas de rua.

Quem ficou com a responsa da foi a Ghost Games, estúdio sueco fundado em 2011 e que conta com desenvolvedores experientes em games de corrida. No final das contas, as expectativas eram altas, e o resultado está longe de ser uma obra de arte. Mas "Heat" acaba sendo um bom jogo de corrida arcade, que pode indicar uma retomada no futuro da série.

Acelerando na Cidade das Palmeiras

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Existe uma narrativa em "Need for Speed Heat": ou pelo menos a tentativa de uma. Após uma sequência alucinante em uma perseguição policial, o jogador é convidado a escolher o seu avatar. Em vez de um sistema de personalização estilo RPG, temos uma série de modelos prontos e bem diversos para serem escolhidos. Embora essa opção não deva satisfazer todos os jogadores, ao menos não é o foco do jogo, já que na maior parte do tempo você verá só o seu carro. Seu personagem, afinal, aparece só nas cutscenes da história.

O local dos rachas em alta velocidade é a cidade fictícia de Palm City, baseada no estado da Flórida. É uma metrópole que conta com um clima bem tropical, com o forte calor e as pancadas de chuva influenciando a vestimenta e o comportamento dos personagens. Nessa cidade, as corridas de rua são quase um esporte local, com várias equipes de diversas categorias e culturas se enfrentando por todos os cantos.

Avatares genéricos e seus carros

O problema é que corridas de rua são crime por aqui, e a força policial está mais motivada do que nunca para prender os meliantes. Os motivos para isso, porém, não são manter a lei e a ordem, mas administrar uma rede de corrupção. É claro que a sua missão vai ser derrubar esse esquema.

Logo de cara, somos apresentados ao novo comandante dos policiais da cidade, a típica encarnação do mal, sem nenhum escrúpulo para quebrar a lei ou usar sua patente em benefício próprio.

Já você é um novato que está procurando espaço, como em quase todo jogo de corrida. Cara nova na cidade, vai ver tudo rolar de forma bem conveniente. Seu personagem conseguirá um carro e até moradia de um mecânico famoso da cidade. Começará por baixo nas corridas, vai se envolver com a polícia e personagens do submundo, subindo sua reputação e conta bancária com o tempo.

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O grande problema é que a campanha é muito curtinha, e a história bem boba, como um um Velozes e Furiosos mais genérico e menos trabalhado. Os personagens são bem clichê do início do milênio, com frases de efeito para mostrar como amam seus carros e se sentem importantes por correr. No fim, não me importei com ninguém ali e foquei apenas na cidade, interessante e cheia de conteúdo. Se no início dos anos 2000 essa narrativa seria algo até aceitável para a série, em 2020 não passa de um pano de fundo de baixa qualidade para o que importa de verdade: as corridas.

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Sem medo de ser Arcade

Em um mundo em que os prêmios e holofotes de jogos de corrida migram cada vez mais para as simulações realistas, Need for Speed não tem medo de ser Arcade. Mesmo quem nunca teve contato com um jogo de corrida na vida vai se adaptar aos controles em minutos. Fazer curvas e entender os sistemas de frenagem é bem simples e depende de pouca dedicação para se conseguir resultados pelo menos satisfatórios.

Uma novidade é o novo sistema de drift. Dessa vez basta soltar e pressionar novamente o R2 enquanto vira para entrar no modo de derrapagem que ficou famoso em jogos do tipo. Fácil e muito eficiente para grande parte das curvas mais difíceis, ele acaba deixando o modo tradicional de frear somente para emergências, o que pode deixar alguns veteranos não muito contentes. É, de fato, um novo jeito de jogar, muito mais uma questão de se adaptar do que algo que atrapalhe a proposta.

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Existe um sistema de dia e noite que controla a forma como você avança e dita o tom de Palm City. De dia, a cidade conta com corridas que garantem dinheiro para comprar carros e melhorá-los, num clima bem mais ameno e divertido. Já durante a noite rolam corridas que garantem pontos de reputação e perseguições policiais, com marcadores de pressão e missões mais voltadas para a trama do jogo. São esses pontos de reputação que liberam mais carros para serem comprados e equipamentos para melhorá-los.

As perseguições policiais são um dos chamarizes da noite, mas não funcionam muito bem. Os policiais têm poucos recursos e uma inteligência artificial muito ruim, que em determinados momentos precisa "roubar" para te acompanhar. Quando o nível de pressão aumenta e reforços chegam, a disputa fica mais acirrada, mas o jogo falha em fazer o jogador entender como escapar ou vencer.

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Na oficina é possível melhorar o seu carango em todas as frentes: "tunar" o motor, colocar um turbo, alterar a suspensão, adicionar o clássico nitro e até instalar alguns acessórios extras que ajudam contra a polícia. De acordo com as escolhas, o carro vai ficando mais propício a algum tipo de atividade: estrada, pista, off-road e drift. Como existem diversas missões para cada uma delas, o jogador vai acabar com vários carros, cada um focado em uma função.

A medida que o seu carro vai ganhando melhorias, ele vai subindo de pontuação. O sistema lembra bastante uma tendência nos jogos de ação mais recentes, os tais "Looter Shooters". A pontuação dos carros fica como um "Gear Score" (fãs de Destiny já conhecem bem) que limita suas ações no mapa. Certas missões só podem ser feitas ao alcançar essas pontuações, o que inevitavelmente obriga a fazer missões secundárias em busca de dinheiro e reputação. Eu pessoalmente acho o sistema cansativo e pouco inspirado, mas há quem goste.

Conteúdo de sobra

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Se sua preocupação é em relação ao conteúdo, pode jogar sem medo, esse é o ponto alto do Need for Speed Heat. O mapa está repleto de atividades e colecionáveis para procurar, o que vai aumentar bastante a vida útil do jogo, especialmente se você for um fanático por conquistas e troféus.

Há outdoors da polícia para serem quebrados, grafites para serem encontrados e transformados em adesivos para o seu carro, radares de velocidade para você estourar os limites, rampas para saltar e muito mais. Cada um desses desafios rende não só pontos de reputação e dinheiro, mas também carros exclusivos e que avançam e muito a sua progressão pela campanha.

Por falar em carros, são 128 deles no jogo até o momento. Com exceção da Toyota, que agora só fornece grande parte dos seus carros para a franquia Gran Turismo, todas as principais marcas estão presentes. Não são os 700 carros do imbatível Forza, mas é uma variedade boa e que vai render muitas horas de jogo para serem completados.

No quesito customização o conteúdo também é vasto, mas depende do carro escolhido. Existe um nível de customização de um a dez para cada um deles. Dependendo desse nível, você poderá trocar desde os detalhes da lataria até customizar coisas bizarras como cor da fumaça dos pneus ou o barulho do escapamento. Eu acabei gastando tantas horas customizando meus carros quanto correndo pelas pistas de Palm City.

Ainda existem outros desafios que vão tomar o seu tempo e recompensam bem. Desafios diários feitos pela EA, de outros pilotos e vários outros eventos que vão sendo desbloqueados no decorrer da campanha.

Online descartável

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Infelizmente o modo online de Need for Speed Heat é totalmente descartável no momento. O primeiro problema está ligado ao código do próprio modo, o chamado "netcode". Espere por lags insanos em várias partidas, o que inviabiliza a jogatina. Se isso não fosse suficiente, ainda rolam diversas desconexões no meio das corridas, que acabam de enterrar qualquer possibilidade de diversão.

Resumo

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"Need for Speed: Heat" é um arcade divertido mas que ainda comete muitos deslizes para ser considerado um grande marco para a franquia. Sua história descartável, os problemas com o modo online e o sistema de progressão, que te obriga a repetir tarefas exaustivamente, minam o que poderia ser um grande jogo.

De todo modo, é um passo a frente para o que vinha sendo entregue pela série e abre um novo leque de oportunidades para o futuro, o que já é mais do que muita gente esperava para uma nova fase de Need for Speed.

Lançamento: 08/11/2019
Plataforma: PC, PS4, Xbox One
Preço sugerido: R$ 239,00
Classificação indicativa: 12 anos (Violência, Linguagem imprópria)
Desenvolvimento: Ghost Games
Publicação: Electronic Arts

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