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Por que "Persona 5" merece ser o Jogo do Ano?

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Imagem: Reprodução

Rodrigo Lara

Do Gamehall

04/12/2017 04h00

"Persona 5" é aquele tipo de game que se mostra especial em poucos minutos de jogatina. Ainda assim, confesso que fiquei surpreso em vê-lo concorrendo ao prêmio de Jogo do Ano no The Game Awards, o Oscar dos Videogames.

A surpresa não se deu pela qualidade em si do game - sobre o que falarei logo adiante -, mas sim por ser um RPG japonês com combates por turno, um estilo cada vez mais raro entre as grandes produções do gênero. Basta ver o rumo que "Final Fantasy", por exemplo, tomou, com uma jogabilidade cada vez mais voltada para a ação e a aventura.

Ao ser fiel às suas origens, o game deixou completamente de lado qualquer tentativa de agradar a gregos e troianos e isso parece ser a antítese do que um concorrente a Jogo do Ano busca ser - basta ver que os concorrentes do RPG são games mais "convencionais", ainda que excelentes. Esse ar "exótico" de "Persona 5" não apenas acabou agradando o público - foram quase 2 milhões de cópias vendidas entre versões para PS3 e PS4 -, mas o coloca como o mais diferente na disputa do prêmio.

E, como sabemos bem, variedade é algo muito bem-vinda na indústria de games.

Lindo de ver e ouvir

Como eu disse aqui em cima, "Persona 5" cativa com poucos minutos de jogo. E boa parte da "culpa" por isso acontecer é da direção de arte do jogo. Cores fortes e um visual cartunizado dá um ar estiloso até mesmo aos menus do game. E isso vale para qualquer coisa que você fizer no jogo, o que mostra um esmero tremendo da parte da Atlus.

CONFIRA A VIDEOANÁLISE DE "PERSONA 5"

"Persona 5" se passa em Tóquio e é legal ver que, mesmo indo numa direção completamente oposta à dos gráficos fotorrealistas, consegue retratar bem certas regiões da cidade.

Mais do que o visual, porém, há outro aspecto que certamente irá cativar quem decidir se aventurar pelo game: a trilha sonora composta por Shoji Meguro. Além de casar perfeitamente com praticamente todos os momentos do jogo, é bem possível que você vá querer ouví-la enquanto dirige, pratica exercícios ou faz qualquer outra atividade.

E, por fim, temos o jogo em si. E aí, o que é bom de ver e ouvir, fica fantástico ao jogar.

Oscar dos games

Principal premiação de games do ano, o The Game Awards 2017 acontecerá no dia 7 de dezembro, em Los Angeles (EUA). Você pode acompanhar o "Oscar dos games" na transmissão ao vivo do UOL Jogos, a partir das 23h, com comentários em português.

UOL Jogos é um dos sites que escolhem os vencedores dos prêmios do The Game Awards, inclusive o cobiçado troféu de Jogo do Ano. Além de "Persona 5", concorrem ao prêmio os jogos:

O Game Awards também é palco para a divulgação de novos trailers de jogos muito aguardados e anúncios de games inéditos.

Centenas de horas de diversão

Aqui vale um aviso: "Persona 5" - assim como os demais concorrentes a jogo do ano - demanda um bom investimento de tempo. A primeira jogada provavelmente vai demandar umas 100 horas para ser concluída e, mesmo assim, é impossível aproveitar tudo que o jogo tem a oferecer. Quem quiser elevar ao máximo o laço com os amigos e checar todas as possibilidades de relacionamento terá que terminar o jogo duas vezes ou mais.

Persona 5 - Reprodução - Reprodução
Um simples ataque em batalha acaba sendo um deleite visual graças à direção de arte extremamente estilosa do game
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Não que o jogador precise, necessariamente, ficar apegado a isso: é possível chegar ao fim jogando de forma relativamente superficial, mas isso acaba sendo um certo desperdício e abre a possibilidade de se perder passagens realmente interessantes da história.

Por falar em história, ela aborda questões como abusos e busca por poder de maneira bastante direta. É uma narrativa adulta, com passagens que despertarão raiva no jogador - sim, Kamoshida, estou falando de você -, e a presença de personagens carismáticos.

O game, em si, basicamente se resume em administrar o tempo do personagem principal entre atividades escolares, minigames, exploração de dungeons e desenvolvimento de relacionamentos com seus companheiros.

As dungeons em si são longas e demandarão diversos dias para serem exploradas. Nelas, os jogadores encontram inimigos e, como costume da série, as batalhas fazem uso das entidades chamadas Persona, usadas pelos personagens para ataques mágicos. Há centenas delas disponíveis, sendo que elas podem ser obtidas convencendo inimigos a se juntar ao seu grupo, por meio de invocações na Velvet Room ou, ainda, fundindo dois ou mais Persona que estiverem em sua posse. É um metajogo bastante divertido e que, para variar, é mais uma garantia de diversas horas gastas.

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Ao longo da jornada de "Persona 5", o jogador encontrará personagens que ele irá amar - e outros que despertarão o mais puro ódio
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Um improvável Jogo do Ano

Mesmo que a competição contra games do calibre de "The Legend of Zelda: Breath of The Wild" e "Mario Odyssey" seja um tanto desfavorável para "Persona 5", só o fato de ele estar ao lado dessas superproduções já pode ser considerada uma vitória.

Por outro lado, a ousadia de seguir uma fórmula clássica que cada vez mais cai em desuso e fazer isso com carisma e maestria é o principal diferencial do game. Se isso será o suficiente para ele ser premiado, só saberemos na cerimônia do dia 7 de dezembro. Independentemente do resultado, é bastante provável que muitos daqueles que passaram centenas de horas explorando o seu fantástico mundo já considerem que, ao menos, ele seja o vencedor moral nessa difícil disputa.