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"League of Legends" e muito álcool embalam festa gamer em São Paulo

Balada gamer traz público dos eSports para diversão acima dos 18 anos - Reprodução/Party of Legends
Balada gamer traz público dos eSports para diversão acima dos 18 anos Imagem: Reprodução/Party of Legends

Barbara Gutierrez

Do UOL, em São Paulo

07/11/2016 20h22

O público grita o nome dos seus pro players favoritos e lota o Teatro Mars, em São Paulo. Poderia ser mais um campeonato de “League of Legends”, mas ninguém está jogando e as tequileiras suspensas por cordas certamente não teriam sido aprovadas pela Riot.

Na verdade esta é a Party of Legends, uma balada em São Paulo com ingressos vendidos ao público por preços entre R$ 60 e R$ 90 cujo open bar distribuiu bebidas a rodo para centenas de jovens - incluindo jogadores profissionais - enquanto rolava a grande final do Mundial de “LoL”, que aconteceu no final de outubro.

Ali o “League of Legends” compete com o álcool e a música alta pela atenção dos presentes. E olha que não são poucos: mais de cinco mil pessoas já passaram pela festa temática, que está na 16ª edição e não deixa nada a perder para as comemorações malucas de jogadores de futebol ou estrelas globais.

Era no fumódromo - sempre lotado - onde mais se falava de “LoL”. Passando por conversas vazias e beijos de língua entre desconhecidos, ouvi uma discussão sobre a melhor build para a Poppy e ainda presenciei o primeiro encontro entre amigos virtuais que se conheceram no “Lolzinho”. Quando um se deu conta de quem era o outro, o que aconteceu após berrarem seus nicks de invocadores, já pareciam velhos conhecidos.

 A pista de dança estava mais lotada do que o servidor da Riot Games em dia de feriado - Reprodução/Party of Legends - Reprodução/Party of Legends
A pista de dança estava mais lotada do que o servidor da Riot Games em dia de feriado
Imagem: Reprodução/Party of Legends

Não é sempre que o público geek tem acesso a este tipo de diversão. Diabos, mesmo com um círculo social relativamente nerd, nem eu sinto que posso falar livremente sobre meus jogos favoritos quando estou em uma balada. Estar em um ambiente que não apenas permite, mas incentiva essa interação, significa muito para os fãs de games.

Entre jogadores bêbados, sub-celebridades seminuas e um Pikachu com uniforme da paiN Gaming pulando no palco, honestamente o que mais me chamou a atenção foi o comportamento alucinado de alguns para tentar chamar a atenção dos famosos.

Cutucões, urros e empurrões para chegar a personalidades como Felipe “brtt” Gonçalves ou Felipe “YoDa” Noronha - pro players do CBLoL - eram constantes. Depois da festa, ainda conversei com um amigo profissional do “Counter-Strike” que disse como foi impossível curtir o momento: “Cheio demais, ninguém me deixava fazer nada e queriam tirar foto sempre.”

 O jogador brtt estava em um camarote, melhor opção para os pro players curtirem a festa com mais tranquilidade - Reprodução/Pàrty of Legends - Reprodução/Pàrty of Legends
O jogador brtt estava em um camarote dentro do camarote - isso sim que é saber lidar com o público
Imagem: Reprodução/Pàrty of Legends

O camarote na Party of Legends nunca foi tão necessário: os espaços reservados para jogadores os protegem do assédio dos fãs, traçando um paralelo muito semelhante às grandes festas realizadas por estrelas da mídia ou do esporte tradicional, que são sinal da grana e status de cada famoso.

Mesmo com todo o rebuliço, a atenção não é de todo ruim. Alguns até gostam, como Rafael "Rakin" Knittel, da paiN Gaming. Ele me disse sorridente: “Na real eu adoro dessas paradas. É divertido, a cada cinco passos é uma foto”, e saiu andando com uma moça bonita ao lado. Afinal de contas, não é só de treino e concentração que um atleta vive, não é?

De uma coisa eu sei: se ainda há dúvidas de que o eSport veio para ficar ou que seus fãs não são apaixonados o bastante, festas como essa respondem bem a questão. Enquanto isso, fico aqui de camarote observando tudo.