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Jogadores e técnicos dizem o que é preciso para virar pro-player de "LoL"

Pedro Henrique Lutti Lippe

Do UOL, em São Paulo

11/07/2014 18h54

Das mais de 67 milhões de pessoas que jogam "League of Legends" todos os meses pelo mundo, poucas são as que podem ser chamadas de 'pro-players' e ganhar até R$ 100 mil - o prêmio concedido ao grande campeão brasileiro.

Em campeonatos nacionais ou internacionais, os tais jogadores profissionais são cultuados como os melhores do mundo. Suas jogadas são estudadas e discutidas em redes sociais, e suas estratégias copiadas por fãs. E muitos desses fãs, claro, aspiram um dia ganhar a vida com seu passatempo favorito, exatamente como uma criança que diz querer ser o próximo Neymar quando crescer.

Se no futebol há peneiras, olheiros e empresários devidamente estabelecidos, o caminho para tornar-se um jogador profissional de "League of Legends" ainda não é assim tão claro - especialmente no Brasil, onde o eSport ainda está em sua infância.

Por isso UOL Jogos resolveu perguntar diretamente para quem sabe do assunto - os managers (ou técnicos) e os profissionais: afinal, o que é preciso fazer para deixar de ser apenas mais um na multidão e tornar-se um pro-player?

Antes de ter qualquer pretensão de participar de campeonatos oficiais, um candidato a pro-player precisa treinar muito em partidas da fila ranqueada. O próprio "LoL" separa os jogadores em diferentes ligas dependendo do nível de habilidade e consistência de performances, e a meta de qualquer fã que mira o alto nível é ficar entre as ligas Diamante e Desafiante.

CATEGORIA DE BASE

  • Pedro Henrique Lutti Lippe/UOL

    No Brasil ainda não existe uma categoria de base como no futebol, na qual jogadores mais novos que demonstram talento podem treinar para se profissionalizarem. Mas, para Cleber Fonseca, isso deve mudar. "Daqui a pouco tempo, acredito, todas as principais equipes do país vão ter times de base, para que a escolha dos próximos jogadores seja mais fácil", diz.

No topo, jogando contra os melhores, o talento individual dos candidatos viáveis pode chamar a atenção dos pro-players. "Os melhores jogadores sempre estão nas filas ranqueadas, então é possível que alguém se destaque tanto que atraia os olhos deles", explica Cleber 'fuzi' Fonseca, manager do CNB e-Sports Club, um dos quatro maiores times de "LoL" do Brasil.

"Os próprios pro-players são nossos olheiros. Porque são eles que sabem dizer de verdade quem é bom e quem não é. Hoje em dia, que já temos alguns times estabelecidos, são eles mesmos que ditam que entra para o cenário profissional", afirma.

Um dos maiores problemas da comunidade de "League of Legends", conforme apontados por seus próprios jogadores, é a existência de usuários 'tóxicos'. O termo descreve gamers que se comportam negativamente durante partidas, seja abusando verbalmente de companheiros de time ou rivais ou participando da ação de uma maneira contraprodutiva - entregando um ou outro jogo propositalmente, por exemplo.

Os que, de alguma maneira, conseguirem chegar às ligas mais avançadas com tal comportamento, dificilmente terão alguma chance de entrar para a lista de profissionais. "Nas filas ranqueadas, entramos em contato com todos os tipos de jogadores", diz Martin 'Espeon' Gonçalves, um dos mais populares pro-players brasileiros. "Dificilmente recomendaríamos um jogador 'tóxico' para entrar em algum time".

MAIOR DE IDADE?

  • Legends BR

    A Riot Games só considera como pro-players hábeis a disputar competições oficiais maiores de 17 anos. 'Espeon', da KaBuM!, por exemplo, tem 22. Em campeonatos organizados por outras empresas, as idades mínimas variam - mas a regra de dedo é: profissional, só maior de idade. "Preferimos maiores de 18 anos porque isso torna tudo mais fácil. Assim, o time tem mais liberdade com o jogador", diz Cleber Fonseca, que cuida da gaming house da CNB, onde os cinco jogadores do time moram em São Paulo.

"Levando em conta a habilidade, existem muitos jogadores brasileiros que poderiam se tornar pro-players. Mas eles pecam em alguns aspectos. Muitas vezes falta o costume de depender de estratégias para realizar as jogadas, e também um pouco de malícia", diz Fonseca.

Para o manager, experiência de trabalho em equipe é um dos fatores mais importantes que separam jogadores comuns dos profissionais. Sim: é importante treinar a habilidade individual para que o jogador não perca com facilidade em conflitos de um contra um. Mas "LoL" é um jogo de equipe, e é comum que até mesmo candidatos a pro-player em ligas avançadas tenham dificuldade em cooperar com seus colegas de time por entrarem nas filas ranqueadas sempre sozinhos.

"Os meus jogadores costumam me dizer que existem caras bons por aí, mas que perto deles, que estão no competitivo há dois anos, eles pecam na falta de experiência, de visão de jogo", prossegue Fonseca. "Então, acho importante juntar quatro amigos e montar um time. Isso ajuda a aprender diferentes estratégias e a perceber que até mesmo os menores detalhes em cada partida contam".

Não é só a Riot Games que organiza campeonatos de "League of Legends" no Brasil. Estes outros torneios podem não ter premiações tão grandes, e nem mesmo serem presenciais - mas participar deles é muito importante para quem quer ganhar experiência e dar o passo final rumo à profissionalização.

"Ganhando ou perdendo, sendo grande ou pequeno o campeonato, o importante é participar", garante Bruno Fukuda, manager da KaBuM! e-Sports. "Já existiram casos de jogadores profissionais que saíram de eventos assim, após se destacarem em torneios com times menores. São nossos players que indicam a direção, e eles estão sempre assistindo às competições".

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