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E3: "Call of Duty: Advanced Warfare" tenta inovar, mas não foge de clichês

Pablo Raphael

Do UOL, em Los Angeles

12/06/2014 12h33

“Call of Duty” é uma das raras franquias de videogame que dispensa apresentações. A série de tiro da Activision é sinônimo de vendas bilionárias, multiplayer viciante e campanhas cinematográficas. Também é criticada duramente ano após ano, desde o sucesso de “Modern Warfare” até o recente “Ghosts”, que, mesmo vendendo bem, é considerado um fiasco para os padrões da série.

Por tudo isso, a produtora Sledgehammer, que trabalha pela segunda vez em um game da série (o primeiro foi “Modern Warfare 3”, de 2011, onde colaborou com o time da Infinity Ward), tem uma tarefa colossal nas mãos: resgatar o brilho de “Call of Duty”, principalmente na campanha solo, que já foi referência no gênero e hoje não é muito mais do que um amontoado de clichês e galerias de tiro.

Na E3 2014, UOL Jogos viu um pouco de “Advanced Warfare”, próximo jogo da série, . Duas missões da campanha solo foram demonstradas pela Sledgehammer e deram uma prévia das novidades planejadas para o game. A ambientação meio futurista, a interação com o cenário e, principalmente, os exoesqueletos estão entre os destaques.

O que não muda em “Advanced Warfare”, ao menos no que foi exibido na E3, é a diferença gritante entre as cenas de animação e o que você, como jogador, realmente faz. Quase sempre, você aponta e atira.

Mas agora também salta bem alto e arranca portas de carros para usar como cobertura, tudo cortesia do poder do exoesqueleto. Os inimigos incluem os soldados de sempre, pesadas máquinas de guerra e também drones. Enxames deles, dignos de jogos como “Halo”, “Killzone” ou “StarCraft”, formam nuvens assassinas que literalmente atropelam tudo que vier pela frente.

E, após a estréia modesta de “Ghosts" na nova geração de consoles, “Advanced Warfare” capricha nos aspectos técnicos, mostrando gráficos de ponta, com texturas excepcionais e rostos recriados com todas as expressões possíveis. Técnica perfeita para a introdução de Kevin Spacey, que praticamente reprisa seu consagrado papel na série “House of Cards”.

Tropa de elite do futuro

Em “Advanced Warfare” Spacey é Jonathan Irons, chefão de uma milícia paramilitar, a Atlas, que está envolvida em uma pesada rivalidade com a empresa concorrente KVA. Nessa briga, o jogador controla Mitchell, um dos agentes da Atlas.

Mitchell é o único personagem que passará pelas mãos do jogador durante toda a campanha, que seguirá de forma bastante linear, sem flashbacks, promete a Sledgehammer. A produtora acredita que esta é a maneira mais eficiente de contar uma história envolvente em um “Call of Duty”.

A trama de “Advanced Warfare” vai acompanhar eventos nos últimos 10 anos da vida de Mitchell, desde quando era um fuzileiro recruta até os dias como guerreiro veterano da Atlas no fim do jogo.    Se dedicar ao desenvolvimento de um único personagem é uma boa estratégia para dar uma “cara" ao jogo, ainda mais em um “Call of Duty” - a própria Sledgehammer diz que as campanhas da série são divertidas de jogar mas feitas de enredos confusos.

Mesmo com anseios de mudança, “Advanced Warfare” preserva alguns padrões da série: Mitchell está sempre seguindo alguém, sempre é conduzido para o próximo objetivo por um colega de esquadrão, geralmente o colega Gideon (interpretado por Gideon Emery, que deu voz ao britânico Fergus Reid em “Wolfenstein: The New Order”).

VEJA 9 MINUTOS DE "CALL OF DUTY" NA E3 2014

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Arsenal avançado

As armas mostradas em “Advanced Warfare” são variações futuristas do arsenal disponível para soldados de elite atualmente - ou seja, equipamentos não muito diferentes dos utilizados em “Ghosts" e “Black Ops II”, apenas com um tempero de “futuro”.

É o caso do rifle que produz a própria munição com uma mini-impressora 3D. Na prática, é uma arma que se recarrega sozinha com o passar do tempo. Os displays das armas deixam o jogo parecido com “Halo”, mas ao menos os disparos parecem armas de fogo atuais - embora entre as categorias de armamento apareça o nome “armas de energia dirigida”, sem especificar se vamos usar pistolas laser ou se é algum suporte via satélite para momentos específicos.

PARA TREMER OS OSSOS

Uma das melhorias técnicas de “Advanced Warfare” não é nada visível: o som das armas está muito melhor do que em “Ghosts”. Obra do diretor de áudio Jon Deca, o estouro dos disparos soa como se viesse de dentro da cabeça do atirador - ou seja, do jogador. “Quando você atira, seu corpo se torna um instrumento, o som reverbera pelos seus ossos”, disse o diretor. “E só agora temos consoles com memória para recriar essa experiência”.

Algo que já se sabe é a existência de granadas de propósitos múltiplos, que podem ter a função trocada enquanto o objeto está voando em direção ao alvo. A mesma granada pode ser uma carga de Semtex, um pulso eletromagnético, um explosivo de fragmentação ou de contato, por exemplo.

Por fim, o exoesqueleto, responsável pelas principais mudanças no ritmo do jogo, pode se revelar muito mais elaborado - e aí sim, trazer inovações consideráveis para a série, se não em “Adavanced Warfare”, em jogos futuros de “Call of Duty”.

Explico: o exoesqueleto possui uma árvore de habilidades própria, que são desbloqueadas conforme você avança no jogo. É um sistema similar ao de jogos de RPG, ainda que bem mais sutil. Talvez a melhor comparação seja com a armadura de “Crysis”.

Porém, em “Advanced Warfare” você não vai conseguir experimentar todas as habilidades em uma só campanha. Ou seja, será possível jogar mais de uma vez a campanha de um “Call of Duty” sem repetir exatamente o mesmo jogo.

Nada revolucionário

Primeiro “Call of Duty” focado na nova geração de consoles, “Advanced Warfare” precisa mostrar ser mais do que os últimos episódios da série, tanto no aspecto visual quanto na narrativa e em  inovações para a fórmula já desgastada da série.

Por enquanto, as novidades são poucas e estão mais para incrementos do que para uma revolução na manjada receita de “Call of Duty”.

Será que isso será o bastante para recuperar o brilho da série? Saberemos com certeza em 4 de novembro, quando “Advanced Warfare” chegar para PC, PlayStation 4, Xbox One (e também para PS3 e Xbox 360, em versões mais modestas).