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The Last of Us

Rodrigo Guerra

Do UOL, em São Paulo

20/06/2013 17h41

“The Last of Us” é um daqueles jogos que você se lembrará por muitos e muitos anos. Ele traz uma história forte, personagens marcantes e uma experiência de jogo muito acima do que era esperado do pessoal da Naughty Dog.

Você vai se envolver com a história desses dois personagens. Vai adorar explorar esse mundo e, o melhor de tudo, vibrar com o final do game que, mesmo sendo previsível, ainda é um dos mais bem contados dessa geração de videogames.

Se a história não bastasse, o game tem gráficos maravilhosos, que enchem os olhos. Cada cenário é tão detalhado que você começa a duvidar que o game está rodando de verdade no PlayStation 3 - e não no PS4.

Imperdível é a palavra que define “The Last of Us”. Você não se arrependerá de viver em meio ao caos com Joel e Ellie.

Introdução

“The Last of Us” é um jogo de sobrevivência onde ser esperto conta mais do que a força física. Você acompanha a jornada de Joel pelos EUA, um sobrevivente veterano da pandemia que destruiu o país, e Ellie, uma garotinha nascida na América devastada pela praga que infecta as pessoas e toma conta de seus corpos.

O jogo é produzido pelo mesmo estúdio de “Uncharted”, o que é garantia de uma experiência cinematográfica, mas engana-se quem pensa que os títulos compartilham das mesmas mecânicas.

Com grandes personagens, uma história tocante e um sistema de jogo divertido e empolgante, “The Last of Us” é um excelente jogo, que você não se arrependerá de jogar.

Pontos Positivos

História envolvente

A humanidade foi reduzida drasticamente por uma praga misteriosa. Agora, sobraram poucas pessoas neste mundo em que roubar e matar não são mais considerados crimes, mas sim tarefas triviais para se manter vivo.

É difícil falar da história de “The Last of Us” sem citar momentos importantes, mas dá para colocar um norte e dizer que Joel é um sobrevivente e que viu o mundo antes da epidemia fúngica que assola o planeta há 20 anos. Ele precisa levar a jovem Ellie para um lugar seguro, mas para isso ele terá que cruzar metade dos EUA.

Falar mais do que isso é estragar as surpresas e emoções que estão guardadas no game – que são muitas.

Acompanhamos a história desses dois andarilhos, as pessoas que eles encontram, os monstros que eles matam... No início, Joel tenta evitar ficar próximo de sua ‘encomenda’, evita bater papo com Ellie e reflete todas as piadas dela com um comentário seco e meio recalcado. Mas conforme o jogo avança, os dois vão se tornando mais próximos, mais amigos e dependentes um do outro.

Você vai se apegando ao jeito carrancudo de Joel e as molecagens de Ellie e logo se sente ‘em família’, como se eles estivessem sempre em sua vida, como se fossem pessoas reais. E é justamente isso que torna "The Last of Us" tão incrível e forte, obrigatório para os donos do PS3.

Gráficos incríveis

Um mundo sujo, destruído e tomado por musgo e mato. É assim que você enxerga o game nos primeiros minutos. Mas não dá para ficar embasbacado com a beleza dos escombros das cidades que você passa.

A cada casa revistada você vai entendendo a vida das pessoas que ali moravam. A identidade visual é notável e coerente. Você vai aprendendo a identificar um lugar abandonado de outro que ainda abriga refugiados. As estações de metrô, as bibliotecas e outros locais públicos são pontos de referência para você identificar onde e como as pessoas receberam a notícia da epidemia mundial.

Cada ruína de "The Last of Us" parece contar sua própria história, um registro silencioso dos últimos dias da civilização.

Mas não são apenas os objetos inanimados que transpiram beleza, pois os detalhes dos personagens também enchem os olhos. Joel ganha novas armas e elas vão se acomodando em seus ombros. Os movimentos dele e de Ellie são extremamente bem feitos, aumentando a sensação de que aquele futuro maldito existe de verdade e do jeito que está sendo mostrado no game.

Sobrevivendo na selva de pedra

Catar lixo e transformá-lo em algo útil é levado a sério aqui. Um pedacinho de trapo pode ser útil para fazer um coquetel molotov ou para fazer um kit de primeiros socorros. Essa ferramenta é utilizada com maestria, pois você precisa se planejar de antemão – afinal, sabe-se lá o quê está atrás de uma porta.

E pode ser realmente qualquer coisa, de um estalador cego e furioso ou o implacável atirador de uma milícia. Todas as pessoas no mundo de “The Last of Us” representam um perigo em potencial. O sistema de criação de itens é muito bacana e intuitivo. Você pode fazer de tudo, como bombas de pregos que explodem por aproximação, ou uma tábua com uma faca na ponta.

Esses itens são importantíssimos para manter-se vivo e deixam você entretido ao mesmo tempo em que pensa em estratégias para uma próxima onda de infectados.

Por falar em ondas de infectados, eles devem ser evitados ao máximo. Não pense em tentar matar um deles quando se está de bolsos vazios – você não conseguirá vencê-los. Diferente de “Uncharted”, aqui você precisa ser sutil, andar agachado e procurar atacar pelos flancos antes de ser detectado. Quando tudo isso dá errado, é hora de usar a mesma arma dos monstros: a brutalidade.

Brutal ao extremo

Joel não sobreviveu 20 anos nesse mundo apocalíptico sendo um cara bonzinho. Ele sabe lutar, sabe que precisa fazer de tudo para evitar ser comido vivo por um infectado. As cenas de combate são brutais e até desumanas.

Um tijolo na mão é o suficiente para acabar com a maluquice desse mundo, ao menos por um instante. Joel corre até seu alvo e esmaga o bloco na cabeça dele. Às vezes Joel é tão brutal que Ellie chega a reclamar dizendo “isso é realmente necessário?” – esse mundo não foi feito para garotinhas assustadas.

A violência faz parte do cotidiano das pessoas, que são capazes de fazer qualquer coisa para viver mais um dia. Qualquer coisa mesmo.

Multiplayer divertido

O modo multiplayer é bacana de verdade. Ele consegue pegar tudo o que vemos no modo de campanha sem tirar nem por. É possível ficar parado para ouvir passos de outras pessoas, tem que andar bem devagar para não chamar a atenção de todos os seus adversários.

São dois modos de jogo, mas ambos são variações do modo mata-mata entre times, onde você escolhe sua facção, jogando como Vaga-Lumes ou Caçadores. Um ponto interessante é que o multiplayer detalha um pouco mais quem são os grupos de "The Last of Us", pincelando de leve os eventos que cercam a campanha solo.

Não chega ser espetacular, mas, na minha opinião, vale a pena jogar para descontrair um pouco depois de uma sessão tensa com o modo single player.

Narrativa forte

Para os não familiarizados, “The Last of Us” é um jogo que se passa em um mundo pós-apocalíptico, em que o fungo Cordyceps passou a infectar e destruir as capacidades mentais de humanos. O game é centrado em dois personagens: o violento contrabandista Joel e a adolescente Ellie. Circunstâncias levam a dupla a atravessar os Estados Unidos - agora dominado por militares, grupos de sobreviventes militares e infectados - para encontrar um grupo de resistência conhecido como os Vaga-lumes.

Mesmo um ano depois, a narrativa ainda se mantém forte e impactante, mostrando a evolução de Joel, Ellie e seu relacionamento enquanto atravessam o país. A caracterização de ambos os personagens é excelente e os elementos e mecânicas combinam com o estilo de vida sangrento de Joel.

Embora o foco seja na dupla, a Naughty Dog também foi capaz de dar mais vida ao mundo por meio de outros personagens - estáveis como Tommy e sua comunidade ou isolados e desconfiados como Bill e sua cidade-fantasma -, além de bilhetes e notas espalhadas pelas áreas, que contam como outros sobreviventes tentaram lidar com a epidemia.

A narrativa é marcada por um dos melhores finais em games, que dá ao jogador um fim claro à história, mas ainda deixando algumas coisas suficientemente em aberto para que cada um chegue às suas próprias conclusões.

Gráficos (ainda) melhores

A Naughty Dog foi capaz de tirar leite com pedra com “The Last of Us”, criando um dos jogos com gráficos mais impressionantes já vistos em uma máquina com hardware ultrapassado, no caso do PS3.

Agora, com o PlayStation 4, o estúdio conseguiu deixar o que já era impressionante ainda mais bonito. Os ambientes são mais bem iluminados e bem renderizados, a modelagem de personagens mais detalhada, o número maior de partículas no ar, uma série de pequenos elementos mais notáveis - como o sangue escorrendo pelo braço de Joel ao ser atingido no braço. Tudo isso é graças ao poder de processamento superior do console.

O novo hardware também permite uma maior fidelidade visual, com uma taxa de 60 quadros por segundo. Caso não esteja acostumado, porém, é possível reduzir a taxa de quadros para 30 fps, como era no caso da versão original de “The Last of Us”.

Combate divertido e tenso

O combate em “The Last of Us Remasterizado” é virtualmente idêntico ao da versão para o PS3, com toda a adrenalina e frustração que ele possa vir a causar.

Os recursos de batalha tendem a ser escassos (especialmente em dificuldades mais desafiadoras), e cenários com inimigos são definidos por quem você está enfrentando no momento: contra humanos, as áreas são, em geral, mais abertas, e a melhor maneira de derrotar um grupo grande é isolá-los e neutralizá-los em silêncio; Já infectados podem ser fonte de tiroteios frenéticos, ou ação furtiva no caso dos Estaladores, que só percebem a movimentação por som e podem matar Joel ou Ellie com um avanço.

Durante as lutas, é importante pensar rápido e utilizar diferentes elementos de seu arsenal a seu favor. Por muitas vezes balas acabam sendo escassas, e o efeito das armas e sua mira problemática podem causar frustração em dificuldades mais avançadas.

Há, ao menos, uma série de melhorias que Joel pode fazer às armas e sua própria performance, por meio de peças ou pílulas encontradas no mapa, além de livros capazes de tornar equipamentos mais eficientes. Enquanto algumas alterações não se mostrem particularmente efetivas durante o combate, a chance de tornar facas e armas de corpo-a-corpo mais resistentes podem deixar situações difíceis um pouco mais tranquilas.

Conteúdo extra

A versão de PS4 traz todo o conteúdo adicional lançado até agora para o jogo no PlayStation 3. O maior destaque destes extras é a expansão “Left Behind”, que explora mais sobre o passado de Ellie pouco antes dos eventos do jogo principal.

O DLC se destaca por recontextualizar as mecânicas de combate enquanto Ellie e sua amiga Riley exploram um shopping center abandonado, já que a garota só se torna mais proficiente em combate enquanto viaja com Joel.

O game também traz a dificuldade Punitivo, que retira os elementos da interface do usuário - como saúde e balas restantes - da tela, e deixa os inimigos ainda mais perigosos, em especial os Estaladores, que são capazes de detectar até a movimentação sutil dos personagens, caso estejam próximos demais.

O multiplayer também retorna, com todos os mapas lançados como conteúdo extras e também os itens cosméticos como bonés e máscaras especiais - estes, assim como armas especializadas, não estão inclusos no game, e devem ser comprados pela PS Store.

Pontos Negativos

Audição seletiva dos inimigos

Os sistemas de combate e furtividade envolvem sons e a forma como você chama atenção dos inimigos. Você deve andar agachado e bem lentamente para não atrair atenção dos infectados ou dos soldados.

O problema é que Ellie e outros aliados que Joel encontra no caminho não respeitam a regra do silêncio e falam o tempo todo, fazem interjeições e os inimigos nem ligam para isso. Mas basta Joel andar um pouco mais rápido para um estalador correr para cima e desesperadamente. Isso quebra um pouco a imersão, mas nada que comprometa demais a experiência.

Praticamente o mesmo jogo do PS3

O maior problema em recomendar de “The Last of Us Remasterizado” é ser, quase exatamente, o mesmo jogo lançado no ano passado, sendo lançado por R$ 150 em uma plataforma extremamente cara no Brasil. Não há novidades extras na campanha, cuja jogabilidade é idêntica ao original, ou novas armas ou conteúdo a se descobrir - ao menos nada muito relevante que tenha encontrado durante minha experiência.

O grande e verdadeiro exclusivo da nova versão é o Modo Foto, que pode ser ativado por meio da tela de pausa. A partir daí, jogadores podem escolher o melhor ângulo e utilizar diferentes ferramentas para criar a imagem que quiser e compartilhar com amigos. Uma boa adição, certamente, mas nada que justifique comprar o game imediatamente - ou mesmo novamente.

No fim, por bem ou por mal “The Last of Us Remasterizado” é o mesmo jogo lançado em 2013, com um belo retoque e alguns extras que, em sua maioria, podem ser encontrados em outro console por um preço menor. Esta nova versão pode valer a pena, desde que saiba exatamente o que você encontrar ao iniciar o jogo.

Nota: 10 (Imperdível)

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