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Splinter Cell: Conviction

23/04/2010 16h45

"Splinter Cell: Conviction" tem uma história estranha. Foi anunciado em 2007 e sofreu um monte de atrasos até finalmente chegar às lojas, em primeiro momento apenas para Xbox 360 e, em seguida, para PC. Só que o jogo, quinto capítulo da famosa série do selo Tom Clancy, foi radicalmente modificado durante sua produção e o produto final é bem diferente do anunciado originalmente, em uma mudança de rumo brusca que afetou de forma negativa a experiência.

O que parecia ser a evolução do game anterior, "Double Agent", em que o agente Sam Fisher deveria interagir com muito mais variáveis, como objetos do ambiente para lutar e se esconder entre multidões, se tornou uma experiência voltada para os usuários casuais que simplifica todas as características da série. A história também segue tal filosofia e, de tão curta, pode ser finalizada em uma tarde.

Quase Jack Bauer

Sam usa o cenário como arma
Para todos os efeitos, o que parece é que a Ubisoft tentou realizar um jogo inspirado na série "24 Horas".

Basta fazer um teste e comparar os heróis e situações. Fisher e Jack Bauer são durões, não hesitam em matar, explodir coisas e interrogar bandidos com extrema brutalidade. Ambos se preocupam em proteger uma filha, tem ajuda de uma analista de informações para explicar simplesmente tudo o que acontece e ainda devem desmantelar conspirações de estado praticamente sozinhos.

Até mesmo Michael Ironside, ator de filmes como "O Vingador do Futuro" e "Highlander 2" que tradicionalmente dubla Fisher, parece ter alterado levemente seu modo de falar para simular a fala mais cadenciada de Kiefer Sutherland, o que fica mais evidente durante alguns eventos em que o personagem resmunga. Jack Bauer é legal, mas não é bem o que se espera de um "Splinter Cell".

Assassino das sombras

Sam Fisher invade território inimigo
A mecânica de furtividade ainda está presente e continua a manter o charme da franquia. É divertido andar por cantos escuros (que deixam a tela em preto e branco para indicar sua invisibilidade) e pensar em várias abordagens diferentes para derrubar oponentes no susto. Há objetos pendurados que podem ser derrubados para nocautear inimigos e, em conjunto com granadas, por exemplo, podem proporcionar muitos bons momentos de improviso. O jogo também premia os ataques furtivos com um esquema de execução interessante, em que só é preciso marcar alguns alvos para derrubá-los com o toque de um botão, o que é ótimo para enfrentar grandes ondas de bandidos e causa um efeito bacana. Entre seus movimentos e finalizações, pontos serão marcados em uma espécie de sistema de Conquistas interno para adquirir upgrades para armas.

A dificuldade dos "Splinter Cell" nunca foi das mais brandas e a vontade enlouquecida de abrir a franquia para os jogadores casuais acabou por simplificar ou banalizar muitas convenções da série. Nem todas as mudanças são ruins pois acabam tornando a ação mais rápida, mas fãs conservadores da série terão do que reclamar. O característico óculos de visão noturna, por exemplo, entra em cena tarde demais e só apresenta um modo de visão. Os interrogatórios não tem profundidade alguma e só variam de acordo com a posição do inimigo no cenário. Há ainda o desequilíbrio bizarro no arsenal do herói, que raramente precisa apelar para rifles ou escopetas; é possível perfeitamente passar a aventura inteira com uma pistolinha com munição infinita e algumas granadas, com mesma performance.

Multiplayer cooperativo

Modo multiplayer em ação
Como a campanha principal é curta, a Ubisoft tratou de inserir alguns modos multiplayer para tornar o pacote mais durável. A iniciativa foi boa e rendeu, entre algumas partidas competitivas, uma interessante opção cooperativa que é até mais divertida do que a aventura de Fisher; dois agentes controlados por jogadores via link, tela dividida ou internet devem cumprir uma missão que serve como prólogo da campanha. O trabalho de equipe é essencial já que nenhum dos dois pode morrer e ali o sistema de combate simplificado se encaixa de forma muito mais orgânica, especialmente no uso de execuções em conjunto.

Na apresentação, "Splinter Cell: Conviction" sente as drásticas mudanças durante a produção. O resultado final exibe gráficos pouco exuberantes e dá para arriscar dizer que, em alguns trechos, o já antigo "Double Agent" parece até mais bonito - a dispensável fase no Iraque tem texturas horríveis que até parecem saídas de um PlayStation 2. No entanto as animações são de ótima qualidade, com movimentações fluidas e reações bastante naturais, o que é essencial neste tipo de jogo. O esquema de inserir flashbacks e informações projetadas nos cenários também é interessante e dá um clima moderno ao game, com ótimo casamento com a trilha sonora.

Nota: 8 (Ótimo)

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