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Final Fantasy X

21/12/2001 14h20

Apesar da série praticamente receber um episódio novo por ano, o lançamento de Final Fantasy X foi um dos mais esperados jogos do PlayStation 2. E de certa forma, a Square realmente conseguiu trazer o que muita gente estava querendo: sérias mudanças na fórmula da franquia.

Imediatamente algumas coisas vão impressionar os fãs de longa data da série: a trilha sonora (que traz estilos mais modernos incomuns a série e remixes de músicas de episódios anteriores), o personagem principal (que é muito mais descontraído e menos complexado do que o esperado), batalhas baseadas em turnos com a possibilidade de trocar de personagem a qualquer momento, diálogos falados, muito mais linearidade e o fim do mapa mundi... Final Fantasy X é praticamente um novo começo. E apesar de muitos dos elementos anteriores parecerem assustadores para os puristas, o resultado é certamente agradável.

A história é simples: você controla Tidus, um esportista profissional de um mundo tecnológico que é arremessado por uma figura misteriosa para 1000 anos no futuro - onde tudo que ele conhece foi destruído. Junto com seus novos amigos ele deve descobrir mais sobre a terrível ameaça Sin, e descobrir mais sobre seu pai. Talvez o maior choque seja a narrativa em flashback: o jogo começa em um ponto avançado, e tudo que os protagonistas fazem é acompanhado pela narrativa de quem já sabe de toda a história. Isso apenas confirma a tendência da série, que cada vez se concentra mais na parte não-interativa do que no jogo em si - cabe a você decidir se isso é o que você esperava ou não.

Em função disso, o novo sistema de batalha é muito mais simples. Com a capacidade de trocar de personagens e poder planejar seus movimentos com calma, a estratégia é muito mais importante nesse game (e as batalhas são bem mais fáceis). Outro ponto importante é a extinção da Experiência. Agora seus personagens recebem AP nas batalhas, que servem para utilizar o novo Board System. Uma explicação simplificada: o AP serve para mover seus personagens por um tabuleiro de habilidade. Colocando jóias nesses pontos você lhes dá todo tipo de poder: resistência a elementos, novas magias, melhores atributos - cada personagem começa em um ponto diferente e precisa "destrancar" certas passagem com itens especiais para atingir novas áreas. O sistema não apenas é original, mas também permite a total personalização de seus personagens. As armas e roupas do jogo não são como antes, quando definiam atributos de ataque e defesa. Dessa vez elas apenas garantem habilidades especiais - mais uma tendência simplificadora.

A apresentação do jogo é um de seus pontos fortes. Numa tentativa de acabar com certas 'licenças poéticas' de RPG, como mapas fora de escala para viagem entre cidades, foi extinto o mapa mundi. A Square fez questão de manter um visual homogêneo, inclusive nas transições entre filmes e partes interativas. O resultado é um mundo magnificamente representado de maneira realista, mas ainda estilizado: ilhas paradisíacas trazem construções impressionantes, e o figurino esperado dos designs de Tetsuya Nomura. Final Fantasy X é certamente o mais bonito da série, senão um dos jogos mais lindos do PlayStation 2. E apesar da mudança no estilo da trilha sonora, a mudança nas músicas é bastante apropriada ilustrar os acontecimentos - apesar de ficar um pouco defasada na carga emocional que costumava trazer à série.

Os diálogos merecem uma citação especial. É simplesmente INACREDITÁVEL a quantidade de diálogo que a Square colocou nesse DVD. Praticamente qualquer fala dos protagonistas é falada, e apenas diálogo não-essencial (como conversas com as pessoas na rua) são escritas. Isso, somado ao capricho na animação dos bonecos (que algumas vezes peca pela falta de naturalidade característica da animação japonesa estilizada) cria uma imersão sem precedentes na série. O único problema disso é que alguns dos atores deixam a peteca cair muitas vezes, e alguns dos diálogos são típicos da estranheza dos diálogos japoneses de RPG, atrapalhando a fluidez da trama - mas isso acaba passando no decorrer das 40 horas do jogo.

Vale a pena notar: a estrutura do jogo é bem mais linear do que a série costumava ser. Para prosseguir o enredo, você só precisa fazer uma de três coisas na maior parte do tempo: seguir até a marca vermelha no mapa, derrotar um monstro ou resolver um quebra-cabeças. A presença desse mapa pode assustar os puristas, mas novamente esclarece a nova tendência do game.

Nota: 10 (Imperdível)

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