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Rússia abre investigação contra YouTube por 'abuso de posição dominante'

19/04/2021 18h15

Moscou, 19 Abr 2021 (AFP) - A Rússia anunciou nesta segunda-feira (19) a abertura de uma investigação contra o Google e sua plataforma de vídeos YouTube por "abuso de posição dominante", um novo confronto entre as autoridades russas e os gigantes do setor digital.

Em um comunicado, a Agência Federal Antitruste (FAS) disse que abriu esta investigação porque as regras para suspender ou excluir contas do YouTube são "opacas, não objetivas e imprevisíveis".

"Isso leva a bloqueios repentinos e exclusão de contas de usuários sem aviso ou motivos para tais ações", continuou o regulador.

A FAS acrescentou que tais medidas podem "prejudicar os interesses dos usuários e limitar a concorrência".

Segundo o regulador, a investigação também ocorre após o alerta de uma organização russa pouco conhecida, o Centro Regional de Tecnologias da Internet (Rotsit), que se apresenta como um grupo que defende "os interesses dos internautas" russos.

As autoridades russas têm multiplicado as críticas a várias redes sociais estrangeiras, como Twitter, Facebook e YouTube, mas também ao chinês TikTok, criticado por sua onipotência e moderação de conteúdos, principalmente políticos.

- Plataforma utilizada por Navalny -Moscou as acusaram especialmente de terem permitido a circulação de publicações de apoio ao opositor Alexei Navalny.

Na Rússia, onde existe maior liberdade de expressão na internet do que nos meios de comunicação tradicionais, plataformas como o YouTube são frequentemente utilizadas para divulgar mensagens contra o poder, por exemplo, as investigações realizadas por Navalny e sua equipe.

O porta-voz do opositor preso informou nesta segunda-feira que recebeu uma mensagem de Roskomnadzo, a agência russa que controla as publicações na Internet.

Segundo o Youtube, Roskomnadzor pediu a suspensão de um vídeo de Navalny no qual ele convoca seus apoiadores a uma manifestação nesta quarta-feira contra as condições de sua detenção.

As autoridades russas criticaram recentemente que o YouTube atrapalhou a disseminação de vídeos pró-Kremlin.

O presidente russo, Vladimir Putin, já havia denunciado ao final de janeiro que os gigantes da internet "competiam de fato com os Estados" e havia falado de "tentativas de controlar brutalmente a sociedade".

"O fato de a publicação e disseminação de conteúdo de vídeo na Rússia poder ser regulamentada pelas leis de outros países não é correto", denunciou Rotsit em dezembro.

Segundo esse órgão, as atuais condições de uso do Google permitem "limitar arbitrariamente qualquer conta" e os motivos para bloqueá-la ou suspendê-la "dependem da classificação quase ilimitada do YouTube".

As autoridades russas bloquearam o acesso a outras plataformas utilizadas pela oposição, como a rede profissional Linkedin, de propriedade da Microsoft, após serem acusadas de não querer armazenar seus dados na Rússia.

Twitter, Facebook ou Google também costumam receber multas de dezenas de milhares de dólares, quantias mínimas comparadas aos lucros desses gigantes tecnológicos.

rco/tbm/sg/mar/mb/ap