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Manuela Dias abre o jogo sobre 'uberização' na Globo após demissão em massa

Vitor Balciunas

16/06/2023 04h00

Manuela Dias, 46, marcou o Brasil com a emocionante história de "Amor de Mãe", novela exibida entre 2019 e 2021 pela TV Globo. Para matar a saudade do público, a autora lançou o livro "Diário de Dona Lourdes", no qual revisita sua obra para contar como anda a vida da personagem de Regina Casé.

Durante o evento de lançamento em São Paulo, Manuela conversou com Splash sobre o fato de o livro chegar dois anos após o fim do folhetim e como anda sua relação com a Globo atualmente.

Relação com a Globo

Questionada sobre as demissões no núcleo de autores da Globo, que abriu mão de nomes grandiosos nos últimos anos — como Aguinaldo Silva, Silvio de Abreu e Lícia Manzo — para conter os grandes salários na empresa, e o quanto isso poderia afetar seu trabalho, Manuela disse enxergar um desafio maior do que a própria emissora.

"A Globo, como todo o audiovisual e o mercado de trabalho, está passando por muitos desafios e transformações. Mas essa questão de uma espécie de 'uberização' de todas essas relações de trabalho é uma questão muito maior do que a Globo e é uma questão muito complexa."

Ansiosa para dividir com o público os novos passos dessa mãe que encantou os noveleiros, a escritora confessou que gostaria que o livro tivesse chegado antes para o público, mas o processo de criação execução demandaram mais tempo, até para garantir uma história que os fãs pudessem se conectar novamente.

"A gente queria que as coisas fossem mais rápidas, mas acho que elas têm um tempo mesmo. A gente pensou da Lourdes abrir um orfanato, dela viajar, casar com o Januário. E aí chegou uma hora que eu falei: ''Não quero mais que ela cuide de ninguém'. Acho que as mães passam por esse período muito longo de doação, de colocar sempre o outro na frente de suas necessidades"

Diversidade nas Novelas

Comprometida com iniciativas para trazer mais diversidade para suas produções, assim como aconteceu em "Justiça" e "Amor de Mãe", Manuela defendeu que isso seja cada vez mais frequente para um melhor desenvolvimento social.

"A produção audiovisual muitas vezes é a fonte de reflexão, de questionamento! Quem escreve para o audiovisual, precisa encarar isso com muita responsabilidade, as pessoas precisam se ver. Tentar esconder conflitos sociais, por exemplo, jamais será uma opção minha. Fingir que todos somos irmãos e todos somos iguais. Quando a gente sabe que não. Então, para mim isso é muito importante, até para a gente melhorar. Estamos enfrentando muitos desafios como sociedade, como humanidade."