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Disney censura cenas LGBTQIA+ em filmes da Pixar, dizem funcionários

Funcionários divulgaram carta em resposta ao posicionamento da Disney sobre legislação anti-LGBTQIA+ - Divulgação/Disney
Funcionários divulgaram carta em resposta ao posicionamento da Disney sobre legislação anti-LGBTQIA+ Imagem: Divulgação/Disney

De Splash, em São Paulo

10/03/2022 10h24

Funcionários da Pixar divulgaram uma carta na revista Variety afirmando que executivos da Disney censuram os filmes exigindo cortes em "quase todos os momentos de afeto abertamente gay... Ignorando quando há protestos por parte da Pixar, tanto nas equipes criativas como nos cargos de liderança executiva".

A carta, assinada pelos "funcionários LGBTQIA+ da Pixar e seus aliados", é uma resposta ao posicionamento da Disney sobre a nova lei anti-LGBTQIA+ da Flórida, intitulada "Don't Say Gay". Em comunicado enviado aos funcionários, o CEO da empresa, Bob Chapek, afirma que o "maior impacto" que a Disney pode ter é "criar um mundo mais inclusivo através do conteúdo inspirador que produzimos".

Agora, os funcionários da Pixar afirmam que esse posicionamento não é compatível com as experiências que tiveram quando tentaram abordar questões de diversidade nas histórias.

"Na Pixar, pessoalmente vimos histórias lindas, repletas de diversidade, retornarem das avaliações corporativas da Disney reduzidas a migalhas do que eram. Mesmo que criar conteúdo LGBTQIA+ fosse a solução para corrigir legislações discriminatórias pelo mundo todo, estamos sendo impedidos de fazê-lo."

Os funcionários também pedem que a Disney retire o financiamento de todos os parlamentares que apoiaram a lei "Don't Say Gay", e "assuma um posicionamento público decisivo" contra esse projeto e outros semelhantes.

Até hoje, a representação LGBTQIA+ na Disney se limitou a falas passageiras. A referência mais explícita aconteceu no filme "Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica" (2020), em que uma personagem afirma: "Não é fácil ser uma mãe nova — a filha da minha namorada me faz arrancar os cabelos, tá bem?".

A fala fez o filme ser proibido no Kuwait, em Omã, no Catar e na Arábia Saudita, e na Rússia o termo "namorada" foi trocado por um sinônimo que não especifica o gênero.

A acusação de censura recai principalmente sobre o ex-CEO da Disney, Bob Iger, que foi responsável pela aquisição da Pixar em 2006 e deixou o cargo em dezembro de 2021.