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MG: Repórteres da Band sofrem trauma auditivo durante protesto de policiais

Forças de segurança de Minas Gerais realizaram outro protesto para pressionar governador Romeu Zema (Novo-MG) - Reprodução/ Band Minas
Forças de segurança de Minas Gerais realizaram outro protesto para pressionar governador Romeu Zema (Novo-MG) Imagem: Reprodução/ Band Minas

Caio Santana

De Splash, em São Paulo

09/03/2022 18h36Atualizada em 09/03/2022 21h00

Uma equipe da TV Band Minas foi hostilizada e agredida durante novo protesto de profissionais de segurança de Minas Gerais na manhã de hoje. A repórter Laura França teve um trauma auditivo após uma bomba estourar ao seu lado na Praça da Estação, em Belo Horizonte. Em fevereiro uma equipe da TV Globo foi ameaçada em manifestação da categoria.

"Por volta de 10h da manhã [...] fui surpreendida pelo estourar de uma bomba ao meu lado. A explosão não me atingiu, porém como eu estava muito perto o barulho fez com que eu perdesse temporariamente a audição do meu lado direito, além da dor", explicou a Splash Laura França, que estava acompanhada do cinegrafista Niconor Mendes.

Outro profissional do Grupo Bandeirantes, o repórter Caio Társia, da Rádio Band News FM e TV Band Minas, foi hostilizado e alvo de uma bomba lançada contra ele quando o mesmo acompanhava o protesto em direção à Praça Sete, no centro de BH.

"Soltaram essa bomba do meu lado, ela estourou a centímetros de mim, me causou muita dor na orelha. Estou com bastante dor no no ouvido direito, muita dor de cabeça, fui hospitalizado, fui pro hospital, fui medicado por lá, agora eu vou ter que passar por alguns exames nos próximos próximos dias e vou ter que ficar afastado do trabalho por conta do trauma auditivo que eu tive no ouvido", contou o repórter.

O grupo de comunicação repudiou os ataques.

"O Grupo Bandeirantes repudia e cobra providência acerca dos incidentes ocorridos durante a manifestação das forças de segurança pública em Minas Gerais que colocaram em risco a integridade física de dois profissionais da empresa: Laura França, da TV Band Minas, e Caio Tárcia, da Rádio BandNews FM BH", informaram em nota obtida por Splash.

O grupo informou que os dois profissionais passaram por exames na tarde de hoje e foi constatado trauma auditivo nos profissionais, ou seja, uma perda temporária da audição, "sem lesões permanentes".

Fui medicada e estarei de repouso pelos próximos dias Laura França, repórter da TV Band Minas

"Além das bombas, vários policiais, contrariando decisão da Justiça, protestavam armados", disse o grupo de comunicação.

"A Band repudia a atitude dos manifestantes e cobra da Polícia Militar o acompanhamento do protesto, garantindo a segurança dos envolvidos, inclusive dos profissionais da imprensa. A emissora também exige responsabilidade das categorias envolvidas no ato e solicita o acompanhamento do caso pelo governo de Minas, pelo Ministério Público e pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG)", completaram.

Colegas jornalistas dos profissionais prestaram solidariedade nas redes sociais. "Tristeza! Só após uma repórter da Band Minas se ferir por causa de uma bomba que explodiu perto dela, os foguetes e bombas do protesto das forças de segurança diminuíram (não pararam) na praça da Estação", escreveu Marcelo Coelho da Fonseca, repórter do jornal O Tempo.

Pedro Corsini, da Band no Triângulo Mineiro, também lamentou o ocorrido: "Lamentável tudo isso! Se quem deveria proteger anda atacando, o que esperar de quem vive apenas pra atacar?", questionou.

Órgãos, entidades e autoridades também se pronunciaram. O MPMG (Ministério Público de Minas Gerais) informou que os fatos ocorridos durante as manifestações de hoje "estão sendo acompanhados em tempo real pela Instituição".

O SJMPG (Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais) e a Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) também repudiaram o que chamaram de "mais uma violência sofrida por jornalistas em manifestações dos policiais". As instituições cobram do governo do estado, do Ministério Público e da Polícia Civil a apuração dos fatos e punição dos responsáveis.

Já o Sindpol (Sindicato dos Servidores da Polícia Civil do Estado de Minas Gerais) divulgou nota e afirmou que "o intuito do movimento das forças da segurança pública de Minas Gerais é reivindicar a recomposição das perdas inflacionárias para que o governador, Romeu Zema".

Em relação às bombas e foguetes, eles se disseram "veemente contra tais atitudes e repudiamos qualquer ato voltado contra os repórteres e demais profissionais de imprensa, qualquer que seja a conduta, muito menos que lancem qualquer tipo de objeto. Somos solidários aos jornalistas, que estão trabalhando, levando a informação à sociedade".

Confira a nota do SJMPG e da Fenaj íntegra:

Equipe da TV Band Minas é atacada por bombas em manifestação das polícias em BH

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais (SJMPG) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) repudiam mais uma violência sofrida por jornalistas em manifestações dos policiais e cobram do governo do estado, do Ministério Público e da própria Polícia Civil que os fatos sejam apurados e os responsáveis punidos. Hoje (9/3), durante manifestação dos policiais por melhorias salariais, no centro da capital mineira, uma equipe da Band Minas foi ferida e hostilizada. No último dia 25/2, uma equipe da TV Globo foi cercada, xingada e hostilizada, também durante a manifestação dos policiais, e teve que deixar o local.

Durante o ato, enquanto trabalhava na cobertura, a repórter Laura França, da TV Band Minas, foi ferida por uma bomba e sofreu um trauma auditivo, após o artefato estourar do seu lado. O repórter Caio Tárcia, da Band News, também foi alvo de uma bomba lançada contra ele quando seguia acompanhando a manifestação. Por sorte não foi atingido, mas foi hostilizado e xingado durante a cobertura e teve que deixar o ato.

Laura vai passar por exames nesta tarde para avaliar a extensão do trauma e Caio para apurar se houve algum dano. Os dois estão sendo assistidos pelo comando da emissora, que divulgou uma nota repudiando a atitude dos manifestantes e cobrando da Polícia Militar o acompanhamento do protesto, garantindo a segurança dos envolvidos, inclusive dos profissionais da imprensa. A emissora também exigiu responsabilidade das categorias envolvidas nas agressões e o acompanhamento do caso pelo governo de Minas, Ministério Público e Justiça.

O SJPMG e a Fenaj também querem garantia de segurança para os jornalistas em atos da polícia e que os casos envolvendo os jornalistas da Band e do Globo sejam rigorosamente apurados e severamente punidos. É inaceitável que as forças de segurança do estado ajam com violência e hostilidade para impedir o trabalho da imprensa.

Urge uma ação efetiva do estado e suas instituições para coibir casos como esses. Sem punição firme para casos como esses a violência contra jornalistas vai seguir crescendo de maneira vertiginosa, colocando em risco não somente a vida dos trabalhadores da notícia, mas também a liberdade de imprensa no Brasil. A violência contra jornalistas é um ameaça à sociedade e à democracia. Exigimos apuração.

Confira a nota do Sindpol-MG na íntegra:

O Sindpol/MG, primeiramente, reforça que o intuito do movimento das forças da segurança pública de Minas Gerais é reivindicar a recomposição das perdas inflacionárias para que o governador, Romeu Zema, cumpra o acordo que ele fez com a segurança pública, pagando pelo menos as duas parcelas faltantes e pela retirada do Regime de Recuperação Fiscal.

Com relação às bombas e foguetes, durante a manifestação desta quarta-feira (09), somos veemente contra tais atitudes e repudiamos qualquer ato voltado contra os repórteres e demais profissionais de imprensa, qualquer que seja a conduta, muito menos que lancem qualquer tipo de objeto. Somos solidários aos jornalistas, que estão trabalhando, levando a informação à sociedade.

O Sindpol/MG orienta a todos os servidores policiais civis, filiados ou não, para agirem dentro da legalidade. Até o momento, não recebemos nenhuma informação de nenhum dos colegas, policiais civis, praticando tais atos na mobilização.

O Sindpol/MG espera que tais ocorrências sejam devidamente apuradas, de modo que o movimento, justo e legítimo, não seja confundido com atitudes que são repudiadas pela entidade.

Não podemos descartar a possibilidade de agentes penetras, supostamente infiltrados pelo próprio Governo, praticando tais atos numa tentativa de imputar a responsabilidade nos protestantes e macular o movimento que, desde os primeiros atos de protesto, se mantem pacífico e ordeiro com intenções justas.

Vamos nos manter unidos e pacíficos, para uma manifestação ordeira e bem sucedida.