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Pétala Barreiros diz ser irresponsável atacar quem denuncia casos de abuso

Pétala Barreiros falou sobre ter se tornado uma voz importante na luta contra o machismo - Reprodução/Instagram @petalagb
Pétala Barreiros falou sobre ter se tornado uma voz importante na luta contra o machismo Imagem: Reprodução/Instagram @petalagb

Colaboração para Splash, em Alagoas

14/12/2021 14h04

Pétala Barreiros, que trava na Justiça algumas batalhas contra seu ex-companheiro, o empresário Marcos Araújo, presidente da Audiomix, rebateu as críticas que costuma receber nas redes sociais, após acusar, no início deste ano, o pai de seus filhos de tê-la agredido e traído.

Em entrevista à revista Marie Claire, ela, ao falar sobre as críticas que passou a receber, disse que enxerga um ato de "irresponsabilidade" em quem critica as pessoas que têm coragem de denunciar e falar abertamente sobre situações de abuso.

Tem uma frase que minha psicóloga me disse e que me ajudou muito, e eu carrego comigo: 'As pessoas projetam nos outros aquilo que têm dentro delas'. Tudo o que disseram sobre mim porque não me conhecem e nunca conversaram comigo diz mais sobre elas. Eu vejo uma irresponsabilidade em atacar uma pessoa que fala abertamente sobre situações de abuso.

Segundo Pétala, que engravidou de Marcos pela primeira vez aos 14 anos, ela foi "silenciada" durante "sete anos", mas, agora, colocou "um ponto final" nisso. "Consegui ter uma posição de não voltar atrás. Desde então, enfrento o que tiver de enfrentar porque tenho minha família ao meu lado, e é isso que importa".

Após expor as situações que vivenciou com o presidente da Audiomix, Pétala Barreiros se tornou uma voz contra o machismo e passou a receber o relato de outras mulheres que também vivenciaram situações parecidas. Segundo contou, "quando uma mulher ganha voz, milhões de outras ganham também, e vejo isso pelos relatos que recebo sempre".

Com mais de 2 milhões de seguidores no Instagram, a influenciadora disse que "a sociedade fazia com que eu me sentisse culpada, como se eu fosse culpada por ser mãe solo" e que "aquilo me machucava muito".

"Hoje, sete anos depois, acho que a gente evoluiu, mas ainda vivemos numa sociedade extremamente machista. Em qualquer ocasião se coloca a mulher como culpada. Eu tinha 15 anos e, mesmo sendo uma criança, as pessoas me olhavam me condenando. Hoje, sinto que tenho uma postura diferente, e isso fez com que as pessoas mudassem comigo [...] Estou sempre do lado das mulheres que não aceitam atitudes de homens que querem nos menosprezar e culpar", pontuou.

A gente tem que colocar um ponto final, os homens não podem tratar mais as mulheres dessa forma com que eles tratavam as nossas avós. Porque isso é uma ferida, por mais que as nossas avós não falassem na época, porque elas não podiam.

Pétala Barreiros e Marcos Araújo são pais de dois filhos — Lorenzo, de 6 anos, e Lucas, de 11 meses. Devido à disputa judicial, ela está proibida de mencionar o nome do ex. Recentemente, a influenciadora foi multada pela Justiça justamente por falar sobre assuntos que envolvem o pai dos filhos.

Entenda o caso

No começo deste ano, Pétala Barreiros acusou Marcos Araújo de agressão e traição. Na época, em uma série de vídeos publicados, a influenciadora afirmou que só falou sobre o assunto por questionamentos dos seguidores e revelou ainda estar recebendo ameaças por ter se pronunciado sobre o caso. O relacionamento com o empresário teve início quando ela tinha 14 anos.

Marcos conseguiu impedir que Pétala toque em seu nome em qualquer mídia. Já a influenciadora conseguiu uma medida protetiva contra o ex.

O assunto voltou à tona após Lívia Andrade, atual namorada de Marcos, o ter acompanhado durante a realização de um exame de DNA de Lucas. Pouco depois, em sequência de Stories publicados no Instagram, Pétala disse que Marcos cortou o plano de saúde dos filhos e que ela havia recebido uma ordem de despejo.

Em caso de violência, denuncie

Ao presenciar um episódio de agressão contra mulheres, ligue para 180 e denuncie.

Casos de violência doméstica são, na maior parte das vezes, cometidos por parceiros ou ex-companheiros das mulheres, mas a Lei Maria da Penha também pode ser aplicada em agressões cometidas por familiares.

Também é possível realizar denúncias pelo número 180 — a Central de Atendimento à Mulher, que funciona em todo o país e no exterior, 24 horas por dia. A ligação é gratuita. O serviço recebe denúncias, dá orientação de especialistas e faz encaminhamento para serviços de proteção e auxílio psicológico. O contato também pode ser feito pelo WhatsApp no número (61) 99656-5008.

A denúncia também pode ser feita pelo Disque 100, que apura violações aos direitos humanos.

Há ainda o aplicativo Direitos Humanos Brasil e a página da Ouvidoria Nacional de Diretos Humanos (ONDH) do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH). Vítimas de violência doméstica podem fazer a denúncia em até seis meses.

Caso esteja se sentindo em risco, a vítima pode solicitar uma medida protetiva de urgência.