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Mauricio Stycer

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Por que a participante mais popular do BBB 21 é também a mais chata

Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

04/05/2021 11h09

As enquetes indicam o amplo favoritismo de Juliette para vencer o "BBB 21" e faturar o prêmio de R$ 1,5 milhão nesta terça-feira (04). Um dos mais notáveis indicadores de sua popularidade é o Instagram. Ela tinha 12,1 mil seguidores ao entrar no reality e 100 dias depois ostenta 23,6 milhões de fãs.

No podcast UOL Vê TV da última semana, procuramos entender o fenômeno Juliette. Várias são as explicações para o sucesso que alcançou. 1. Foi humilhada por Fiuk na primeira semana. 2. Foi alvo de preconceito de Karol Conká na segunda semana. 3. Junto com Gil e Sarah, formou o G3, o grupo que antagonizou os vilões da edição e foi determinante para a eliminação de Conká, Nego Di, Projota e Lumena.

Juliette é paraibana e ostenta com orgulho suas origens. Os gerentes de suas redes sociais exploraram esse aspecto com muita habilidade durante o programa, desenhando de forma simpática os traços que a identificam como nordestina.

Na visão de Aline Ramos (veja no vídeo acima), Juliette também atraiu simpatia do público por ter sido subestimada pelos colegas de confinamento. Sofreu perseguição no início, depois foi alvo de muitos comentários pelas costas e passou a impressão de que era menosprezada.

Juliette - Reprodução/Instagram - Reprodução/Instagram
Juliette no quarto do líder do BBB 21
Imagem: Reprodução/Instagram

Ao mesmo tempo, não foi muito lembrada nos paredões - foi indicada apenas duas vezes (além de ter entrado automaticamente no último). E os seus defeitos, como lembrou Aline, foram "colocados debaixo do tapete".

Após a saída de Lucas, como lembrou Chico Barney, Juliette herdou o desejo do público de acolher os prejudicados pelas maldades e fofocas dos participantes.

Na visão do colunista do UOL, não há muitas explicações racionais: "o santo bateu", diz ele, que considera a trajetória de Juliette uma "vitória do carisma pelo carisma". Concordo com ele que a maquiadora não tem a melhor história entre os participantes, mas "se comunica muito bem com o público".

Para mim, ao contrário, o santo não bateu. Considero Juliette uma das participantes mais chatas da história do "BBB". Carente, autocentrada, ela passou o programa inteiro cobrando e questionando os sentimentos dos amigos de confinamento. Colocando-se como vítima em questões comezinhas, atraiu simpatia do público.

Na última festa, sábado (01), nada aconteceu de significativo com exceção de mais uma cobrança de Juliette. Ela reclamou com Gil, com Fiuk e com Camilla, sempre querendo esclarecer algum mal-entendido (na sua cabeça) no relacionamento com os colegas. Juliette ama uma DR.

Outro recurso retórico muito eficiente usado por Juliette é salientar verbalmente o exato oposto do que está fazendo. Por exemplo, quando passou um dia inteiro atormentando Pocah por ter desistido da prova que fizeram em dupla, ela repetiu inúmeras vezes: "Não estou culpando ela".

Ao longo destes 100 dias, em inúmeras das discussões vi Juliette recorrer a um mesmo artifício - acusar o debatedor de estar gritando com ela, quando na verdade ambos estavam falando no mesmo tom. Nas infinitas "discussões de relação" com todo mundo, Juliette provocou exaustão - e mostrou ser impossível vencê-la no diálogo. É campeã também em matéria de argumentação em DR.

Juliette, enfim, representa muita gente neste "BBB". Vai ganhar o programa com larga margem de votos. Respeito muito isso.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL