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Mauricio Stycer

Na roça dos "600 bilhões" de votos, Mion também exagera nos elogios a Biel

Marcos Mion anuncia que Biel escapou da roça, que também foi disputada por Carol e Tays - Reprodução
Marcos Mion anuncia que Biel escapou da roça, que também foi disputada por Carol e Tays Imagem: Reprodução
Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

16/10/2020 01h08

"A Fazenda" tinha tudo para festejar um episódio histórico nesta quinta-feira (15). Afinal, a roça que eliminou Carol Narizinho, em disputa com Biel e Tays, bateu recorde, com 600 milhões de votos. Mas, infelizmente, não foi uma noite boa do programa, nem do apresentador.

Empolgado com os números soprados pelo ponto eletrônico, Marcos Mion anunciou que "A Fazenda" alcançou 600 bilhões de votos. Até ele riu do erro que cometeu.

Mas este exagero não foi o único pecado do apresentador. Ao comunicar que Biel sobreviveu à votação do público, Mion enalteceu qualidades que o cantor ainda não mostrou na "Fazenda". "Quando todo mundo esperava o conflito, você estendeu a mão com humildade", elogiou. Mion vai precisar torcer bem o perfex que passou em Biel. Deve estar encharcado.

Além de fazer uma imitação risível do personagem Chewbacca ("Guerra nas Estrelas"), o apresentador também manifestou preocupação com o estado emocional do cantor antes de anunciar a eliminada da noite: "Imagina como o Biel está agora, sabendo que a Tays corre o risco de ser eliminada". Chorei aqui.

Como escrevi mais cedo, a Record vende a ideia de que "A Fazenda" é uma espécie de "rehab" para figuras como Biel, um artista com um histórico que inclui acusações de assédio a uma jornalista e agressão contra a ex-mulher. E, pelos resultados alcançados, o público parece acreditar que este "rehab" é eficaz.

Outro momento lamentável ocorreu no quadro de humor de Carioca. Fazendo piada com a história do romance de Luiza Ambiel com Luiz Carlos, do Raça Negra, o humorista pintou o rosto com tinta escura, o chamado "blackface".

Como se sabe, e explica esta reportagem da BBC publicada no UOL, o "blackface" é ofensivo porque prega estereótipos negativos sobre negros. Surgiu nos Estados Unidos para entreter audiências brancas às custas de um grupo minoritário que lutava por seus direitos civis após séculos de escravidão.

"O blackface tem raízes no racismo, que está ligado ao medo de pessoas negras e à ridicularização delas", diz Kehinge Andrews, da Birmingham City University, no Reino Unido.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL