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Mauricio Stycer

Série documental resgata "O Vampiro de Niterói", que matou 14 meninos

Marcelo Costa de Andrade, o "vampiro de Niterói", dá entrevista sobre os seus crimes  - Reprodução
Marcelo Costa de Andrade, o "vampiro de Niterói", dá entrevista sobre os seus crimes Imagem: Reprodução
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Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

06/08/2020 07h01

Entre abril e dezembro de 1991, Marcelo Costa de Andrade matou 14 meninos entre 5 e 13 anos. Após os crimes, ele mantinha relações sexuais com os cadáveres. Num dos casos, ainda lambeu o sangue que escorria da cabeça de uma das vítimas. "Ele tinha pernas bonitas. Bebi para ficar bonito igual", disse o serial killer ao repórter Sergio Torres, da "Folha".

Por causa deste detalhe, Andrade foi apelidado pela imprensa, na época, de "O vampiro de Niterói". Foi na cidade fluminense e em outras próximas que cometeu a maioria dos crimes. Ele tinha 25 anos quando foi preso, no início de 1992.

A série documental que o MOV, a divisão de vídeos do UOL, lança nesta quinta-feira (6) busca contar esta história de forma convencional, resgatando imagens de telejornais da época e entrevistando quem acompanhou o caso de perto - policiais, jornalistas, peritos criminais e advogados.

Andrade é descrito como um tipo com visões, que tinha "muita satisfação" em descrever os seus atos. Na mesma entrevista à "Folha", ele explicou por que voltava aos locais dos crimes: "Eu voltava para ver se (as vítimas) já tinham ido para o céu". Foi considerado inimputável pela Justiça.

Internado num hospital psiquiátrico de custódia, Andrade não dá entrevistas desde 2006, em obediência a um parecer psicológico. Mesmo assim, creio que o documentário poderia ter descrito melhor o seu perfil e o de seu entorno. A mãe é citada brevemente pelo advogado de defesa do caso. Ele conta que a conheceu vendendo cafezinho no Fórum Criminal onde o filho foi julgado.

Falta a voz dos parentes das vítimas - muitos, procurados, não quiseram falar. Renata Spitz e Mariana Ramos, diretoras e roteiristas da série, informam no final que as crianças e adolescentes mortos, em sua maioria, eram vulneráveis e viviam em situação de rua. "Crianças esquecidas, sem nome", registram.

"O Vampiro de Niterói" se diferencia de outros documentários do gênero "true crime", disponíveis em serviços de streaming, pela estrutura. São seis episódios, com duração de seis a oito minutos, muito bem estruturados e com ótimas iscas ao final de cada um.

É um formato que facilita a exibição em telefones celulares. O modelo é o Quibi, primeiro serviço de streaming para dispositivos móveis, criado nos EUA por Jeffrey Katzenberg, ex-CEO da Disney e um dos fundadores da DreamWorks.

Abaixo, um trailer: