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Mauricio Stycer

Por que a Globo vai reprisar "Flor do Caribe"? Não é só pelo Ibope

Grazi Massafera e Henri Castelli, os protagonistas de "Flor do Caribe", que será reprisada na faixa das 18h  - Reprodução
Grazi Massafera e Henri Castelli, os protagonistas de "Flor do Caribe", que será reprisada na faixa das 18h Imagem: Reprodução
Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

30/07/2020 05h01

Sem encontrar uma forma segura de retomar as gravações de novelas, a Globo se viu obrigada a escalar uma segunda fornada de reprises para o horário nobre.

A primeira definição ocorreu no horário das 21h: "A Força do Querer" (2017) foi escalada para substituir "Fina Estampa" (2010). A escolha obedeceu a um critério muito claro: audiência. Na sua exibição original, a trama de Gloria Perez terminou com média de 35,7 pontos em São Paulo. Superou as oito novelas anteriores do horário, incluindo "Salve Jorge", da mesma autora.

Na faixa das 19h, a escolhida para substituir "Totalmente Demais" (2015), um fenômeno de audiência, foi "Haja Coração" (2016), novela que a sucedeu na época de sua exibição original, igualmente com muito sucesso de público. A trama de Daniel Ortiz, uma das mais tolas exibidas nesta década, é um remake de "Sassaricando" (1987), de Silvio de Abreu.

Esta semana a Globo anunciou que "Flor do Caribe" (2013) vai suceder "Novo Mundo" (2017) no horário das 18h. As escolhas de reprises para esta faixa têm obedecido a outros critérios.

A trama histórica de Thereza Falcão e Alessandro Marson foi a primeira escolhida porque "Nos Tempos do Imperador", uma continuação de "Novo Mundo", estava programada para exibição ainda em 2020, o que não vai mais acontecer.

Já a novela de Walter Negrão chega para oferecer algum refresco ao espectador nestes dias difíceis. É uma história ambientada num cenário paradisíaco, entre dunas, salinas e belas praias. A trama gira em torno de um triângulo amoroso fundado na disputa de dois amigos de infância, Cassiano (Henri Castelli) e Alberto (Igor Rickli), pela linda Ester (Grazi Massafera).

"Flor do Caribe" registrou média de audiência de 21 pontos em São Paulo, mais que "Lado a Lado" (18 pontos), que a antecedeu, mas menos que todas que vieram antes: "Amor Eterno Amor" (23), "A Vida da Gente" (22), "Cordel Encantado" (26) e "Araguaia" (23), a anterior de Negrão.

Por outro lado, a novela de Negrão foi melhor do que as cinco tramas que vieram depois: "Joia Rara" (18,4), "Meu Pedacinho de Chão" (17,8), "Boogie Oogie" (17,5), "Sete Vidas" (19,5) e "Além do Tempo" (19,9).

Apareceu, então, o fenômeno "Êta Mundo Bom", que teve média de 27 pontos. Na sequência, todas as demais novelas das 18h, com exceção de "Espelho da Vida" (17,8), tiveram audiência melhor, igual ou semelhante a "Flor do Caribe". Ou seja, se o critério fosse exclusivamente a audiência, a escolha não recairia sobre a novela de Negrão.

Quem matou a charada foi Aguinaldo Silva, autor de "Fina Estampa". Em seu perfil no Facebook, ele escreveu: "Mais um veterano é convocado para a frente de batalha nessa hora difícil: dessa vez é Walter Negrão, 79 anos, grande autor de novelas inesquecíveis, dentre as quais se destaca esta 'Flor do Caribe', que é solar e otimista como o telespectador prefere agora." É isso.

Negrão, aposentado, e Aguinaldo, que não teve seu contrato renovado em janeiro, não fazem mais parte do time de autores da Globo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL