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Itália 'pede verdade' nos 30 anos de sua maior tragédia marítima

O "Moby Prince" colidiu com um petroleiro em 1991, no porto de Livorno: apenas uma pessoa sobreviveu  - Getty Images
O "Moby Prince" colidiu com um petroleiro em 1991, no porto de Livorno: apenas uma pessoa sobreviveu Imagem: Getty Images

10/04/2021 22h24

O governo italiano recordou neste sábado (10) os 30 anos da tragédia com o navio "Moby Prince", que provocou a morte de 140 pessoas, entre tripulantes e passageiros, em 10 de abril de 1991 e pediu a "verdade" sobre o maior desastre marítimo de sua história.

O presidente da Itália, Sergio Mattarella, considerou o caso como o "acidente mais grave da história da navegação civil italiana" e afirmou que "é urgente" qualquer compromisso que vise esclarecer o que aconteceu naquele trágico dia.

Na noite de 10 de abril de 1991, o navio "Moby Prince", que fazia o trajeto entre Livorno e Olbia, na ilha da Sardenha, colidiu na saída do porto com a embarcação Agip Abruzzo, um petroleiro carregado com 82 mil toneladas de petróleo.

O impacto provocou um incêndio gigantesco e causou a morte de 140 pessoas a bordo. Apenas Alessio Bertrand, o motorista da balsa, sobreviveu ao acidente.

Fotografia tirada em 1998 da carcaça do ferry boat - Getty Images - Getty Images
Fotografia tirada em 1998 da carcaça do ferry boat
Imagem: Getty Images


Ao longo dos anos, entre os aspectos mais polêmicos envolvendo a tragédia está a demora no resgate das pessoas, apesar de o navio estar localizado a poucos quilômetros do cais. Mattarella lamentou a falta de organização do resgate e o "dramático atraso".

"Sobre a responsabilidade do incidente e das circunstâncias que o determinaram é obrigatório todo o empenho no sentido de esclarecer tudo", afirmou Mattarella, ressaltando que o "empenho que ao longo dos anos distinguiu as associações familiares representa um valor cívico e contribui para prosseguimento do bem comum".

Durante o julgamento, que terminou sem condenação, foi constatado que muitas vítimas foram sufocadas pela fumaça enquanto esperavam para serem retiradas do navio e não carbonizadas como foi suposto inicialmente.

A hipótese defendida no processo é de um possível erro humano dos comandantes do petroleiro, que morreram no acidente, em meio ao nevoeiro.