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Agência Mundial Antidoping exclui a Rússia dos Jogos Olímpicos durante quatro anos

09/12/2019 21h30

Lausana, Suíça, 10 dez 2019 (AFP) - A Agência Mundial Antidoping (Wada) decidiu excluir a Rússia dos Jogos Olímpicos durante quatro anos, o que significa que o país não disputará Tóquio-2020 e os Jogos de Inverno de Pequim-2022, em consequência da falsificação de dados dos controles entregues à entidade.

O anúncio foi feito pelo porta-voz da agência, James Fitzgerald, após um comitê executivo celebrado nesta segunda-feira em Lausanne.

"A lista completa de recomendações (de sanções por parte do Comitê de Revisão de Conformidade, CRC) foi aprovada por unanimidade dos 12 membros do comitê executivo", declarou Fitzgerald.

O CRC recomendou a exclusão da bandeira da Rússia dos Jogos e de qualquer campeonato mundial por quatro anos, com a possível presença de atletas russos sob a bandeira "neutra".

"Isso significa que os atletas russos, se quiserem participar dos Jogos Olímpicos ou Paralímpicos, ou qualquer outro grande evento, deverão demonstrar que não estão envolvidos nos programas de doping descritos no relatório 'McLaren' ou que suas amostras não foram falsificadas", disse Fitzgerald.

"Finalmente, as fraudes, mentiras e falsificações de proporção inimaginável foram punidas", comemorou o ex-diretor do laboratório antidoping de Moscou Grigori Rodtchenkov, primeira autoridade a denunciar o esquema de doping institucional e que hoje vive nos Estados Unidos.

- Recorrer ao TAS -A decisão da Wada pode ser objeto de apelação dentro do prazo de 21 dias no Tribunal Arbitral do Esporte (TAS), pela Agência Russa Antidoping (Rusada) ou pelo Comitê Olímpico Russo (ROC) ou qualquer federação internacional envolvida.

"É uma forma de descartar a competitividade russa do esporte mundial. É essencial restabelecermos nossos direitos", criticou Petr Tolstoi, vice-presidente da Duma, câmara baixa do Parlamento russo.

Para o diretor da Rusada, Iouri Ganous, muito crítico das autoridades de seu país, "não há qualquer opção de ganhar um recurso no tribunal".

O recurso será suspensivo e as sanções não serão aplicáveis até que o TAS as confirme.

Enquanto esperam pela decisão final do TAS, os presidentes de várias federações esportivas russas, citados por agências do país, afirmaram que estão dispostos a enviar seus atletas aos Jogos de Tóquio-2020.

Entre as outras medidas aprovadas nesta segunda-feira pela Wada, a proibição por quatro anos de atribuir a organização de grandes competições (Jogos Olímpicos e Mundiais) à Rússia.

Em relação à Copa do Mundo de futebol do Catar-2022, "a equipe não poderá representar a federação da Rússia", insistiu o diretor-geral da Wada, Olivier Niggli. Esta punição, porém, não será aplicada nas fases classificatórias, que serão disputadas entre 2021 e 2022.

Assim, caso a Rússia avance à fase final da Copa, "uma equipe que represente o país não poderá participar, mas um pedido poderá ser feito para participar como equipe neutra", explicou Jonathan Taylor, presidente do CRC.

Durante coletiva de imprensa em Paris sobre a situação geopolítica entre Rússia e Ucrânia, o presidente russo, Vladimir Putin, denunciou uma decisão "motivada politicamente" que "contradiz a Carta Olímpica".

As sanções são a consequência da falsificação dos dados dos controles antidoping entregues pela Rússia à Wada no início deste ano.

A entrega por Moscou de milhares de dados brutos de controle, armazenados nos servidores do antigo laboratório de Moscou, sob a supervisão do poderoso Comitê de Investigação da Rússia, era de fato uma condição estrita imposta pela Wada para retirar, no final de 2018, a suspensão anterior da Rusada.

O órgão antidoping mundial esperava, assim, trazer à luz os controles positivos que não tiveram consequências, abrir processos disciplinares contra atletas e encerrar o caso uma vez por todas.

Mas especialistas enviados pela Wada descobriram que "centenas" de resultados suspeitos foram apagados, alguns entre dezembro de 2018 e janeiro de 2019, pouco antes da entrega dos dados.

"A Rússia teve todas as oportunidades para colocar seus problemas em ordem e se unir novamente à comunidade antidoping mundial, pelo bem de seus atletas e da integridade do esporte, mas optou por manter sua posição de engano e negação", declarou em comunicado o presidente da Wada, Craig Reedie.

- Apoio do COI -Sob as ordens de Vladimir Putin, a Rússia fez do esporte uma das bandeiras diplomáticas do país, sediando diversos eventos de peso, como os Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi-2014 ou a Copa do Mundo de futebol em 2018.

Mas seu prestígio começou a cair com as primeiras revelações de um esquema de doping institucional, documentado nos relatórios do jurista canadense Richard McLaren a pedido da Wada.

Desde o final de 2015, as competições internacionais de atletismo só aceitam seleções russas 'neutras', sem as cores do país e com atletas que provaram individualmente estarem limpos. A bandeira branca, azul e vermelha não foi içada nos Jogos de Inverno de PyongChang-2018.

Pouco antes dos Jogos do Rio-2016, a Wada havia pedido a exclusão total da Rússia, mas sua decisão não foi respeitada pelo COI.

Desta vez, a entidade olímpica prometeu apoiar as punições "contra todos os responsáveis por esta manipulação".

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