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China suspenderá tarifas adicionais aos carros importados dos EUA

14/12/2018 17h30

Pequim, 14 dez 2018 (AFP) - A China vai suspender por três meses a partir de 1º de janeiro as tarifas adicionais impostas aos automóveis e peças de reposição importados dos Estados Unidos, no primeiro sinal concreto da trégua comercial decidida pelos dois países, anunciou nesta sexta-feira (14) o governo chinês.

Em uma primeira reação, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em um tuíte que a China quer chegar a um "grande acordo" com os Estados Unidos e expressou seu otimismo.

"A China acaba de anunciar que sua economia está crescendo muito mais lentamente que o previsto devido a nossa guerra comercial com eles. Simplesmente suspenderam as tarifas aduaneiras", tuitou o inquilino da Casa Branca.

"A China quer um acordo grande e muito completo. Pode acontecer e logo!", disse.

Essa decisão chinesa mostra que as relações bilaterais não foram atrapalhadas pela prisão, no início de dezembro, no Canadá, a pedido da Justiça americana, de uma executiva da gigante das telecomunicações chinesa Huawei, uma detenção que indignou Pequim.

A China aumentou suas tarifas de 15% para 40% em represália à aplicação de novas tarifas alfandegárias sob produtos chineses importados para os Estados Unidos num valor total de 50 bilhões de dólares.

"A suspensão das tarifas é uma medida concreta para aplicar o consenso alcançado pelos dois chefes de Estado", destaca um comunicado do Conselho de Estado, o gabinete ministerial chinês.

Os presidentes americano e chinês, Donald Trump e Xi Jinping, concordaram com uma trégua na guerra comercial iniciada há vários meses durante uma reunião no dia 1 de dezembro durante cúpula do G20 em Buenos Aires.

A suspensão dessas tarifas beneficiaria fabricantes americanas como Tesla e Ford, que foram impactadas por suas vendas pela guerra comercial entre China e Estados Unidos.

Outros fabricantes estrangeiros poderiam se beneficiar da medida chinesa, como a BMW e a Daimler, que exportarão para a China veículos SUV fabricados nos Estados Unidos.

As exportações americanas para a China caíram 25% em um ano em novembro devido a tarifas mais elevadas aos produtos "made in USA".

- 'Eliminar' mais tarifas -Embora Pequim e Washington tenham apresentado explicações divergentes em um primeiro momento sobre o alcance de seu acordo, a China começou recentemente a confirmar as declarações da Casa Branca sobre as medidas que vai adotar.

"Sujeito a certas condições - respeito mútuo, igualdade mútua, respeito à palavra dada - esperamos que os dois lados intensifiquem suas consultas para eliminar todas as tarifas adicionais", disse o governo chinês em seu comunicado na sexta-feira.

Após a reunião à margem do G20, ambas as partes fizeram anúncios contraditórios ou não muito claros, o que causou incerteza e queda das bolsas de valores.

A prisão em Vancouver, em 1º de dezembro, da diretora financeira da Huawei, Meng Wanzhou, ofuscou as negociações comerciais entre Pequim e Washington.

- Canadenses presos - A Justiça americana suspeita que Meng seja cúmplice de fraude para burlar as sanções dos EUA contra o Irã e pede sua extradição. A executiva foi libertada sob fiança na terça-feira, mas deve permanecer em Vancouver.

As autoridades chinesas detiveram dois canadenses desde segunda-feira. Eles são suspeitos de terem se envolvido em atividades que "ameaçam a segurança nacional", mas muitos especialistas acreditam que se trata de uma medida de represália.

No entanto, a suspensão de tarifas sobre carros e peças americanos anunciada nesta sexta-feira, que Donald Trump vazou no Twitter após seu encontro com Xi, mostra que as negociações comerciais continuam.

A China já se declarou pronta, na quinta-feira, para receber os negociadores americanos que estão tentando resolver as diferenças comerciais.

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