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M.Gabriel apaga rótulo do Corinthians e vira decisivo no Cruzeiro bicampeão

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Enrico Bruno

Do UOL, em Belo Horizonte

21/04/2019 07h15

Em menos de quatro meses depois de voltar ao Brasil, Marquinhos Gabriel é o mais novo campeão mineiro com o Cruzeiro, título alcançado na tarde de ontem após o empate por 1 a 1 que garantiu o bicampeonato celeste diante do rival Atlético-MG na grande decisão. Titular de Mano Menezes, o jogador coroou sua volta com participações diretas no time, e sai muito em alta desse estadual. Desde cedo, superou as expectativas de comissão técnica e até as desconfianças da torcida pelo passado no Corinthians, mas mostrou que pode brigar para ficar no time celeste e até bater de frente com concorrentes de peso.

Apesar de também ter sido pretendido pelo Grêmio e Athletico-PR, Marquinhos Gabriel chegou com desconfiança ao Cruzeiro. Além de não ter deixado uma boa impressão na passagem pelo Corinthians, sua última antes de deixar o Brasil, a distância para os Emirados Árabes e a baixa repercussão do futebol no país do oriente médio diminuíram ainda mais a expectativa sobre o jogador, a princípio taxado como reserva de luxo. Em suas primeiras palavras, reconheceu que esteve em baixa, mas reforçou o desejo de voltar a ser aquele jogador que ganhou os holofotes nos tempos do Santos. Em pouco tempo, apresentou números convincentes e constantes em passes, gols e participações no setor ofensivo, terminando esse Campeonato Mineiro como um dos principais nomes da equipe, senão o principal, na campanha que ainda teve ótimas participações de Fred e Rodriguinho.

Apesar das incertezas sobre o futebol de Marquinhos, Mano Menezes já estava observando o meia há mais tempo no exterior. Quando indicou o reforço, a ideia do técnico era trazer um atleta com características novas. O acerto ficou evidente já nos primeiros jogos que o meia se destacou por dar mais amplitude e versatilidade ao time. Nos compromissos seguintes, vieram os dribles curtos e a eficiência nos passes, que raramente chegam mal feitos aos companheiros. Na primeira final, foi dele o primeiro gol que abriu caminho para a vitória por 2 a 1 no Mineirão. O triunfo foi importantíssimo, já que foi com ele que o Cruzeiro pegou a vantagem e ficou com o título no segundo jogo.

Mesmo com pouco tempo de casa, Marquinhos também mostrou bastante facilidade de adaptação que outros recém-chegados, como Rodriguinho. O calendário mais folgado no ex-clube e as férias vividas no final do ano passado passaram a falsa impressão que ele iria demorar a engrenar. Mas o entrosamento foi quase que imediato, e o meia encaixou no time como se já estivesse jogando há mais tempo na equipe. Do quarteto ofensivo celeste, Fred foi com quem mais Marquinhos se entendeu, contribuindo diretamente para o sucesso do centroavante, que terminou como artilheiro do campeonato.

"Herdeiro" de Arrascaeta no lado esquerdo do campo, Marquinhos Gabriel ainda terminou o Mineiro dando uma boa dor de cabeça para Mano Menezes. No início do ano, seu principal concorrente era David, considerado o substituto ideal do uruguaio. Correndo por fora, estava Rafinha, que nunca se firmou como titular, mas sempre foi utilizado e se tornou uma espécie de 12º jogador. Agora campeão como titular, sua briga vai esquentar ainda mais com a chegada de Pedro Rocha. Recém contratado, o garoto já participou das duas finais do Mineiro e tem tudo para receber novas oportunidades no Brasileirão e na fase de mata-mata da Libertadores, quando já estará disponível para ser inscrito.