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Os segredos da ótima fase de Ederson. Um deles é se inspirar em Ceni

Herói, Ederson se diz adaptado ao City: "falta o idioma, o resto eu peguei" - Dave Thompson/AP
Herói, Ederson se diz adaptado ao City: "falta o idioma, o resto eu peguei" Imagem: Dave Thompson/AP

Caio Carrieri

Especial para o UOL, em Manchester

19/10/2017 04h00

Rogério Ceni se aposentou como jogador há quase dois anos, mas o legado deixado como revolucionário da posição, pela apurada qualidade técnica com os pés, além da capacidade debaixo das traves, segue como referência para as novas gerações. Em excelente fase no Manchester City e com vaga encaminhada para a Copa da Rússia, Ederson tem o ex-goleiro do São Paulo como principal referência na posição.

“É meu único ídolo e sempre vai ser a minha principal inspiração. Ainda vejo muitos vídeos dele, tanto de defesas quanto de saída de bola. A qualidade que ele tinha era impressionante”, revelou ao UOL Esporte.

Sempre posicionado bem adiante da meta, o atleta de 24 anos participa constantemente da (re)construção das jogadas do City, algo que Ceni fazia com frequência no Morumbi. Somada à agilidade com as mãos, a eficiência com a bola no chão foi decisiva para Josep Guardiola contratá-lo do Benfica-POR por R$ 145 milhões na última janela de transferências e colocá-lo como titular imediatamente. Na Premier League, por exemplo, ele lidera o quesito de passes certos entre os goleiros, com 84,6% de aproveitamento.

O “pacote” Ederson – rapidez debaixo das traves, precisão nos toques de bola e reposição de jogo rápida e eficaz – é primordial para o estilo de jogo de Guardiola, com as linhas do time adiantadas. Quando a equipe tem a posse, o goleiro se coloca quase fora da área, pronto para intervir em caso de contra-ataque do adversário.

Foi assim na última terça-feira, na vitória por 2 a 1 sobre o Napoli-ITA. O placar estava inalterado, e o brasileiro cortou de cabeça lançamento perigoso para o ataque italiano. Em atuação de gala, o dono absoluto da posição ainda defendeu um pênalti cobrado por Mertens. A exibição decisiva garantiu o City 100% após três rodadas do grupo F da Liga dos Campeões e encaminhou a classificação para as oitavas de final.

Uma semana inesquecível para Ederson, que sete dias antes havia estreado pela seleção brasileira, na goleada por 3 a 0 sobre o Chile, no Allianz Parque. Com o Brasil já classificado para o Mundial de 2018 como líder das eliminatórias sul-americanas, o técnico Tite e Claudio Taffarel, preparador de goleiros, decidiram dar a primeira chance ao reserva de Alisson, goleiro da Roma-ITA.

“Vai ficar marcado para sempre na minha memória, porque tive a oportunidade de jogar na minha cidade, com toda a minha família vendo. Foi mais um objetivo alcançado na minha carreira e que me deixou muito feliz. Apesar de já estarmos com a vaga, jogamos com a mesma seriedade e com o objetivo de ganhar”.

A seleção já havia ajudado Ederson a realizar outro sonho: o de conhecer Rogério Ceni. Embora tenha sido cortado por lesão da Copa América Centenário, em 2016, o jogador participou de parte da preparação para o torneio e conversou com a lenda são-paulina, convidada como auxiliar pontual da comissão técnica de Dunga na ocasião.

“Foi a primeira vez que pude encontrá-lo”, relembra, com um sorriso de fã. “Nossa, fiquei pasmo de ver meu ídolo na minha frente. Estava sem palavras “pô, é o Rogério Ceni!”. É uma boa pessoa, um grande profissional e continuo torcendo pela carreira dele de treinador”.

O pupilo de Guardiola bem que tentou seguir os passos de Ceni no São Paulo. Ficou quatro anos na base do clube, mas acabou dispensado aos 15. Transferiu-se ainda adolescente para o Benfica-POR, mas passou por clubes menores do futebol português antes de se estabelecer no Estádio da Luz.

Tímido, Ederson não é muito afeito a entrevistas. Ao invés de microfones, o futebol fala por ele. E os pés também.

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