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Perto de ser privatizado, autódromo dá lucro à prefeitura de São Paulo

Vista do camarote de Interlagos  - Luiza Oliveira/UOL
Vista do camarote de Interlagos Imagem: Luiza Oliveira/UOL

Demétrio Vecchioli

Colaboração para o UOL

14/05/2019 14h47

A Câmara dos Vereadores de São Paulo pode votar ainda esta semana um projeto de lei do prefeito Bruno Covas (PSDB) que autoriza a prefeitura a conceder o autódromo de Interlagos à iniciativa privada. Caso de fato consiga privatizar o equipamento, Covas estará abrindo mão de um local que dá lucro às contas públicas. Só no ano passado, a receita de Interlagos com locações foi 58% maior do que a despesa com manutenção.

Desde o início da atual gestão tucana na prefeitura de São Paulo, quando o prefeito ainda era João Doria (PSDB), o executivo municipal vem defendendo a privatização de espaços públicos alegando que eles são deficitários. É esse o grande argumento da prefeitura, por exemplo, para conceder o Complexo Esportivo do Pacaembu à iniciativa privada. No ano passado, o equipamento custou R$ 9 milhões e teve receita de 2 milhões.

Com Interlagos, porém, é diferente. Dados da prefeitura de São Paulo mostram que em 2018 o autódromo teve receita de R$ 7,3 milhões, com despesas na ordem de R$ 4,6 milhões. Também no ano anterior o equipamento já havia sido superavitário, com receita de R$ 6,6 milhões e despesa de R$ 4,5 milhões.
Isso porque, desde 2015, pelo menos, a receita do autódromo vem crescendo ano a ano. Em quatro anos, o crescimento é de 78%. Ao mesmo tempo, o custo de manutenção vem caindo ao a ano, também. No período, a despesa foi reduzida em 43%.

Oficialmente, a prefeitura alega que o autódromo é deficitário, porque o governo inclui nas contas os gastos com reformas. Mas a maior parte desse dinheiro vem do Ministério do Turismo, do governo federal, que em 2013 assinou um termo de compromisso para repassar então R$ 160 milhões à prefeitura para essas reformas - liberado aos poucos, esse valor sofreu valorização enquanto estava em posse da Caixa Econômica Federal.

Desde o mês passado, Interlagos recebe a última fase da reforma, orçada em R$ 38,3 milhões, integralmente paga pelo Ministério do Turismo. Na dotação específica de "ampliação, reforma e requalificação" do autódromo, a prefeitura empenhou R$ 39,6 milhões em 2019. Tirando a parte bancada pelo governo federal, resta R$ 1,3 milhões para o governo municipal pagar.

O GP Brasil é uma das duas únicas corridas (a outra é o GP de Mônaco) que não precisa pagar uma taxa anual à empresa que é dona da Fórmula 1, em média 25 milhões de euros (quase R$ 111 milhões). Assim, os investimentos feitos em Interlagos são a contrapartida da prefeitura de São Paulo pela renovação de contrato ocorrida em abril de 2014. Desde então e até o fim de 2019, terão sido gastos (de recursos municipais e federais) R$ 196 milhões.

Em entrevista coletiva na semana passada, Bruno Covas disse que os gastos com as reformas são compensados pela receita gerada pelo GP. "Esse evento traz 334 milhões de reais para a cidade de São Paulo. Esse é o limite do benefício. E aí a gente analisa os prós e os contras, os custos e receitas de ter um evento na cidade de São Paulo. Por enquanto ele é muito rentável para a cidade. É melhor fazer um evento como esse, gastando o que a prefeitura gasta para fazer as intervenções, porque ele gera emprego e renda para a cidade. Esse é o nosso teto, esse é o nosso limite", afirmou.

77 contratos
Só no ano passado, a SPTuris firmou 77 contratos de locação do Autódromo de Interlagos, contra 113 do ano de 2017 e 136 em 2016. Esses contratos incluem desde utilização do espaço para gravação de reportagens de programas de televisão até provas de corrida como a Stock Car (carros de turismo) e Superbike (motociclismo).

Só a promotora da Porsche GT3 Cup pagou à prefeitura mais de R$ 629 mil para realizar seis etapas de seu campeonato em Interlagos. Dona da Stock Car, a Vicar utilizou o autódromo por 12 dias, entre montagem e desmontagem de sua etapa paulistana. Pagou R$ 292 mil. Já a Superbike utilizou Interlagos para sete de suas 10 etapas das temporada 2018. Só ela rendeu R$ 878 mil à prefeitura.

Diversas montadoras também utilizaram o espaço para gravação de comerciais e para eventos. A Ford, por exemplo, gastou R$ 107 mil para alugar o autódromo para a apresentação de um carro. Já uma corrida de rua foi cobrada em R$ 59 mil para usar o percurso de Interlagos.

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