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Os 5 motivos que fizeram Ricciardo tomar "decisão mais difícil da carreira"

Daniel Ricciardo no primeiro treino livre para o Grande Prêmio da Alemanha - Andrej Isakovic/AFP
Daniel Ricciardo no primeiro treino livre para o Grande Prêmio da Alemanha Imagem: Andrej Isakovic/AFP

Julianne Cerasoli

Do UOL, em Londres (ING)

07/08/2018 06h37

Por que um piloto que chegou a negociar com a Ferrari vai trocar uma equipe com a qual já venceu por duas vezes neste ano e que tem 223 pontos no campeonato por uma que não chega ao pódio desde 2011? Um misto de insatisfação com o tratamento na Red Bull e uma aposta no futuro da Renault explica a decisão de Daniel Ricciardo de correr pela equipe francesa a partir de 2019.

A surpreendente troca foi anunciada na semana passada. Na Renault, Ricciardo será companheiro de Nico Hulkenberg, enquanto a vaga ao lado de Max Verstappen na Red Bull ainda não foi preenchida.

“Nos 29 anos em que estou vivendo nessa Terra, foi na verdade uma das decisões mais difíceis que já tomei”, disse Ricciardo. “Estou triste de ir embora. Foi uma jornada incrível de 10 anos na Red Bull, desde que entrei no programa de jovens pilotos em 2008. Estou agradecido e nunca vou esquecer desta jornada. Mas estou animado com o desafio na Renault. Pessoalmente, senti que era o momento certo de seguir em frente e começar de novo em outro lugar.”

Mas quais foram os grandes motivos para Ricciardo trocar a Red Bull pela Renault?

Desconfiança no projeto da Honda: Ricciardo não acredita que os japoneses vão evoluir o suficiente para que a Red Bull sequer mantenha o rendimento que vem tendo neste ano, em que é equipada pelo motor Renault. Atualmente, a Honda fornece motores para a Toro Rosso e, ainda que seja notável a evolução em relação aos três anos que os japoneses passaram com a McLaren, sua unidade de potência ainda não é tão forte quanto as demais e tem menos confiabilidade. Com pouco mais da metade da temporada disputada (12 provas de 21), Brendon Hartley já usou seis motores e Pierre Gasly, cinco. O limite é três por ano, por piloto.

Preferência a Verstappen: Ricciardo é o companheiro do holandês pelo terceiro ano seguido e, como nas temporadas anteriores, está na frente no campeonato (118 pontos a 105). Mesmo assim, viu Verstappen renovar seu contrato por três anos em 2017 por um salário milionário. Mais do que isso, o australiano teria pedido ao comando do time garantias de que seria tratado com igualdade internamente, mas não as conseguiu. Mesmo sendo um piloto mais consistente, o australiano não é visto da mesma forma como o prodígio Verstappen, que tem nove anos a menos que o atual companheiro.

Exemplo de campeão: O inglês Lewis Hamilton foi muito questionado quando decidiu trocar a McLaren pela Mercedes no final de 2012. Afinal, o time inglês era dono de um dos melhores carros do grid, enquanto os alemães tinham conquistado apenas uma vitória desde seu retorno à categoria, dois anos antes. Mas Hamilton enxergou o potencial de crescimento da Mercedes na mudança de regulamento que já estava acertada para 2014. A aposta, claro, deu certo e o inglês venceu três campeonatos nos últimos quatro anos. A Renault, por sua vez, vem investindo pesado desde seu retorno, em 2015, e chegará ao final deste ano com cerca de 700 funcionários e estrutura parecida à de Mercedes e Ferrari. E a F-1 passará por uma mudança menor de regulamento em 2019 e outra mais extensa em 2021.

Tempo de contrato: Até por não confiar no projeto da Honda, Ricciardo queria um contrato que lhe desse a liberdade de sair no final do ano que vem. A Red Bull, contudo, queria fechar por dois anos. Na Renault, Ricciardo acabou fechando até 2020, mas o acordo lhe permite sair no final do ano que vem.

Aumento de salário: Um dos motivos de descontentamento de Ricciardo na Red Bull era o fato de seu companheiro Verstappen ter sido bastante valorizado na renovação de seu contrato e ele, mesmo tendo resultados melhores, não conseguir um acordo tão lucrativo quanto o holandês. Na Renault, por sua vez, comenta-se que o australiano receberá US$ 20 milhões (cerca de R$ 74,6 milhões) por ano, o que o coloca em nível semelhante a Verstappen.

Antes de ir para a casa nova, Ricciardo ainda tem nove etapas para disputar no campeonato deste ano, no qual é o quinto colocado, com 118 pontos, logo à frente de Verstappen. A tabela é liderada por Lewis Hamilton, que tem 213 e é seguido por Sebastian  Vettel, com 189. A próxima etapa da Fórmula 1 será disputada na Bélgica, no dia 26 de agosto.

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