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Atriz e roteirista global, Suzana Pires quer capacitar mil empreendedoras

A atriz Suzana Pires criou o Instituto Dona de Si - Divulgação
A atriz Suzana Pires criou o Instituto Dona de Si
Imagem: Divulgação

Elena Wesley

Colaboração para Ecoa, do Rio de Janeiro (RJ)

13/03/2021 04h00

Ela surpreendeu o público na novela "Fina Estampa" quando ressurgiu como Joana para questionar Tereza Cristina (personagem interpretada por Cristiane Torloni) quanto às circunstâncias da morte da irmã gêmea Mariana. Mas é fora das telas que a atriz Suzi Pires, nascida Suzana Pires de Carvalho, se reinventa para ajudar mulheres a vencerem preconceitos e inseguranças que prejudicam suas carreiras e negócios.

Tudo começou em 2017, a partir de um convite para ser colunista da revista "Vogue". Na contramão de temas usuais como moda e comportamento, Suzana preferiu escrever sobre empreendedorismo. Para a escritora e roteirista, a área não era campo desconhecido. Além de formação no ramo, o conceito já fazia parte de seu dia a dia.

"Comecei a empreender desde cedo. Como atriz e autora, compreendi que teria que entender do negócio, aprender a produzir. Eu tinha vários telefones de produtores de evento e percebi que produzir era empreender minha própria carreira", lembra Suzi, única atriz da TV Globo a assinar uma novela, "Sol Nascente", exibida em 2016.

Sobrecarga, misoginia e solidão são os principais entraves ao sucesso feminino

Então, Suzi passou a escrever para a "Vogue". Não demorou para que chovessem mensagens das leitoras da coluna. Da médica à gestora, da bombeira à autônoma, em qualquer ambiente de trabalho, os relatos demonstravam que "as mulheres têm que provar sua capacidade".

As estatísticas também não eram animadoras. De acordo com o Sebrae, as mulheres são as que mais abrem empresas e as que mais fecham após três anos. Embora apresentem menor taxa de inadimplência que os homens, recebem R$13 mil a menos em empréstimos e pagam juros mais altos.

Com base nos dados e nos relatos, Suzi mapeou os três principais obstáculos do sucesso profissional feminino: "Há uma sobrecarga com as tarefas diárias, como se existisse apenas o que ela precisa fazer, não o que ela é. Em segundo lugar, temos a misoginia, que vai prejudicá-la na hora de pedir crédito no banco e, por fim, a solidão, com a ausência de uma rede de apoio e o entendimento de que o problema acontece apenas com ela".

Adeus, Chanel! Olá, ONG!

Pires - Divulagção - Divulagção
Suzana Pires criou o Instituto Dona de Si
Imagem: Divulagção

Com um forte propósito, mas sem capital de investimento, Suzi recorreu à coleção de bolsas Chanel - um mimo que ela se autopresenteava a cada trabalho de sucesso na dramaturgia - para tirar do papel uma nova trama, na qual as mulheres pudessem se tornar empreendedoras de si mesmas. Vendidas 12 bolsas da famosa marca francesa, surgia o Instituto Dona de Si.

Com uma equipe multidisciplinar, o projeto promove uma formação de 18 meses de duração, na qual autônomas, trabalhadoras formais e líderes trabalham seu desenvolvimento pessoal e profissional. Na "Jornada Transformadora Dona de Si", as participantes pensam a saúde, a autoestima e e o autoconhecimento para adquirirem inteligência emocional. Posteriormente, elaboram o mapeamento de mercado, o plano de negócio e as estratégias de marketing, numa metodologia que faz alusão a uma árvore.

"Empreender não é saber fazer conta. É preciso levar em conta nossas vivências e a forma como o mercado nos vê. Tem mulheres com endometriose, com depressão e isso tudo influencia no trabalho. Por isso, montamos uma rede de apoio, com grupos de acolhimento e partimos do desenvolvimento pessoal para chegar ao profissional. Tem que ter as raízes bem fincadas para conseguir executar um planejamento financeiro", enfatiza.

Sororidade como protagonista

A formação tem um ano de duração e custa R$ 49,90 por mês, mas quem não tem como arcar com o investimento participa de forma gratuita, graças às Embaixadoras #DonaDeSi. O apoio vem de personalidades como a jornalista Ana Paula Araújo, as atrizes Cléo Pires e Juliana Silveira, e ainda a embaixadora da ONU Mulheres, Kenia Maria.

"Me sinto motivada por ter pessoas que eu admiro com a gente. Acredito no poder de pedir, de se juntar para fazer. E tudo isso começou com um vídeo que mandei no Whatsapp para elas. Eu disse: meninas, esse é o instituto, vocês podem ajudar mulheres a fazem a jornada de graça". E surgiu gente que eu nem conhecia, não apenas com dinheiro. Elas se envolvem, pedem relatórios, orientam quanto aos problemas nas alunas. Sororidade pra mim é isso".

Com a pandemia de covid-19, a rede de apoio precisou ser ainda mais fortalecida. O núcleo do instituto no Morro dos Prazeres, na região central do Rio, identificou que muitas mães solo não conseguiram se cadastrar no auxílio emergencial de R$ 600. A mobilização arrecadou, até agora, cerca de 15 toneladas de alimentos e produtos de limpeza, e segue em busca de doações para garantir direitos básicos: alimentação e prevenção à doença.

Final feliz para 2021: duplicar impacto

Suzana - Divulgação - Divulgação
A atriz global Suzana Pires escreve sobre empreendedorismo na revista Vogue
Imagem: Divulgação

A necessidade de distanciamento social também exigiu a adaptação da metodologia. A experiência de dois anos de curso foi digitalizada, e a formação passou a ser completamente online. A mudança deve facilitar a meta do Instituto para 2021 de acelerar mais mil empreendedoras, duplicando o total de mulheres formadas.

O ano também promete uma nova obra de Suzana Pires, mas dessa vez na literatura. A ideia é abordar a trajetória como empreendedora social que, segundo ela, sofre influência da carreira na dramaturgia e do bacharelado em Filosofia.

"A filosofia te faz propor, observar, enxergar um problema que pode surgir lá na frente. Mas eu não fiz nada sozinha, tem o compartilhar com a equipe. Quem viu que eu tinha uma metodologia para mim mesma que poderia funcionar com outras pessoas foi a nossa psicóloga e gestora de projetos. Sinto que o Dona de Si é uma semente que reguei a vida toda".