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Robôs e cidades inteligentes: montadoras querem ir além de vender carros

Daniel Neves e Ricardo Ribeiro

Do UOL, em Las Vegas (EUA)*

09/01/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Inovações mostradas no CES mostram que montadoras querem ampliar área de atuação
  • Marcas buscam atuar em outras frentes de mobilidade, como monitoramento de trânsito
  • Ford apresentou robô autônomo voltado a entregas que carrega caixas de até 20 kg

Se há alguns anos bastava ter um bom carro para chamar a atenção dos consumidores e fechar as contas no azul, a realidade das montadoras passa por uma mudança radical. E isso ficou claro na participação maciça de boa parte das principais marcas do mercado automotivo na CES, principal feira de tecnologia do mundo, realizada nesta semana em Las Vegas (EUA).

Marcas como Ford, Mercedes, Hyundai, Nissan, FCA, Toyota, Honda e Audi não só voltaram, como cresceram seus espaços e quantidade de produtos expostos, dominando o pavilhão norte. E, sejamos justos, também atrair muito movimento de visitantes.

Não são novidades as pesquisas que apontam um desinteresse do público mais jovens por carros. Uma geração Z, que na pegada dessa espiral de avanço tecnológico Black Mirror e veganismo, estaria olhando mais para smartphones e energia solar do que para automóveis e gasolina.

A CES surge como um espaço ideal para se comunicar de forma eficiente com esse público. Até porque o carro está mudando. É verde e tec. É cada vez mais computador e menos veículo.

"O nosso trabalho é criar o futuro e o futuro definitivamente não é indústria automobilística pura. O futuro é a interação de toda a mídia moderna e de toda as coisas legais que estão por aí, muitas delas digitais", afirma Gorden Wagener, chefe mundial de design da Mercedes - que apresentou um carro conceito inspirado no filme Avatar.

"Eu não concordo realmente que pessoas jovens não estão realmente interessadas em carros. Mas, é claro, eles estão vivendo em um ecossistema digital e estão sempre online. O que temos que fazer é expandir o significado de carro e foi o que fizemos".

Esta expansão passa por projetos que vão muito além da produção de veículos mais modernos e tecnológicos, com a participação ativa das marcas na elaboração de cidades inteligentes e de novas soluções de mobilidade.

A Ford apresentou seu projeto-piloto para reduzir congestionamentos nas grandes cidades. Aplicado em Ann Arbor, no estado de Michigan, o programa coleta dados enviados pelos próprios veículos inteligentes para detectar cruzamentos com maior índice de freadas bruscas e colisões. As informações alimentam um sistema de inteligência artificial que permite a elaboração de estratégias para as áreas mais complicadas.

Daniel Neves/UOL
Imagem: Daniel Neves/UOL

"Bill Ford, nosso chairman, disse: o modelo de mobilidade que temos hoje não vai funcionar no futuro. Não se trata apenas de colocar carros inteligentes na rua. É preciso veículos inteligentes num mundo inteligente e isso significa trabalhar com as cidades", disse Bill Frykman, diretor de Inovação e Mobilidade da Ford.

"Vemos oportunidade de vender essa ferramenta para cidades, assim há uma oportunidade de receita. Mas realmente faz parte de uma visão maior. Nós vemos a Ford tendo um papel nesse ecossistema de mobilidade. O cenário da mobilidade realmente vai mudar e queremos ter certeza que a Ford será capaz de atender a essas necessidades", completou.

A Toyota também apresentou seu projeto de cidade inteligente, que ocupará área de 71 hectares aos pés do Monte Fuji. Batizada de "Woven City", algo como "Cidade de Tecido" ou "Cidade Interligada", terá energia elétrica proveniente de células de hidrogênio e um "ecossistema totalmente conectado".

O tráfego na cidade deverá ser organizado de acordo com três categorias de mobilidade: uma área exclusiva para veículos mais rápidos; outra para veículos mais lentos, pedestres e equipamentos para deslocamento individual; e outra apenas para deslocamento a pé.

Robô entregará suas encomendas

Daniel Neves/UOL
Imagem: Daniel Neves/UOL

Ainda na linha "tecnologia Black Mirror", a Ford apresentou Digit, seus primeiros robôs autônomos desenvolvidos em parceria com a Agility Robotics. Com braços e pernas capazes de interagir com os humanos, conseguem carregar pacotes de até 20 kg e foram desenhados para atender ao processo de logística, participando da etapa inicial ou final de entregas.

A ideia é que o Digit esteja conectado com carros autônomos desenvolvidos pela marca. Na prática: o carro sem motorista chega à casa do cliente e o robô desce do veículo para efetuar a entrega. O Digit já está sendo produzido comercialmente e tem a própria montadora como primeira cliente.

"À medida que o varejo online continua crescendo, acreditamos que os robôs ajudarão nossos clientes comerciais a construir negócios mais fortes, tornando as entregas mais eficientes e acessíveis para todos", diz Ken Washington, vice-presidente de Pesquisa e Engenharia Avançada da Ford e diretor de tecnologia.

* Viagem a convite da Ford e da Mercedes-Benz

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