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Ghosn afirma ter provas de que sofreu um golpe, diz TV dos EUA

Ghosn em entrevista à imprensa quando ainda era CEO da Renault-Nissan - Eric Piermont/AFP
Ghosn em entrevista à imprensa quando ainda era CEO da Renault-Nissan Imagem: Eric Piermont/AFP

Do UOL, em São Paulo

06/01/2020 13h49

Resumo da notícia

  • Ex-CEO da Renault-Nissan teria feito afirmação à jornalista da Fox Business
  • Ghosn teria ameaçado "entregar" nomes de pessoas que queriam prejudicá-lo
  • Brasileiro voltou a dizer que se sentia injustiçado no Japão

O ex-presidente da Nissan Carlos Ghosn teria afirmado à apresentadora de TV Maria Bartiromo, da norte-americana Fox Business, que possui "provas reais" e documentos que comprovam que ele foi vítima de um golpe, com a participação de integrantes do governo japonês. Acusado de má conduta financeira, o executivo franco-brasileiro fugiu do Japão no fim de 2019.

No fim de semana, segundo Bartiromo, Ghosn disse a ela que planeja indicar, nos próximos dias, os nomes das pessoas que armaram contra ele e que provocaram sua prisão em 2018. Ghosn acredita que "eles queriam eliminá-lo" porque ele iria fundir a Nissan com a Renault e vai fazer uma entrevista coletiva entre quarta e quinta-feira.

O empresário estava em liberdade condicional e fugiu do Japão no dia 29 de dezembro. Câmeras de segurança registraram os momentos em que ele deixa sua casa em Tóquio e, horas mais tarde, aparece na estação de trem de Shinagawa.

De acordo com a agência Reuters, Ghosn pegou um trem para Osaka, de onde partiu de carro até o aeroporto internacional da cidade e embarcou em um jato particular para o Líbano.

Segundo Bartiromo, Ghosn afirmou que desistir de seu posto como CEO o colocou em uma "posição perigosa" e ele acredita que deveria ter deixado o Japão, em vez de formar um sistema de apoio a seu sucessor, Hiroto Sakawa.

Ghosn também disse à jornalista que ele estava "realmente nervoso e chateado" por não entender a injustiça do sistema judicial japonês, já que foi impedido de falar com a esposa.

Ele teria afirmado que se recusou a ficar em seu apartamento sob vigilância sabendo que não teria um julgamento justo, mas que está disposto a ser ouvido em qualquer tribunal que não seja no Japão.

Em abril, a esposa de Ghosn disse à Fox Business que seu marido estava com problemas de saúde e sofrendo condições adversas enquanto estava encarcerado.

Proibido de deixar o Japão

Carlos Ghosn estava proibido de deixar o Japão enquanto aguardava julgamento por quatro acusações, incluindo ocultação de renda e enriquecimento pessoal por meio de pagamentos a concessionárias de veículos no Oriente Médio, as quais ele nega, mas fugiu no final de 2019 para escapar do que chamou de sistema judicial "fraudulento".

Promotores agora estão trabalhando com a polícia para traçar a rota de Ghosn e descobrir quem o ajudou, informou a agência Kyodo.

Hoje, na primeira entrevista coletiva do governo japonês desde sua fuga, a ministra da Justiça, Masako Mori, disse que, como princípio geral, o Japão poderia solicitar a extradição de um suspeito de um país com o qual não tem acordo formal de extradição.

O pedido precisaria ser cuidadosamente examinado com base na possibilidade de "garantir a reciprocidade e a lei nacional do país parceiro", explicou Mori a repórteres em Tóquio.