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Mapa 3D revela mil quilômetros de corredeiras no subsolo de Marte

Gráfico mostra localização do sistema de canais com mil quilômetros de comprimento abaixo da planície Elysium, que fica na região de Marte Vallis, em Marte - Nasa/MOLA Team/Smithsonian Institution
Gráfico mostra localização do sistema de canais com mil quilômetros de comprimento abaixo da planície Elysium, que fica na região de Marte Vallis, em Marte Imagem: Nasa/MOLA Team/Smithsonian Institution

Do UOL, em São Paulo

07/03/2013 16h00

Marcas "recentes e profundas" de corredeiras foram encontradas, pela primeira vez, debaixo do solo de um dos maiores vales de Marte, segundo estudo publicado nesta quinta-feira (7) na revista Science.

O sistema de canais tem mil quilômetros de comprimento, o dobro do previsto, e traz evidências de que ocorreu uma inundação abaixo da planície Elysium, que fica na região Vallis de Marte.

Pesquisadores da Nasa (Agência Espacial Norte-America) e do Instituto  Smithsonian afirmam que a descoberta pode ajudar não só a compreender a recente atividade hidrológica, há cerca de 500 milhões de anos no planeta vermelho, mas também a determinar se essas cheias foram responsáveis pelas mudanças do clima do nosso vizinho – conhecido por ser desértico há, pelo menos, 2,5 bilhões de anos.

"A fonte das enchentes sugere que elas se originaram em um profundo reservatório de água no subsolo e que foram lançadas [para a superfície] a partir de atividades tectônicas ou vulcânicas locais", explica Gareth Morgan, geólogo do Smithsonian e principal autor do artigo. "Este trabalho demonstra a importância de compreender como a água moldou a superfície de Marte."

O grupo descobriu que o processo de erosão foi subestimado após usar dados do radar a bordo da Mars Reconnaissance Orbiter, sonda da Nasa que orbita Marte desde 2006, para fazer uma reconstrução 3D do planeta. Segundo eles, os canais do subsolo têm o dobro da profundidade prevista anteriormente.

Os cientistas demoraram a encontrar a fonte desse grande sistema de canais devido à intensa atividade vulcânica de Marte. Morgan afirma que a lava encobriu boa parte dos registros geológicos por centenas de milhões de anos, comprometendo as previsões feitas até então.