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Estrelas com massas diferentes nascem da mesma forma, confirmam astrônomos

Concepção artística mostra nuvem de poeira ao redor de estrela em formação; veja no álbum - AFP/ESO
Concepção artística mostra nuvem de poeira ao redor de estrela em formação; veja no álbum Imagem: AFP/ESO

Da Redação

14/07/2010 14h58

Astrônomos obtiveram a primeira imagem de uma disco de poeiras que rodeia uma estrela bebê de grande massa, uma evidência direta de que essas estrelas maiores que o nosso Sol se formam da mesma maneira que suas "irmãs" menores.

A descoberta, feita graças à combinação de observações obtidas por vários telescópios do Observatório Europeu do Sul (ESO), aparece descrita em artigo que sai esta semana na revista Nature.

“As nossas observações mostram um disco em torno de uma estrela jovem de grande massa, que acaba de se formar,” diz Stefan Kraus, que liderou este estudo. “Podemos dizer que este bebê está prestes a sair do ovo!”

A equipe de astrônomos observou um objeto conhecido como Iras 13481-6124. Com cerca de vinte vezes a massa do nosso Sol e cinco vezes o seu raio, a jovem estrela, que se encontra ainda rodeada pelo seu casulo pré-natal, situa-se na constelação do Centauro, a cerca de 10.000 anos-luz de distância.

A partir de imagens de arquivo obtidas com o Telescópio Espacial Spitzer, da Nasa (agência espacial americana) e com o telescópio Apex, os astrônomos descobriram a presença de um jato. “Tais jatos são observados frequentemente em torno de estrelas jovens de pequena massa e geralmente indicam a presença de um disco,” diz Kraus, em comunicado divulgado pelo ESO.

Os discos são o ingrediente essencial no processo de formação de estrelas de pequena massa. No entanto, os cientistas não sabiam se tais discos estão igualmente presentes durante a formação de estrelas de massa dez vezes maior que a do nosso Sol, pois a forte radiação emitida poderia impedir que a massa fosse atraída pela estrela. Foi proposto, inclusive, que as estrelas de grande massa seriam o resultado da fusão de estrelas menores.

Com ajuda dos telescópios do ESO, Kraus e os colegas conseguiram detectar um disco em torno de Iras 13481-6124.

“Esta é a primeira vez que conseguimos imagens das regiões interiores do disco em torno de uma estrela jovem de grande massa”, diz Kraus. “As nossas observações mostram que a formação funciona do mesmo modo para todas as estrelas, independentemente da massa.”

Os astrônomos concluíram que o sistema tem cerca de 60.000 anos de idade, e que a estrela atingiu sua massa final. Devido à imensa radiação da estrela - que é 30.000 mais brilhante que o nosso Sol - o disco começará a se evaporar. O disco estende-se até cerca de 130 vezes a distância entre o Sol e a Terra . Eles também descobriram que a parte interior do disco parece ser desprovida de poeira.

“Observações futuras feitas com o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (Alma), atualmente em construção no Chile, poderão fornecer muito mais informação sobre as zonas interiores do disco, permitindo-nos assim compreender melhor como é que as estrelas bebés de grande massa engordaram,” conclui Klaus.