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Sonda Cassini detecta tempestades de poeira em Titã, uma das luas de Saturno

25/09/2018 20h20

Redação Central, 25 set (EFE).- Uma das luas de Saturno, Titã, tem o que "parecem ser gigantescas tempestades de poeira" na região equatorial, segundo dados coletados pela sonda Cassini entre 2004 e 2017, informou a Agência Espacial Europeia (ESA) nesta terça-feira.

Com a descoberta, Titã passa a ser o terceiro corpo do Sistema Solar, junto com Terra e Marte, onde este tipo de tempestade foi observado.

"Titã é um satélite muito ativo", disse Sebastien Rodriguez, astrônomo da Universidade Paris Diderot e principal autor do estudo.

Nos grandes campos de dunas ao redor do equador de Titã, moléculas orgânicas complexas que são resultado da química atmosférica são levantadas e, ao atingirem tamanho suficiente, voltam a cair na superfície.

"Titã é um mundo intrigante - de uma maneira bastante semelhante à Terra", diz o estudo, já que ela é a única lua do Sistema Solar com uma atmosfera substancial e o único corpo celeste, além do nosso planeta, no qual se sabe que ainda existem massas estáveis de líquido na superfície.

Por outro lado, Titã tem uma diferença significativa: enquanto os rios, lagos e mares da Terra estão cheios de água, o que corre pelos leitos de Titã são, principalmente, metano e etano. Neste ciclo único do metano, as moléculas do hidrocarboneto evaporam, se condensam em nuvens e voltam a cair na superfície.

Na primeira vez em que Sebastien e sua equipe detectaram no equador de Titã três "chamativas manchas brilhantes" nas imagens de infravermelho registradas por Cassini ao redor do equinócio boreal de 2009, acreditaram que se tratava de nuvens de metano. Porém, ao se aprofundarem na pesquisa, viram que se tratava de algo completamente diferente.

"Do que sabemos sobre a formação de nuvens em Titã, podemos dizer que essas nuvens de metano, nesta área e nesta época do ano, não são fisicamente possíveis", afirmou Sebastien.

"A modelação também mostrou que as características devem ser atmosféricas, mas ainda próximas da superfície - muito provavelmente formando uma camada muito fina de minúsculas partículas orgânicas sólidas. Uma vez que estavam localizadas sobre os campos de dunas ao redor do equador de Titã, a única explicação restante era que os pontos eram, na realidade, nuvens de poeira levantadas a partir das dunas", concluiu o estudo.