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Nasa envia sonda à Lua para estudar sua fina atmosfera

7.set.2013 - A sonda Ladee (Lunar Atmosphere and Dust Ambiente Explorer), da Nasa é lançada do centro espacial Wallops, na costa do Estado americano da Virgínia  - Divulgação/Nasa/Instagram
7.set.2013 - A sonda Ladee (Lunar Atmosphere and Dust Ambiente Explorer), da Nasa é lançada do centro espacial Wallops, na costa do Estado americano da Virgínia Imagem: Divulgação/Nasa/Instagram

07/09/2013 01h11

A Nasa lançou nesta sexta-feira (6) uma nova sonda na órbita da Lua para descobrir os segredos de sua fina atmosfera, o que contribuirá para uma compreensão melhor de outros objetos do Sistema Solar, como os grandes asteroides.

O lançamento desta nave espacial não tripulada, do tamanho de um pequeno carro e denominada Ladee (Lunar Atmosphere and Dust Ambiente Explorer), deixou um rastro vermelho no céu noturno a partir de um foguete Minotaur V, um míssil intercontinental adaptado. A decolagem ocorreu às 23h27 local (0h27 de Brasília), do Centro Espacial Wallops na costa da Virgínia.

Com 383 quilos de peso e equipada com três instrumentos científicos, inclusive dois espectrômetros, a sonda Ladee coletará dados detalhados sobre a estrutura e a composição química da atmosfera lunar, que é muito fina, e determinará se a poeira permanece em suspensão.

A poeira em suspensão poderia explicar o mistério das luzes observadas pelos astronautas da missão Apolo, entre 1969 e 1972, no horizonte lunar logo antes do amanhecer, disse a Nasa.

Uma melhor compreensão das características da atmosfera do vizinho celeste mais próximo da Terra poderia ajudar os cientistas a entender outros objetos do sistema solar, como o planeta Mercúrio ou grandes asteroides, explicaram os especialistas a cargo desta missão de US$ 280 milhões, iniciada em 2008.

Nasa lancará sonda para investigar poeira lunar

"Quando deixamos a Lua, há quarenta anos, pensávamos que era uma superfície menos antiga, sem atmosfera", disse John Grunsfeld, administrador associado da Nasa e encarregado de missões científicas. "Graças às sondas de reconhecimento, descobrimos que a Lua é cientificamente muito mais interessante, que continua evoluindo e, de fato, tem uma espécie de atmosfera", acrescentou. Para ele, esta missão "poderia ajudar a entender melhor a diversidade do nosso sistema solar e sua evolução".

Mas o estudo da atmosfera lunar deve ser feito sem demora antes que as missões de exploração alterem este entorno frágil, disse esta quinta-feira, durante coletiva de imprensa, Sarah Nole, cientista do programa Ladee. De fato, a atmosfera lunar é tão fina e frágil que um trem de aterrissagem poderia afetá-la, advertiu.

O interesse da China

Vários países, especialmente a China, manifestaram a intenção de ir à Lua. Pequim anunciou na semana passada o lançamento de um módulo de aterrissagem no final de 2014.

Um mês depois de seu lançamento, a sonda Ladee permanecerá os primeiros 40 dias muito acima da superfície lunar para realizar uma série de testes. Usará uma nova tecnologia a laser de transmissão tão potente quanto a das redes de fibra óptica terrestre. Depois começará sua missão de estudo científico da atmosfera lunar durante cem dias.

A última missão da Nasa para a Lua foi em 2012 com o lançamento das sondas gêmeas Grail para desvendar os segredos do interior lunar e medir sem campo gravitacional. Antes disso, em 2009, os Estados Unidos lançaram as duas sondas LRO/LCROSS, que confirmaram a presença de água em forma de gelo em uma cratera no polo sul da Lua.

Astronautas americanos pisaram pela primeira vez na Lua em 1969; os últimos exploradores da era Apolo visitaram o satélite natural da Terra em 1972. A Nasa não tem planos de enviar uma missão tripulada para a Lua.

A sonda Ladee foi concebida quando a agência espacial americana tinha previsto voltar a enviar humanos à Lua como parte do programa Constellation, que o presidente Barack Obama cancelou por ter um orçamento alto demais e ser redundante em seus objetivos.

O próximo projeto de exploração humana da Nasa busca enviar humanos a Marte para a década de 2030.

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