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'Hobbits' de ilha na Indonésia encolheram para sobreviver, diz estudo

Em Paris

16/04/2013 21h21Atualizada em 17/04/2013 12h58

Talvez tenha sido porque suas atividades não floresceram em sua ilha da Indonésia, há mais de 12 mil anos, que os chamados "hobbits" de Flores viraram anões, reduzindo o perfil de suas ambições para sobreviver melhor em um ambiente de recursos limitados, afirma um estudo publicado nesta quarta-feira (17).

Com cerca de 1 metro e 25 quilos, o Homo floresiensis, que viveu na ilha de Flores, era, ainda, dotado de uma cabeça incomumente pequena em comparação com o corpo, contendo um cérebro de tamanho similar ao de um chimpanzé.

Apelidados de "hobbits", em alusão aos pequeninos personagens da saga "O Senhor dos Anéis", do escritor J.R.R Tolkien, sua origem e sua anatomia são o cerne de uma controvérsia desde a descoberta de alguns fósseis em 2003. Eles são uma espécie à parte ou eram descendente de outros hominídeos?

Segundo cientistas japoneses, que fizeram um scanner tridimensional do crânio de um desses indivíduos, o hobbit de Flores seria um puro produto da evolução local, um descendente perdido do Homo erectus, que teria progressivamente encolhido através das gerações para adaptar suas necessidades aos recursos pouco abundantes no local.

Cérebro menor

  • Thomas Sutikna, do Centro de Arqueologia da Indonésia, em Jacarta, mostra o pequeno crânio de um "Homo floresiensis", em outubro de 2004

Este fenômeno de "nanismo insular" já é bem conhecido entre os animais. Os hipopótamos pigmeus que viveram antigamente em Madagascar, ilha na África, apresentavam também um cérebro 30% menor em proporção ao seu tamanho.

E graças aos vestígios encontrados em uma caverna, sabe-se que o Homo floresiensis caçava e comia elefantes pigmeus que, certamente, passaram pelo mesmo fenômeno evolutivo.

"É possível que um Homo erectus [da ilha] de Java tenha migrado para uma ilha isolada e evoluído como Homo floresiensis em razão de um nanismo insular marcado", avaliou Yousuke Kaifu, do Museu Nacional da Natureza e da Ciência de Tóquio, que publica seus trabalhos na revista britânica Proceedings of the Royal Society B.

O volume reduzido do cérebro desses homens pequeninos - 426 centímetros cúbicos, segundo a modelagem realizada por cientistas japoneses, contra os 860 centímetros cúbicos do Homo Erectus e os cerca de 1.300 centímetros cúbicos do homem moderno - seria unicamente vinculado a uma adaptação adquirida ao longo de milênios.

Os cientistas deram, ainda, outras explicações para seu nanismo exacerbado e sua cabeça pequena, a chamada microcefalia.

A primeira é que estes "hobbits" descenderiam de um hominídeo mais primitivo que o Homo erectus, o Homo habilis, que possuía um cérebro reduzido - apesar que nada jamais ficou comprovado que este primata africano tenha posto os pés na Ásia.

A microcefalia do Homo floresiensis poderia, também, ser resultado de uma doença neurológica, o cretinismo, provocada pela falta de tiroxina (hormônio produzido pela tireoide), uma enfermidade que poderia ter sido causada por uma carência ligada a uma dieta alimentar muito pobre em iodo.

Mas o mal não chegou ao ponto de afetar a cognição dos anões, já que eles sabiam caçar, produzir fogo e usar utensílios de pedra para destrinchar suas presas, contra-argumentam os críticos dessa teoria.

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