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Avião Solar Impulse abre a porta para o uso amplo de energias renováveis

Avião Solar Impulse pousa na Suíça - EFE/Dominic Favre
Avião Solar Impulse pousa na Suíça Imagem: EFE/Dominic Favre

08/07/2010 13h19

Para Bertrand Piccard, aviador e fundador do projeto Solar Impulse, avião solar que completou esta quinta-feira, na Suíça, o primeiro voo sem combustível de mais de 24 horas, abre a porta ao uso generalizado das energias renováveis.

AFP: Quando o senhor teve a ideia de um avião solar?
Bertrand Piccard: A ideia me ocorreu quando da aterrissagem do Breitling Orbiter III (balão com o qual o próprio Piccard deu a volta ao mundo em 1999). Partimos com 3,7 toneladas de propano líquido e aterrissamos com 40 quilos. Disse a mim mesmo: "Não é bom para o meio ambiente. Gostaria de permanecer em voo o tempo que quisesse e voar sem combustível". Nesse momento, nasceu a ideia.

AFP: De onde vem esse espírito aventureiro?
BP: Vem do gosto de explorar o desconhecido, de explorar novos contextos, de ir mais longe do que a gente acha possível. É o que vi durante toda a minha infância com o meu avô (Auguste) e meu pai (Jacques), e verdadeiramente é isso que me interessa na vida.

AFP: Quanto à energia solar, foi seu avô que o influenciou?
BP: Meu avô já tinha escrito, em 1943, um grande artigo científico sobre a energia fotovoltaica. Sempre ouvi falar nas preocupações ambientais, graças ao meu pai e ao meu avô (ndr: ambos cientistas e aventureiros). Para eles, era muito importante proteger o meio ambiente e utilizar a tecnologia para consegui-lo. Hoje, precisamente, existe a tecnologia e esta é a grande diferença, que antes esperávamos encontrar as soluções tecnológicas, enquanto agora existem as soluções. O que se deve fazer é dar às pessoas vontade de utilizá-las (as energias renováveis), porque não são usadas. As soluções atuais permitem poupar cerca de 50% do petróleo que a nossa sociedade utiliza.

Há 11 anos, as tecnologias para poupar energias fósseis não eram tão eficazes, estavam em seus primórdios. Agora, passamos a fronteira das energias limpas, que estão disponíveis mas que são pouco ou nada utilizadas por falta de vontade política.

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