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'Autoritarismo digital': China leva censura na internet a outros países

Paresh Dave

01/11/2018 13h34

Nos últimos dois anos, o governo da China tem treinando países emergentes e fornecido ferramentas a empresas desses locais para ensinar sua política de censura à internet e de vigilância digital, informou o relatório anual de um grupo que monitoramento da democracia.

Em relatório publicado nesta quarta-feira (31), a Freedom House afirma que a exportação do "autoritarismo digital" da China se tornou uma grande ameaça à manutenção da democracia em alguns países.

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O diretor de pesquisa da Freedom House, Adrian Shahbaz, disse que os governos mudaram a justificativa para o avanço da censura e a diminuição das proteções à privacidade digital. Agora, passaram a argumentar que as políticas restritivas combatem a disseminação de notícias falsas e ajudam a capturar criminosos. Os países, no entanto, usam restrições para violar os direitos humanos.

A Freedom House, cujo principal financiador é o governo dos Estados Unidos, afirmou que a China lidera essa iniciativa. O país realiza seminários sobre gestão do ciberespaço desde o início de 2017, com representantes de 36 dos 65 países monitorados pela organização, incluindo nações do Oriente Médio e do Sudeste Asiático. Os 65 países representam 87% dos usuários de internet do mundo, disse o grupo.

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As conversas com autoridades chinesas precederam as novas medidas de segurança cibernética no Vietnã, Uganda e Tanzânia no último ano, disse a Freedom House depois de revisar os artigos da mídia estatal chinesa e comunicados à imprensa do governo.

Além disso, empresas chinesas de tecnologia forneceram ou estão prontas para fornecer equipamentos de internet a pelo menos 38 países. Também terão seus sistemas de inteligência artificial usados para aplicação da lei em 18 países, segundo o relatório.

Falando em Pequim, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lu Kang, disse que as acusações feitas no relatório eram "não-profissionais e irresponsáveis" e "não tinham fundamento na verdade".

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O declínio da liberdade na internet tem sido uma tendência global consistente por quase uma década. Ainda assim, os esforços estrangeiros chineses para influenciar outros países não são novos. A Freedom House disse, porém, que a ameaça aos direitos humanos cresceu à medida que tecnologias poderosas se tornam mais acessíveis aos governos e seus povos.

Como notícias falsas via mídias sociais se tornaram um problema central, os governos estão usando isso como uma "abertura para a censura", disse Michael Chertoff, presidente do grupo e ex-secretário de Segurança Interna dos EUA

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