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Software analisa se cérebro está ocupado para filtrar distrações

Cintia Baio

Do UOL, em São Paulo

10/08/2015 13h20

Quatro cientistas da Universidade de Tufts, em Massachusetts (EUA), estão desenvolvendo um software que verifica o nível de concentração do usuário antes de distraí-los com avisos de mensagens menos importantes, como e-mails ou SMS. O programa consegue filtrar distrações consideradas de baixa prioridade quando detecta que o usuário está focado em uma tarefa mais importante.

Para conseguir isso, os pesquisadores utilizam uma espécie de scanner não invasivo, que dispara pulsos fracos de luz infravermelha no cérebro para, em seguida, ler o que está refletido de volta. Eles observam as mudanças no fluxo sanguíneo em determinada parte do cérebro (córtez pré-frontal), que indica se você está muito ou pouco concentrado.

"Depois dessa varredura, o software determina o estado mental do usuário e decide se deve ou não interrompê-lo neste momento. Em caso afirmativo, ele passa a notificação para um dispositivo", explica Robert Jacob, um dos cientistas que fazem parte do projeto, em entrevista ao UOL Tecnologia.

Para determinar o que é o que não é importante, os cientistas precisam "calibrar" o sistema usando um algoritmo de aprendizagem.  Para isso, a equipe de Jacob pediu para que pessoas tentassem jogar enquanto usavam o Google Glass, espécie de óculos inteligente criado pelo Google e usado como dispositivo com o software pelos pesquisadores.

Quando as notificações apareciam, os usuários tinham de decidir se aceitariam ou não parar o jogo para ver as mensagens. "Com isso, conseguimos ensinar o sistema o que era muito importante e o que era possível ignorar, na visão do usuário", diz Jacob.  O cientista, que trabalha há um ano no projeto, diz que o programa poderá ser usado em diversos aparelhos, mas, por enquanto, os testes estão sendo feitos apenas com o Google Glass.

O objetivo da equipe é tentar ajudar as pessoas a se concentrarem melhor em determinadas tarefas. Em um estudo citado por Jacob, participantes relataram que ficam duas vezes mais ansiosos ao executar múltiplas tarefas e cometem o dobro de erros. Além disso, o tempo para a execução da tarefa primária chega a aumentar em 25% quando somos interrompidos por diversas vezes.

Sam Hincks, um dos estudantes do laboratório de Jacob, também está trabalhando em uma versão que traça rotas para o usuário com base nos dados oferecidos pelo programa. Se o usuário parece ocupado, o sistema o envia para uma rota menos complicada.

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