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Em dia de ato de taxistas no Rio, Uber faz promoção e atrai mais usuários

No Rio de Janeiro

24/07/2015 20h48

O protesto de ao menos 1.300 taxistas contra o Uber, que conecta passageiros a motoristas cadastrados pelo celular, concorrendo com o táxi tradicional, teve resultado positivo para o aplicativo: por causa da oferta de corridas gratuitas, o número de usuários cresceu 20 vezes na sexta-feira (24).

A prefeitura, que defende os taxistas, pediu à Procuradoria-Geral do Município que investigue a Uber, considerada ilegal pelo fato de os motoristas não terem licença para o trabalho, e informou que flexibilizará as exigências feitas aos taxistas, o que deve ajudá-los nesta disputa. O governo do Estado também anunciou que vai endurecer a fiscalização dos carros que usam o aplicativo.

Os organizadores da manifestação calcularam que 3.200 taxistas pararam de trabalhar pela manhã para demonstrar insatisfação com os prejuízos desde o início das operações da Uber, um ano atrás - pelos cálculos da PM, foram 1.300 motoristas. Durante o ato, um grupo de taxistas agrediu uma repórter da GloboNews e foi repreendido pelas lideranças sobre o carro de som.

Os manifestantes ocuparam a pista sentido centro do Aterro do Flamengo, que liga o centro à zona sul, fechada das 3 às 13 horas pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET-Rio). O impacto no trânsito foi menor do que o esperado, mas quem desembarcou nos aeroportos Santos Dumont e Galeão teve dificuldade de se deslocar.

O Rio tem 55 mil motoristas de táxi. Criado nos Estados Unidos em 2010, a Uber, que opera no Rio, São Paulo, Belo Horizonte e Brasília, é considerada mais eficiente por parte dos passageiros, embora um pouco mais cara. Já está em 58 países e vem motivando a indignação de taxistas no mundo todo.

Sua estratégia de negócio é agressiva: em reação ao protesto de sexta-feira, a empresa anunciou corridas gratuitas de valor equivalente a R$ 50 por toda a cidade, das 7 às 19 horas. No Rio, a tarifa-base é de R$ 5, com adicionais por minuto e quilômetro rodados.

O presidente do Conselho Regional de Taxistas, José Marcos Bezerra, estima que, de um ganho mensal de R$ 7 mil, R$ 1,8 mil seja destinado a taxas relacionadas à atividade, fora combustível e custo de alimentação do motorista. A licença para dirigir um táxi, concedida pela prefeitura, é comercializada por cerca de R$ 200 mil entre os próprios taxistas.

Os motoristas cadastrados pela Uber não pagam nada disso, daí a revolta dos taxistas. Segundo a empresa, eles têm habilitação profissional e a idoneidade é checada. Os carros têm até três anos de fabricação e são confortáveis. O passageiro espera, em média, cinco minutos pelo carro, segundo a propaganda.

O porta-voz da Uber no Brasil, Fabio Sabba, defende que a população seja ouvida e evoca o direito à livre concorrência. "Estamos em constante conversa com o poder público para esclarecer os benefícios da economia colaborativa para a sociedade. A Uber é completamente legal no Rio e no Brasil. O que falta é regulamentação. A inovação sempre vem antes da legislação", disse.

O secretário municipal de Transportes, Rafael Picciani, endossou a causa dos taxistas: "É possível reavaliar algumas exigências aos taxistas. Tem casos de carro lacrado por um arranhão, uma roda suja de lama. É descabido".