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Brasil vai levar agenda do Netmundial a encontro com Brics, diz ministro

Paulo Bernardo, ministro das Comunicações, disse que o Brasil defende, desde de 2012, que a governança da internet deve ser multissetorial - Divulgação
Paulo Bernardo, ministro das Comunicações, disse que o Brasil defende, desde de 2012, que a governança da internet deve ser multissetorial Imagem: Divulgação

Guilherme Tagiaroli

Do UOL, em São Paulo

23/04/2014 20h23

Paulo Bernardo, ministro das Comunicações, disse nesta quarta-feira (23) que a presidente Dilma Rousseff levará as discussões do Netmundial para o próximo encontro em julho com representantes dos Brics (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). O Netmundial, realizado em São Paulo, discute a princípios padronizados para a governança da internet.

“A ideia é impulsionar a agenda desse encontro com os Brics”, destacou o ministro. Bernardo indicou, no entanto, que o Brasil não pretende ser o guia das discussões sobre a descentralização do comando da internet, um dos pontos debatidos no Netmundial. “Quem tentar liderar, vai acabar naufragando. Essa é uma iniciativa que tem espaço para todo mundo”, lembrou.

Parte das atividades da internet passa pelo Icann, um órgão sem fins lucrativos subordinado ao governo norte-americano. Após a revelação de que a NSA (Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos) espionava cidadãos de diversas partes do mundo, os países começaram a questionar a razão pela qual o poder da entidade ficava concentrado no país. Por essa razão, várias entidades começaram a sugerir formas de descentralizar esse poder e a definir novas regras.

O ministro aproveitou a ocasião para lembrar que em 2012 o governo defendeu em Dubai, durante um evento organizado pela UIT (órgão da ONU para telecomunicações), que a governança da internet deveria ser multissetorial. No entanto, Bernardo afirmou, na ocasião, que os Estados Unidos não assinaram a proposição sugerida pelo Brasil e a Europa foi contra.

“Na época, o Google fez um post em várias línguas dizendo que o governo queria bisbilhotar na comunicação dos cidadãos. Porém, depois foi descoberto que isso era feito através da rede deles”, criticou. “Não somos antiamericanos, só queremos que mais setores participem [da governança da internet]."