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Médico brasileiro usa Google Glass para receber orientações em cirurgia

Cirurgião Miguel Pedroso (centro) testa o Google Glass durante uma cirurgia - Divulgação
Cirurgião Miguel Pedroso (centro) testa o Google Glass durante uma cirurgia Imagem: Divulgação

Ana Ikeda

Do UOL, em São Paulo

14/11/2013 06h00

Médicos pelo mundo já utilizaram o Google Glass, óculos com câmera e conexão à internet, para transmitir imagens de procedimentos cirúrgicos em tempo real. Mas um cirurgião em Salto (101 km de São Paulo) testou o gadget de uma forma diferente. Durante a cirurgia, revisou orientações técnicas e consultou um médico especialista via chat, com ajuda dos comandos de voz dos óculos.

O teste foi feito pelo cirurgião Miguel Pedroso, adepto a uma técnica de operação por videolaparoscopia (quando uma câmera é inserida no corpo do paciente) de colectomia direita – cirurgia de retirada de parte do intestino grosso em pacientes com câncer. A operação ocorreu no último dia 28 de outubro no Hospital São Camilo de Salto. 

Segundo ele, a técnica considerada minimamente invasiva consegue diminuir o risco de complicações no pós-operatório em cerca de 50% dos casos, mas é aplicada em menos de 10% das cirurgias no Brasil. Com o objetivo de disseminar esse tipo de operação, desde 2009 ele ministra aulas em um curso privado no Instituto Lubeck, instituição de ensino e pesquisa em laparoscopia.

Como foi o procedimento

Durante o curso, o aluno recebe material didático que contém vários vídeos mostrando o procedimento cirúrgico, passa por aulas presenciais e é acompanhado por um médico preceptor (espécie de tutor) durante as primeiras cirurgias. “Vi no Google Glass uma chance de democratizar essa técnica cirúrgica”, disse Pedroso.

  • Divulgação

    Alunos do Instituto Lubeck assistem ao procedimento transmitido pela câmera do Google Glass

“Na tela dos óculos ele pode rever como é a dissecação de uma veia específica, mostrar o procedimento ao preceptor e conversar com ele em tempo real, tudo sob comando de voz”, explica o cirurgião.

Com o teste, Pedroso viu como um médico "aprendiz" poderia usar o Glass, fornecido pela consultoria Onoffre. Pelo YouTube, acessou os vídeos do curso e usou o Hangout, aplicativo de videochat, para contatar um médico à distância.

O Glass poderá ajudar também em outros procedimentos laparoscópicos, segundo Pedroso, como em cirurgias de câncer de fígado e estômago.

Aplicativos específicos

Com o resultado positivo do teste, a intenção é desenvolver aplicativos específicos que reproduzam as funções de vídeo (acessando especificamente a biblioteca de mídia do curso) e de chat (tanto para enviar a imagem da cirurgia como para mostrar as orientações do médico preceptor).

“Assim, por comandos de voz, quem opera consegue ver o outro médico na telinha do Glass passando uma instrução”, detalha Ricardo Longo, diretor da consultoria Onoffre, dona do acessório usado durante o teste. “Já o médico que está longe vê o procedimento, podendo inclusive desenhar [virtualmente] em cima de imagens [reais].”

O custo do gadget – US$ 1.500 (R$ 3.501) – é considerado baixo em relação a outros instrumentos cirúrgicos. “Um hospital pode futuramente investir na compra do dispositivo, que depois pode ser usado por mais de um profissional”, considera Longo.

Por enquanto, o Google Glass não está à venda – apenas desenvolvedores que se inscreveram no lançamento do projeto do gadget puderam adquiri-lo. A expectativa é que os óculos cheguem ao mercado mundial no início de 2014.

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