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Especialistas em home theater dão dicas de como comprar e instalar aparelho

Ana Ikeda

Do UOL, em São Paulo

07/10/2013 06h00

Ao comprar uma televisão tela plana, é comum investir também em um sistema de som “de cinema” para ter em casa.  O home theater, composto por caixas de diferentes tamanhos, tem de ser escolhido de acordo com o ambiente em que será instalado e posicionado corretamente. Caso contrário acabam fazendo só “barulho”, dizem especialistas, em vez de criar uma experiência sonora agradável. 

Além disso, com as televisões ficando cada vez mais finas, o tamanho reduzido da sua moldura acaba limitando a capacidade do sistema de áudio embutido nelas. Um home theater acaba suprindo essa “deficiência”, com caixas de som múltiplas e externas ao televisor. 

Veja a seguir dicas de especialistas consultados pelo UOL Tecnologia para evitar erros na compra e instalação do equipamento:

Comece pelo ambiente

Antes de escolher o tipo de home theater, é preciso avaliar o tamanho e restrições que pode ter o ambiente onde ele será instalado. Uma sala muito pequena, por exemplo, pode não comportar a instalação de várias caixas separadas, além de não precisar de aparelhos muito potentes. Já uma sala grande, pelo contrário, requer um sistema com mais caixas, capazes de reproduzir sons com maior intensidade e mais nuances.

“O som tem de preencher o ambiente. Mas é preciso levar em consideração que há obstáculos contra ele como sofás, almofadas, cortinas, estantes. Tudo isso influencia na escolha do home theater”, diz Alex Altheman, analista de som e imagem da Fnac Brasil.

Além disso, o home theater muda a decoração do ambiente. Alguns têm fios que vão ficar aparentes se a sala não for projetada para que eles sejam passados por dentro da parede ou piso. Em outros casos, as caixas de som precisarão ser embutidas no teto.

“O ideal, no caso de quem está construindo ou reformando a casa, é procurar ajuda especializada antes da execução do projeto de arquitetura e decoração, justamente para evitar que ele precise ser alterado quando já está tudo construído e arrumado”, aconselha Fabio Tucci, diretor da FT Audio, Vídeo & Design, empresa que instala equipamentos audiovisuais.

Tamanho do ambiente*Tipo de home theaterPotência total
Pequeno (até 15 m²)SoundbarAté 500 W RMS
Médio (entre 15 e 25 m²)Sistema de caixas 5.1 ou 5.2Entre 500 W e 1000 W RMS
Grande (acima de 25 m²)Sistema de caixas 7.1 ou 7.2Acima de 1000 W RMS
  • *Valores aproximados: os ambientes têm características particulares e podem necessitar de tipos diferentes de aparelho e potência

Quais são as opções de home theater
Após analisar o ambiente em que o home theater será instalado, o consumidor pode optar pelos tipos de aparelhos disponíveis no mercado.

É comum encontrar à venda aparelhos que já vem só com DVD player ou com Blu-ray/DVD player. Se a pessoa quer um sistema que reproduza imagem e som de alta definição, então a melhor opção é o Blu-ray. “Os discos Blu-ray conseguem gravar mais informações que o de DVD. Além da imagem em alta definição, ele registra mais canais de som”, detalha Altheman.

Em seguida, ele pode escolher entre três tipos de home theater:

- Soundbar: é um único aparelho em formato de barra que deve ser posicionado abaixo do televisor. Ele “simula” o som que seria produzido por cinco caixas acústicas e pelo subwoofer (canal dos sons graves). Em geral, é indicado para ambientes pequenos, por ser compacto e dispensar a instalação de caixas adicionais.

- Sistema 5.1/5.2: composto por cinco caixas (quantidade indicada pelo número cinco) e o subwoofer (quantidade indicada pelo número um ou dois), também chamado de módulo. Cada uma das caixas reproduz um canal de som: são duas frontais (para vocais), uma central (para trilha) e duas traseiras (responsáveis pelo som surround, efeito que passa impressão de movimento). As caixas podem ser do tipo satélite (menores, elas podem ficar apoiadas) e torres (compridas, ficam direto no chão).

- Sistema 7.1/7.2: além das cinco caixas descritas no sistema anterior, ele conta com mais duas traseiras. Indicado para “audiófilos” e instalação em ambientes grandes, o sistema com caixas adicionais reproduz mais nuances no som.

Seguir (ou não) a marca da TV
Segundo Altheman, da Fnac, ao optar por equipamento home theater da mesma marca da TV não é regra. Mas em geral, diz ele, equipamentos de uma mesma fabricante podem ter algum ganho em comunicação entre a TV e o sistema de áudio.

Outra vantagem é a estética, aponta Traldi, da Samsung, já que o design dos aparelhos de mesma marca é complementar.

No caso de home theaters 7.1/7.2, no entanto, nem sempre é possível combinar o sistema com a TV – muitos deles são fabricados por empresas fora do mercado de vídeo.

Não exagere na potência do som
É comum alguns consumidores resumirem a escolha de um home theater à potência das caixas amplificadoras. Isso é errado, porque essa característica não reflete a qualidade geral do som, e sim o quão “alto” ele pode chegar. O valor é expresso em watts (W) e, em geral, é acompanhado da sigla RMS (Root Mean Square), que indica que essa é a média da potência amplificada.

Na ânsia de “cair do sofá” com o poder do som do home theater, as pessoas podem acabar criando um ambiente barulhento -- incomodando a vizinhança e até mesmo causando danos aos próprios ouvidos.  “No Brasil, o consumidor muitas vezes quer um som mais ‘potente’, mas se ele tem uma sala pequena, isso é desnecessário”, explica Traldi.

Além disso, deixar de lado a qualidade em razão do preço menor pode ser “um tiro no pé”.  “Se a pessoa investe em um sistema com qualidade superior, precisa aumentar menos o volume, por exemplo, para ter a mesma pressão sonora que um equipamento inferior. Assim ela gera menos ruído e poluição sonora no ambiente”, afirma Tucci, da FT Audio, Vídeo & Design.

Instale corretamente
Tucci avalia que a maioria das instalações de home theater ocorre com sistemas 5.1 em ambientes pequenos, em quartos que são convertidos para sala de TV.

Ao posicionar as caixas, é importante que os pares delas fiquem posicionados simetricamente e em relação ao espectador sentado, não ao televisor. “As caixas devem estar relativamente na altura dos ouvidos. Se não for possível isso, é melhor que fiquem mais altas que o espectador, para que o som não seja jogado para o chão”, diz o diretor da FT Audio, Vídeo & Design.

Posicionamento: sistema de home theater 5.1

  • Arte/UOL

À frente, próximas ao televisor, ficam as caixas central, frontal direita e esquerda. “Se uma das caixas da voz ficar fora desse eixo central, o usuário que assiste a um filme, por exemplo, vai ver a boca mexer e o som sair para outro lado”, alerta Altheman, da Fnac.

Já o subwoofer deve ficar no chão, frontalmente se possível, e nunca apoiado na mobília, frisam os especialistas. Como é responsável por sons graves, ele pode acabar fazendo o móvel onde está “tremer” ao reverberar o som.

Posicionamento: sistema de home theater 7.1

  • Arte/UOL

Atrás, ficam as caixas de surround em semicírculo, que dão impressão de movimento ao som das cenas vistas. “Quando um carro passa no vídeo da esquerda para a direita, o som dele sai da caixa da esquerda para direita também, atrás do espectador”, diz Altheman. Portanto, se não estiverem simetricamente posicionadas, não vão criar essa sensação de envolvimento na cena.

Em salas pequenas, em que o espaço atrás do espectador não é suficiente para comportar as caixas, a solução mais comum é instalá-las no teto.

As caixas traseiras costumam ficar mais aparentes no ambiente e, para não atrapalhar a estética do local, algumas fabricantes já oferecem caixas surround sem fios.