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Polícia do Canadá acusa jovens de distribuírem pedofilia em caso emblemático de ciberbullying

Rehtaeh Parsons, 17, teria sido estuprada por quatro jovens. A foto de conteúdo pornográfico foi parar na internet, e ela passou a sofrer bullying - Reprodução/Facebook
Rehtaeh Parsons, 17, teria sido estuprada por quatro jovens. A foto de conteúdo pornográfico foi parar na internet, e ela passou a sofrer bullying Imagem: Reprodução/Facebook

Do UOL, em São Paulo

09/08/2013 19h37

A polícia do Canadá acusou oficialmente nesta sexta-feira (9) dois jovens de distribuírem pornografia infantil, no emblemático caso de ciberbullying contra Rehtaeh Parsons, 17. A jovem tentou se matar em março deste ano por causa da divulgação na internet de uma foto em que supostamente aparecia sendo estuprada aos 15 anos. Rehtaeh morreu em abril, vítima de ferimentos causados pela tentativa de suicídio.

Roland Wells, superintendente da Real Polícia Montada do Canadá, afirmou que os acusados têm 18 anos (eles terão de se apresentar à Justiça na quinta-feira, dia 15). Os dois teriam distribuído pedofilia, e um deles também responderá pela produção desse conteúdo. Os acusados não foram identificados, pois eram menores de idade na época em que supostamente cometeram os crimes.

Até então, a polícia não havia acusado os jovens alegando falta de provas. Eles responderão na Justiça pela produção e distribuição de cenas pornográficas envolvendo uma menor de idade, mas não pelo suposto estupro. 

Com a divulgação da imagem, Rehtaeh sofreu um constante assédio pela internet - desde propostas de relações sexuais com desconhecidos até insultos. Isso obrigou a vítima, que morava na pequena cidade canadense de Cole Harbour, a mudar de colégio. A jovem entrou em depressão e tentou se enforcar no banheiro da casa onde vivia com os pais.

Entenda o caso
Leah Parsons, mãe de Rehtaeh, criou uma página de homenagem no Facebook em que conta a história da filha. Ela diz que a jovem foi estuprada em novembro de 2011 por quarto jovens na casa de um amigo.

“Um deles tirou uma foto dela sendo estuprada e decidiu que seria divertido distribuir a imagem para todos na escola e na comunidade de Rehtaeh, onde a foto se tornou viral [...]. A vítima do estupro foi considerada uma vagabunda. Aquele dia mudou para sempre a vida de nossa família. Parei de trabalhar naquele mesmo dia e vivemos essa jornada de tumulto emocional desde então.”

Com a divulgação do conteúdo, praticamente todos os conhecidos de Rehtaeh passaram a marginalizá-la, segundo a mãe. “Ela teve de lutar emocionalmente contra a depressão e raiva. Seus pensamentos sobre suicídio começaram e, temendo por sua própria vida, ela se internou em um hospital na tentativa de conseguir ajuda. Ela ficou lá por quase seis semanas”, relata. Depois de sair do hospital, a mãe diz que o bullying contra sua filha continuou.

No texto, Leah acusa as investigações de não terem dado em nada e diz que a Justiça falhou.