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Google TV é limitada por emissoras e tem interface complexa

Segundo David Pogue, Google TV não vem com manual de instrução para explicar comandos - Divulgação
Segundo David Pogue, Google TV não vem com manual de instrução para explicar comandos Imagem: Divulgação

DAVID POGUE

Do The New York Times

19/11/2010 13h26

Caramba. Será que existe algum canto de nossas vidas em que o Google não queira estar presente?

Não mais. Eis agora, bem em tempo dos feriados de fim de ano, a Google TV!

Agora, sejamos claros: você não pode passar na loja para viciados em TV mais próxima e pedir uma“Google TV”. (Bem, você pode, mas eles vão olhar estranho para você.) Em vez disso, a Google TV é um sistema operacional, baseado no mesmo software Android que está em muitos telefones. O Google espera que outras companhias o incorporem em seus televisores, tocadores de discos Blu-ray e conversores digitais. O objetivo de tudo isso é levar os vídeos da internet para os aparelhos de televisão.

Agora, a ideia de levar a internet para a sua TV não é nova. Ela está por aí desde que o início da internet.

Mas não importa quantas vezes a indústria tente nos enfiar goela abaixo a combinação internet+TV, o público simplesmente não engole isso. Provavelmente porque quando nos sentamos em frente à TV, queremos ser passivos, estarmos com o cérebro desligado, e quando navegamos na internet, estamos com uma disposição mental diferente: mais ativos, mais direcionados.

Por algum motivo, entretanto, este ano, a indústria tecnológica está louca pela combinação internet+TV. Talvez porque todos estejam focados nos vídeos para internet, e não em toda a rede (e-mail, navegação e tudo o mais). Já é possível ter serviços como o YouTube, Netflix sob demanda e filmes da Amazon usando conversores como o Apple TV, Roku, Western Digital Live Hub, TiVo Premiere e muitos outros.

Mas a Google TV quer retomar a ideia de disponibilizar toda a internet na televisão. Ela oferece acesso a vídeos da internet, mas também um navegador completo (com defeitos e tudo) no pacote.

Nesse estágio inicial, apenas três aparelhos têm a Google TV: uma TV Sony de 46 polegadas (chamada sugestivamente de NSX-46GT1, por US$ 1.400) e dois dispositivos para conectar na televisão, um tocador de Blu-ray da Sony (NSZ-GT1, US$ 400) e um conversor da Logitech chamado Revue (com o valor exagerado de US$ 300). Experimentei a Sony TV e o conversor Logitech.

  • Guilherme Tagiaroli/UOL

    Interface de busca da Google TV apresentada no stand da Sony, durante feira de eletrônicos alemã

Primeiras impressões

O que ficou claro é o seguinte: a Google TV pode ser interessante para os adeptos da tecnologia, mas não é para as pessoas comuns. Na grande linha do tempo da televisão, a Google TV dá um passo enorme na direção errada: a da complexidade.

Para começar, ela exige um mouse e um teclado. Isso mesmo. Para a sua televisão. Tudo bem desde que você não quisesse um ar rústico em sua sala de TV.

O controle remoto da Sony é um aparelho para usar com as duas mãos, projetado como se fosse um controle de Xbox, com um teclado estilo BlackBerry e teclas de direção que movem o cursor de forma lenta e estranha pela tela. O controle remoto da Logitech é, acredite se quiser, um verdadeiro teclado de computador sem fio, em tamanho integral, com um trackpack e botão de clicar no canto. (Por US$ 130, você pode substitui-lo por um pequeno teclado remoto estilo BlackBerry.)

Mas por que você precisa de um teclado? Primeiro, você precisa dele para navegar no Chrome, o browser do Google.

Segundo, você precisa do teclado para a principal função da Google TV: a busca. Quando você pressiona o botão “Busca” no teclado, você pode digitar um programa ou assunto - “Tailor Swift”, por exemplo, ou “modern family”. Imediatamente você recebe uma lista de shows, vídeos para internet (de tudo quando é site) e até mesmo aplicativos (logo falaremos mais disso) que respondem à sua busca. Basta navegar, clicar e tocar.

Você pode até fazer uma busca e depois mudar canais digitando, por exemplo, “MSNBC” ou “CNN”. Legal.

A complexidade da Google TV

Infelizmente, a função de busca é imprevisível. Às vezes, ela busca TV, internet e aplicativos. Outras vezes, só abre a barra de endereços do seu browser de internet, então você acaba buscando em toda a internet em vez de buscar apenas vídeos. Em outras situações ainda, ela busca apenas o programa que você está usando (o aplicativo do Twitter, por exemplo).

Isso é um pouco confuso. Assim como o botão Dual View, que coloca o programa de TV que você está assistindo numa tela menor, para que você possa navegar na internet e assisti-lo simultaneamente.

Tudo bem. Mas você não pode mover ou redimensionar a tela, o que é um problema quando ela cobre, digamos o botão de enviar ou o botão de OK de alguma caixa de diálogo de um site. E quando você não está assistindo TV, o botão Dual View não faz nada. (Ele não deveria criar uma tela menor quer você esteja assistindo TV ou não?)

No menu principal, pense rápido: qual é a diferença entre Favoritos e Lista? Qual é diferença entre Aplicativos e Destaques? Todos eles parecem iguais: ícones com nomes.

Tudo é customizável, complicado e, sobretudo, confuso, e você não recebe nenhuma página com instruções. (Eu aprendi a usar a Google TV enviando uma batelada de perguntas para a assessoria de imprensa da Google – uma opção que imagino não estará disponível para você.)

E os aplicativos para TV?

Então o que são aplicativos de TV? Aparentemente, são páginas de internet com vídeos. Por exemplo, o aplicativo CNBC mostra a transmissão ao vivo da CNBC com uma lista de ações do lado direito.

Até agora, há apenas um punhado de aplicativos, todos instalados pelo Google, como a CNBC, Pandora, Netflix e um aplicativo da NBA que segundo o Google só terá graça no ano que vem, quando permitirá que os programadores escrevam aplicativos para TV, da mesma forma que fazem hoje para os telefones com Android.

Há uma lista do que está no ar na televisão no momento. Mas, fora isso, não há nenhum guia de TV, exceto pelo canal de programação que a companhia de TV a cabo já oferece.

O problema com a abordagem aberta do Google, é claro, é que ela é inconsistente e caótica. A Logitech Revue, por exemplo, parece bem mais rápida e melhor planejada do que a da Sony. Quando eu informei que tinha um TiVo, por exemplo, o teclado conseguiu miraculosamente controlar todas as funções do TiVo.

No controle remoto da Sony, por que os botões Home, Menu, Voltar e Dual View ficam num anel, como se estivessem relacionados de alguma forma? Por que há dois botões de OK – um dentro do anel, outro dentre do anel de botões de direção – e cada um funciona apenas em determinadas ocasiões?

Tudo isso para a Google TV e o que ela oferece ainda está em sua infância. Por exemplo, você pode comprar filmes de um serviço da Amazon, mas não em alta definição.

Outro exemplo: num aplicativo chamado Clicker, a primeira oferta era a lista dos 10 mais de David Letterman – mas basta tentar rodá-lo para cair numa mensagem de erro: “o vídeo que você pediu não está disponível neste aparelho.”.

Isso é porque todas as grandes redes de TV, assim como a Hulu.com, bloquearam a Google TV para que você não possa ver programas a partir do site dela. Não faz muito sentido – eles querem telespectadores, ou não? Em todo caso, isso ainda não explica porque a Google TV lista programas que não pode passar.

Não há muita integração, tampouco você pode usar o comando de busca para encontrar um determinado programa, mas se quiser gravá-lo, terá que sair da Google TV e programá-lo em seu gravador de vídeo manualmente. (A exceção: se você tem uma antena parabólica, você pode clicar “Gravar” na lista de resultados da busca.)

Vídeo na TV x banda larga

Mas mesmo que a Google TV se torne mais refinada um dia, o problema central continua: na internet, os vídeos costumam congelar, parar, levar a vida inteira para baixar, ou mostram mensagens de erro dizendo que “falta um plug-in”. Estamos acostumados com isso. Não temos muitas expectativas – na internet.

Mas será que queremos de fato pagar centenas de dólares para levar essas falhas para nossas televisões?

Provavelmente levará muito tempo, e muito mais refinamento, antes que a Google TV seja atraente para qualquer um além de fanáticos por tecnologia – especialmente quando, por apenas US$ 60, você pode ter praticamente as mesmas coisas (Netflix, Amazon por demanda, Pandora, Liga de Beisebol, e aplicativos) num conversor Roku.

Mas não se preocupe com o Google. Ainda resta muito do mundo para ele conquistar. Talvez o carro Google, banco Google, microondas Google...