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Uma startup israelense promete recarregar veículos elétricos em 5 minutos

Estação de carregamento de carro elétrico - iStock
Estação de carregamento de carro elétrico Imagem: iStock

Em Herzliya (Israel)

07/03/2021 15h12

Carregar a bateria em cinco minutos é o objetivo de uma "start-up" israelense que, ao limitar o tempo de recarga, quer impulsionar a difusão dos carros elétricos e eliminar a "ansiedade da autonomia".

Especializada em recarga ultrarrápida, a StoreDot, com sede em Herzliya, perto de Tel Aviv, desenvolveu uma primeira geração de baterias de íon de lítio que atinge sua carga máxima em cinco minutos.

Estão testando centenas de protótipos atualmente.

Doron Myersdorf, CEO da StoreDot, diz que reduzir o tempo de carregamento é crucial para superar dúvidas sobre carros elétricos.

"Você não terá mais medo de ficar parado na estrada sem energia", disse à AFP na sede da empresa que criou em 2012, dedicando suas primeiras baterias a telefones, drones e scooters. A título de comparação, um carro Model S, da Tesla, pode levar até 12 horas para ser completamente carregado.

Em 2019, o Nobel de Química premiou o americano John Goodenough, o britânico Stanley Whittingham e o japonês Akira Yoshino por terem inventado baterias de íon de lítio, hoje usadas diariamente em muitas tecnologias.

Este tipo de bateria leve, recarregável e potente é utilizado em todos os tipos de dispositivos: telefones, computadores e veículos elétricos.

Ao substituir o grafite no ânodo da bateria por silício, "as baterias de íon de lítio podem ser carregadas em cinco minutos", enquanto "antes isso era considerado impossível", destaca Myersdorf, um doutor em engenharia industrial formado pelo Instituto Technion de Haifa.

"Quatro a cinco anos"

Para Eric Espérance, especialista do setor automotivo no escritório Roland Berger de Paris, o carregamento ultrarrápido é uma "revolução", mas será necessário esperar que essas novas baterias sejam utilizáveis.

"Ainda estamos longe", disse à AFP. Especialmente porque os terminais de carga também terão que ser adaptados.

Para comercializá-las, "vai demorar entre quatro e cinco anos do início dos trabalhos em um modelo ou ciclo de design de um veículo", explica Myersdorf, cuja start-up conta com quatro investidores principais: a coreana Samsung, a alemã Daimler (automóveis),a gigante petrolífera britânica BP e a especialista japonesa em eletrônica TDK.

Em seu laboratório, os químicos da StoreDot montam meticulosamente quase cem unidades por semana, destinadas a fabricantes associadas e eventuais interessados em conhecer a tecnologia.

A StoreDot já está trabalhando em uma segunda geração de baterias, mais econômica. "A bateria custará cerca de US$ 100 por quilowatt-hora, o preço de uma bateria de íon de lítio tradicional", diz Myersdorf.

A capacidade das baterias varia de acordo com o modelo, entre 15 kWh e mais de 100 kWh. Ao conceder o Nobel, a academia sueca indicou que as baterias de íon-lítio poderiam "conservar quantidades significativas de energia solar e eólica", facilitando a descarbonização do transporte.

Apesar do boom, o caminho ainda é longo: os carros elétricos continuam caros, respondendo por apenas 2,6% das vendas em 2019, segundo a Agência Internacional de Energia (IEA).

A espinhosa questão do impacto ambiental da extração e reciclagem de metais pesados usados em baterias permanece pendente.

"A extração do lítio precisa de muita água e seca os lençóis freáticos, causando catástrofes ecológicas locais", explica Espérance, e uma bateria "não é eterna, mas projetada para cumprir ciclos de carga/descarga de 3.000 a 3.500".