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Ambição climática da UE na mesa de negociações

10/12/2019 18h24

Bruxelas, 10 dez 2019 (AFP) - O objetivo da nova Comissão Europeia de transformar o bloco no "primeiro continente neutro em termos de clima" até 2050 será o tema central de uma cúpula de líderes, que observarão, a partir de quinta-feira, o resultado das eleições britânicas em pleno bloqueio do Brexit.

"Devemos nos assegurar de que a União Europeia (UE) seja o primeiro continente neutro do ponto de vista climático até 2050", indicou nesta terça-feira em Paris o presidente do Conselho Europeu, o belga Charles Michel, reconhecendo que ainda há "trabalho político" a ser feito.

A primeira cúpula de líderes europeus presidida por Michel servirá para que a nova presidente da Comissão, a alemã Ursula von der Leyen, exponha seu "Pacto Verde", que apresentará na véspera, assunto que anuncia duros debates como o do futuro orçamento da UE.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, não participará na reunião devido às eleições legislativas antecipadas, previstas para quinta-feira, que buscam desbloquear o processo do Brexit, previsto atualmente para 31 de janeiro e com um acordo à espera de ser ratificado.

Seus 27 pares europeus abordarão nesta sexta-feira a futura relação, especialmente comercial, com o Reino Unido, convidando a Comissão Europeia a iniciar as negociações "imediatamente" após a saída dos britânicos, segundo um projeto de declaração visto pela AFP.

"Teremos que ser capazes de avançar rapidamente" depois das eleições britânicas com o "método seguido até agora" baseado na "unidade dos 27" e na "direção única das negociações", afirmou nesta terça-feira o presidente francês, Emmanuel Macron, ao receber Michel.

- "Neutralidade de carbono" -Na quinta-feira, os mandatários tentarão de novo alcançar a necessária unidade sobre o objetivo de uma "neutralidade de carbono" até 2050, ou seja, sobre reduzir ao máximo as emissões de CO2 e compensar o resto com dispositivos de absorção (solos, florestas, tecnologia).

Em junho, os dirigentes da Polônia, República Checa e Hungria - países muito dependentes das energias fósseis, especialmente do carvão - bloquearam esse objetivo por medo de uma transição energética dolorosa, especialmente no terreno social.

O debate ocorrerá um dia depois da apresentação do "Pacto Verde" da Comissão Europeia, uma promessa de Ursula von der Leyen que se traduzirá em múltiplas propostas legislativas nos próximos meses, entre elas um "mecanismo de transição justa".

Este é um dos aspectos mais esperados pelos países que temem o impacto da transição. A Polônia "quer estimativas muito concretas sobre as quantias" necessárias para alcançar a neutralidade de carbono, explicou um diplomata europeu sobre este ponto "decisivo" do debate.

Efetivamente, o desafio climático depende do dinheiro que a União Europeia dedicará. E a discussão sobre o futuro orçamento para o período 2021-2027 acaba praticamente de começar e promete acalorados debates durante o primeiro dia de cúpula.

- "Massacre" -A proposta da Comissão sobre o próximo Marco Financeiro Plurianual (MFP), já irritou vários países. Mas o "marco de negociação" proposto na semana passada pela Finlândia, que exerce a presidência pro tempore, abriu a caixa de Pandora no bloco.

Von der Leyen expressou sua preocupação com os "cortes drásticos" propostos nas novas prioridades do bloco: a agência europeia de guardas fronteiriços, a política de defesa, o setor digital ou os "esforços" para ter uma economia "verde".

A Finlândia propôs 1,087 bilhão de euros de orçamento para o período 2021-2027, equivalente a 1,07% da renda nacional bruta de cada país, contra 1,114% proposto pela Comissão Europeia. Uma fonte europeia espera um "massacre" durante o debate.

"É uma tentativa que tem suas debilidades, seus limites. Deve-se tomá-lo pelo que é: uma base de trabalho", resumiu nesta terça-feira a francesa Amélie de Montchalin, ao chegar a uma reunião dos ministros de Assuntos Europeus do bloco para preparar a cúpula.

O futuro orçamento da UE deve conciliar a perda financeira vinculada à saída do Reino Unido, contribuinte líquido, e as novas prioridades (clima, segurança, defesa), assim como o financiamento de políticas históricas como a agrícola e a de coesão.

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