Topo

OPINIÃO

Os jogos de terror mais influentes dos últimos 10 anos

Em Alien: Isolation você é Amanda Ripley, uma tripulante indefesa fugindo da monstruosidade alienígena - Divulgação
Em Alien: Isolation você é Amanda Ripley, uma tripulante indefesa fugindo da monstruosidade alienígena
Imagem: Divulgação

Makson Lima

Colaboração para o START

29/10/2020 04h00

O Halloween 2020 é especial pois marca o final de uma geração de consoles: Xbox Series X/S e PlayStation 5 chegam já em novembro, abrindo novas possibilidades para os games de terror.

Para encerrar o ciclo, START se aventurou pelas trevas e saiu dela com alguns jogos assustadores que foram tão marcantes para a mídia quanto traumatizantes para quem teve coragem de jogar.

AMNESIA: THE DARK DESCENT (2010)

Há décadas nascia o conceito de protagonista indefeso. Hifumi Kono e seu Clock Tower aperfeiçoaram a ideia lá na metade dos anos 1990 e foi só anos depois, com Amnesia: The Dark Descent, que o formato se consolidou.

Vindo numa crescente de qualidade com a franquia Penumbra, a produtora sueca Frictional Games entregou aquele que é um dos mais influentes jogos de terror dos últimos 10 anos: Amnesia: The Dark Descent.

Conceitos lovecraftianos de loucura e demência foram inseridos no gameplay de maneira assombrosamente natural, dentro de um universo de pavores góticos. É curioso lembrar que o sucesso do jogo se deu, em grande parte, graças aos gameplays de youtubers assustados com a monstruosidade apavorante em The Dark Descent.

DEAD SPACE 2 (2011)

O primeiro Dead Space, a obra-prima do horror espacial da extinta Visceral Games, não foi lançado no intervalo dos últimos 10 anos, mas sua continuação, sim. Foi o pináculo da luta do engenheiro de espaçonaves Isaac Clarke contra a praga dos necromorfos, cadáveres reanimados por uma espécie de infecção alienígena, criaturas essas que já figuram no panteão mais elevado do horror.

Nenhum outro jogo do gênero desde então soube utilizar tão bem os fundamentos apresentados por Resident Evil 4, com tensão constante através de sua perspectiva de câmera sobre os ombros. Além das duas continuações, Dead Space ainda deu origem a duas animações, três spin-offs, livros e quadrinhos. Já o futuro da franquia segue incerto nas mãos da EA.

TELLTALE'S THE WALKING DEAD (2012)

2012 foi um ano especial não só para a criação de Robert Kirkman, The Walking Dead, mas também para a produtora Telltale. O jogo inspirado nos zumbis trôpegos e putrefatos dos quadrinhos e da série de TV ganhou todo e qualquer holofote mundial, popularizando o formato de jogo episódico e promovendo a retomada de um adventure mais acessível e simplificado.

The Walking Dead da Telltale deu origem a diversas outras parcerias com franquias como Game of Thrones e The Wolf Among Us, e rendeu mais três temporadas e dois spin-offs, um deles protagonizado por ninguém menos que Michonne, uma das personagens mais populares desse universo pós-apocalíptico.

SLENDER: THE EIGHT PAGES (2012)

Dentre todas as "creepypastas" internet afora, Slender Man é a mais popular delas. Um jogo grátis inspirado no ser garboso, alto e magro criado por Eric Knudsen assombrou muita gente em 2012.

Slender: Eight Pages é uma produção da Parsec, de Mark J. Hadley, e foi um dos mais populares produtos inspirados na criatura sequestradora de crianças.

A premissa simples (apanhar oito páginas de um caderno na floresta) e com consequências aterrorizantes (a cada página apanhada, a presença do Slender se intensifica) foram dos grandes contribuintes de todo esse alcance.

Entre a websérie Marble Hornets e um outro jogo, The Arrival, Slender foi objeto de estudo pois invadiu o imaginário infantil do período, com consequências reais. O documentário de 2016, Cuidado com o Slenderman, registrou o momento. Slender Man: O Pesadelo Sem Rosto, de 2018, foi um filme lançado nos cinemas e um dos últimos produtos inspirados no tema.

OUTLAST (2013)

A perspectiva em primeira pessoa tem sido usada à exaustão nos jogos de terror: Layers of Fear, SOMA, Maid of Sker e Resident Evil 7 são só alguns exemplos. Dentre eles, Outlast tem posição de destaque.

O primogênito, de 2013, foi um sucesso de crítica e público, considerado por muita gente como o jogo de terror mais assustador de todos os tempos.

Mount Massive é o sanatório onde acontece a jornada de loucura do jornalista Miles Upshur. A IA (inteligência artificial) aleatória dos pacientes da clínica e de alguns um tanto mais monstruosos, como o implacavelmente enorme Chris Walker, fez de Outlast um grande expoente do terror.

O uso da câmera de mão com visão noturna como "arma", além do ambiente opressor ao extremo, também contribuíram para a experiência assustadora. Outlast teve uma continuação e quadrinhos, além de um jogo de terror cooperativo previsto para 2021: The Outlast Trials.

ALIEN: ISOLATION (2014)

O futuro do passado de Amanda Ripley em busca por sua mãe, a heroína dos filmes da franquia criada pro Ridley Scott, rendeu um dos jogos de terror mais badalados dos últimos tempos, mesmo com a nuvem nefasta do fracassado Colonial Marines ainda pairando sobre os xenomorfos espaciais.

Num jogo de gato e rato mórbido, Amanda precisa usar de furtividade, criatividade e sagacidade para escapar das garras da temida praga intergaláctica indestrutível.

Alien: Isolation soube, inclusive, reimplementar o salvamento de progressão em seu gameplay, tornando-o um dos feitos mais tensos do jogo: só quem foi empalado vivo pela cauda do Alien enquanto tentava operar o equipamento sabe do sofrimento.

FIVE NIGHTS AT FREDDY'S (2014)

A criação de Scott Cawthon deixou os seus próprios domínios para se tornar um dos maiores fenômenos dentro do gênero. Seu sucesso atingiu um sem fim de criações no Youtube, produtos como bonecos, vestimentas, livros e, em breve, uma adaptação cinematográfica pelas mãos da sempre pontual Blumhouse, de Jason Blum.

Os animatrônicos da pizzaria Freddy Fazbear ganham vida madrugada adentro e é papel do segurança recém-contratado manter-se vivo até o sol raiar. A dinâmica compassada, de hora em hora e horrores crescentes com gerenciamento de recursos (como energia elétrica), tornou-se um dos formatos mais copiados no gênero de terror nos últimos anos.

PLAYABLE TEASER / P.T. (2014)

A parceria entre Hideo Kojima, Guillermo del Toro e Norman Reedus nasceu para trazer ao mundo um novo capítulo da franquia de terror psicológico da Konami, Silent Hill.

Playable Teaser chegou ao PS4 sob falsa pretensão, num esquema completamente inédito de se apresentar e anunciar um novo jogo: era uma versão demo "misteriosa". A explosão de sucesso marcou a mídia para sempre, entregando o corredor em L mais fantasmagórico dos videogames, muito comentado e estudado até hoje, anos depois.

Para quem conseguisse alcançar a conclusão daquela maldita demo, a chamada para Silent Hills serviu de prêmio, mas o jogo seria cancelado pouco tempo depois. Kojima deixou a Konami, del Toro e Reedus xingaram muito no Twitter e a Konami conseguiu o feito de tornar Playable Teaser o jogo digital mais raro da história —já que ele foi retirado da loja, e só existe nos videogames de quem preservou a raridade. Parabéns, Konami. Só que não.

Siga o UOL Start no

DEAD BY DAYLIGHT (2016)

O mulitplayer assimétrico deu muito certo no terror: desde alguns mais obscuros, como Depth, até outros bastante populares, como Friday the 13th The Game, criar dois lados totalmente distintos dentro da mesma partida online tem funcionado.

O caso de maior sucesso dentro do formato é, sem dúvida, Dead by Daylight. Recentemente comemorando seu quarto aniversário, o jogo da canadense Behavior Interactive tem angariado parcerias das mais diversas.

Pode-se dizer que é o jogo que levou Freddy Krueger, Leatherface, Ash Williams, Michael Myers e diversos outros ícones do horror a toda uma nova geração. A luta dos quatro sobreviventes para escapar das garras (e do gancho) do assassino dentro dos domínios da entidade maligna promete se estender por mais alguns anos.

DETENTION (2017)

Folclore, religião e política têm espaço cativo no terror, instrumento de crítica social de seu tempo, abraçando o datado como nenhum outro gênero.

Detention colocou o estúdio taiwanês Red Candle Games no mapa, entregando um conto de amadurecimento embalado no traumático Terror Branco, o mais longo período de lei marcial já visto no planeta.

Num esquema 2D de exploração e navegação, bastante utilizado no gênero como nos mostraram outros ícones do horror como Lone Survivor, The Cat Lady e Silence of the Sleep, só para citar alguns, Detention consegue ser sensível e assustador em iguais medidas.

Alguns anos depois, a mesma Red Candle Games nos entregaria um jogo ainda mais poderoso, Devotion, mas isso é história para um outro momento.

SIGA O START NAS REDES SOCIAIS

Twitter: https://twitter.com/start_uol
Instagram: https://www.instagram.com/start_uol/
Facebook: https://www.facebook.com/startuol/
TikTok: http://vm.tiktok.com/Rqwe2g/
Twitch: https://www.twitch.tv/start_uol

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL