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My Hero One's Justice 2: pancadaria honesta com heróis do anime

My Hero One"s Justice 2 tem um elenco gigantesco, com mais de 40 personagens do anime - Divulgação
My Hero One's Justice 2 tem um elenco gigantesco, com mais de 40 personagens do anime
Imagem: Divulgação

Jefferson Kayo

Colaboração para o START

01/04/2020 04h00

Seguindo o estrondoso sucesso do anime em serviços de streaming (o que foi aquela última grande luta da quarta temporada?!), My Hero One's Justice 2 tem a tarefa não muito difícil de arrastar o fã para dentro do videogame e viver as aventuras dos seus heróis e vilões preferidos de My Hero Academia (ou Boku no Hero Academia, se preferir o nome japonês).

Mas será que esse game de luta agrada também que não conhece nada dos personagens?

Profissão Herói

No universo de My Hero Academia ter poderes sobre humanos é normal, e por isso, é possível seguir uma carreira profissional disso. Eis que surge Izuku Midoriya, um jovem que tem o sonho de ser o maior herói do planeta, mas ele nasceu sem nenhum poder. E aí ele conhece seu maior ídolo do mundo, que diz que vai ajudá-lo a vencer na vida e toda essa ladainha que o otaku adora acompanhar, seja no mangá ou no anime. Eu incluso, claro.

My Hero One's Justice 2 desbrava esse universo, recontando os principais acontecimentos da história original. Seu ponto de partida, no entanto, está localizado mais ou menos após o grande confronto entre All Might e seu maior inimigo, All for One, cuja luta o exauriu de todos os seus poderes. Para saber como tudo começou é preciso jogar o game anterior, sem recapitulações aqui.

Bem alinhado com a produção animada, o game segue fielmente de perto seus acontecimentos e termina ali no auge da quarta temporada

Mais de 40 personagens para serem escolhidos, todos derivados do anime - Reprodução
Mais de 40 personagens para serem escolhidos, todos derivados do anime
Imagem: Reprodução

Bem alinhado com a produção animada, o game segue fielmente de perto seus acontecimentos e termina ali no auge da quarta temporada, num dos confrontos mais épicos de 2020 (por enquanto), quando Midoriya enfrenta Overhaul sem poupar esforços para salvar a vida de Eri-chan. Um desses momentos que as pessoas vão falar por sempre que MHA aparecer nas rodas de conversas.

Infelizmente, no quesito empatia com os personagens, One's Justice 2 foi extremamente pensado no fã de carteirinha. É muito difícil mensurar quão interessado nos personagens um jogador que nunca teve a experiência MHA em alguma outra mídia. A obra de Kohei Horikoshi ainda não alcançou o status "Naruto" ou "One Piece" de popularidade fora do nicho otaku, mas se depender do visual e poderes de cada um, é bem capaz da pessoa encontrar pelo menos um personagem passivo de uma aproximação maior. E se curtir um jogo de luta um pouquinho diferente, talvez mais de um.

Mirio Togata é um dos grandes heróis da nova fase do anime - Reprodução
Mirio Togata é um dos grandes heróis da nova fase do anime
Imagem: Reprodução


O elenco de personagens cresceu desde o último jogo, e One's Justice 2 conta com praticamente todo o elenco do primeiro game, incluindo os DLCs, mais os personagens inéditos somando mais de 40 possibilidades.

Entre as novidades estão alguns heróis profissionais como Gang Orca e Fat Gum, alunos como Mineta, Camie, Mirio e Mina Ashido, e vilões como Overhaul,Kendo Rappa, Mr. Compress e uma versão inédita e turbinada de Tomura Shigaraki, entre outros. Boneco para jogar não falta.

A boa e velha lutinha dos animes

Se você já está acostumado com esse monte de jogos de luta baseados em arenas tridimensionais, com dashs teleguiados e combos automáticos, boa notícia: as coisas são bem parecidas em My Hero One's Justice 2.

A arena dos combates, no entanto, é um pouco maior, já que as paredes verticais podem ser usadas no combate em determinadas situações. Os combos são relativamente simples, sempre com pressionar de um único botão. Os dois outros botões de ataque servem para desferir golpes especiais. Um botão de pulo, outro para defesa e o último para o dash em alta velocidade.

As coisas começam a mudar a partir do momento em que o jogo nos disponibilizar a opção de manual ou normal para os combos, e, exclusivo do segundo game, se queremos a variação dos ataques especiais no formato "toque" ou "segurar" do direcional. Mas vamos por partes.

Além do manual nos combos, é possível escolher o tipo de comando para os golpes especiais - Reprodução
Além do manual nos combos, é possível escolher o tipo de comando para os golpes especiais
Imagem: Reprodução

Os combos normais são praticamente a mesma coisa que combos automáticos do jogo. Apertando apenas um único botão, o game escolhe o melhor caminho para os golpes desferidos e já finaliza o seu turno com um ataque especial. Quando no modo manual, nós que escolhemos quando encerramos a sequência simples de ataques e emendamos (ou não) ataques especiais na sequência. Dessa forma temos uma maior liberdade para criar sequências mais imprevisíveis.

Em relação aos ataques especiais, cada botão executa o ataque especial de duas maneiras: com ou sem o auxílio do direcional. O jogo ainda fornece duas maneiras de aplicarmos o uso do direcional, que é dando um toque curto mais o botão, ou segurando a direção desejada e, em seguida, o botão. A primeira maneira é a forma mais segura de evitarmos acionar golpes sem querer.

Alguns personagens, como Todoroki (o meio a meio), possuem uma variação extra de golpes no ar dado o tipo de poder que ele usa (gelo no chão, fogo no ar). Mas no geral todos os demais personagens funcionam exatamente da mesma maneira, e cabe ao jogador procurar a melhor forma de utilizá-los, seja a distância ou no combate mais íntimo.

Usando o direcional para aplicar golpes normais faz com que os personagens executem golpes dourados. A cor dourada no game indica que o golpe possui um tipo de armadura que evita que seja interrompido. Isto, claro, se o adversário não utilizar golpes de cor vermelha (outra combinação de botões), que funciona como uma manobra de contra ataque a esse tipo dourado. O game tem uma certa profundidade no gameplay, mas cabe somente ao jogador explorar ou manter-se apenas no apertar frenético de botões.

Novo balanceamento

O visual de quadrinhos americanos é referência na série - Reprodução
O visual de quadrinhos americanos é referência na série
Imagem: Reprodução

Em relação ao primeiro game, algumas coisas no gameplay mudaram drasticamente. A principal delas, é o dash (botão de ombro esquerdo no controle), que além de gerar uma maior mobilidade ao personagem, também servia para continuar certos combos, aumentando o dano causado pelo jogador.

O cancelamento com dash no combo ainda existe, mas agora ele cobra do jogador um pouco da barra de ataque especial, forçando-o a escolher entre continuar um ataque ou guardar energia para um ataque mais forte ainda, mas passível de ser defendido pelo oponente.

O cancelamento com dash no combo ainda existe, mas agora ele cobra do jogador um pouco da barra de ataque especial

Três contra três, mas o seu time funciona apenas como ajuda extra - Reprodução
Três contra três, mas o seu time funciona apenas como ajuda extra
Imagem: Reprodução

One's Justice 2 continua com o sistema de times de três lutadores, mas ao contrário do seu primo distante (bem distante) Jump Force, os bonecos na reserva não podem ser utilizados para o combate, só funcionam como ajuda momentânea durante o round. Uma barra indica quando ele pode ser utilizado, e quando cheia, ao passo de que você disponibilize de três barras de especial, é possível atacar com os três ao mesmo tempo, causando um dano considerável ao custo de todos os seus recursos.

As ajudas podem ser chamadas para ataques solo de diferentes níveis de poder, e também para interromper o combo do adversário. Neste caso específico, depois da ajuda ambos os jogadores são separados e é preciso começar a estratégia do zero.

Além do anime

O modo campanha do game resume os acontecimentos do final da terceira e começo da quarta temporada do anime. Contando com pouquíssimas animações exclusivas para o game, One's Justice 2 se resume a narrar a história com as vozes originais do anime com sequências estilizadas de screenshots pseudo animadas. Uma segunda metade do jogo se limita a contar a história pelo ponto de vista dos vilões, mas não adiciona nenhuma novidade ao estilo.

Monte sua própria agência de heróis - Reprodução
Monte sua própria agência de heróis
Imagem: Reprodução

O modo Missão passou por mudanças em relação ao primeiro game, e agora coloca o jogador no controle da sua própria agência de heróis. Lá você precisa recrutar seus personagens gastando a moeda do game (adquirida através da campanha ou do modo Arcade) e comprando os bonecos que deseja usufruir. O único limite é sua conta bancária de mentirinha.

Aqui seu conhecimento do anime e do lore geral de My Hero Academia vale ouro. Saber quais personagens se dão bem, ou quais podem ter um relacionamento construído à partir das desavenças geram bônus especiais para o combate. Deku e Bakugo, Todoroki e Endeavor, só não dá para tentar Mineta com alguma garota.

O modo Missão passou por mudanças em relação ao primeiro game, e agora coloca o jogador no controle da sua própria agência de heróis

Cuide da sua energia e complete as missões especiais - Reprodução
Cuide da sua energia e complete as missões especiais
Imagem: Reprodução

Depois de formar o time, o jogador segue em busca das missões, e cada uma delas é posta como um tabuleiro em que cada jogada (sua e dos adversários) consome um pouco de energia. E da mesma forma que o jogo anterior, seus personagens carregam a mesma energia entre as partidas, com alguns poucos casos de existirem itens de recuperação espalhados pelo tabuleiro, exigindo um planejamento para não se movimentar além do necessário.

O modo arcade ganhou três novas rotas, e que se diferenciam entre si mais ou menos pelo grau de dificuldade. A premiação por cada rodada finalizada são ilustrações destravadas na galeria que são bem bonitinhas.

Use partes de outros uniformes conhecidos no seu herói - Reprodução
Use partes de outros uniformes conhecidos no seu herói
Imagem: Reprodução

E para fechar, a parte de personalização dos lutadores continua recheada de opções. Peças de uniformes avulsas, cores extras, acessórios e até a mudança de vozes para os personagens. Uma grande salada que vai privilegiar a criatividade e bom gosto de cada um.

My Hero One's Justice 2 não é ruim, mas poderia ser bem melhor. Justiça seja feita, é mais divertido que os caça-níqueis que a Bandai costuma lançar, de tempos em tempos, com um gameplay sólido e que pode ser explorado de algumas maneiras além do button masher. Infelizmente não adiciona muito conteúdo inédito, mas pelo menos dá a chance de o fã jogar com personalidades famosas do anime e ainda incita a curiosidade de quem nunca viu na vida se interessar um pouquinho por esse universo.

Divulgação
Imagem: Divulgação
Lançamento: 12/03/2020
Plataformas: Xbox One, PS4, PC, Switch
Preço sugerido: R$ 159,90 (PC), R$ 249,90 (consoles)
Classificação Indicativa: 12 anos (Violência, Linguagem Imprópria)
Desenvolvimento: Byking
Publicação: Bandai Namco
Jogue também: One Punch Man - A Hero Nobody Knows, Jump Force, Naruto Ultimate Ninja Storm 4